Panorama Mercado&Consumo: Inflação, juros e desemprego comprometem varejo

Time da Gouvêa Analytics destaca os principais pontos de atenção nos próximos dias na economia

Mercado financeiro prevê redução da inflação para 4,95% para este ano

A Inflação alta, os juros altos e o mercado de trabalho ruim compõem um cenário nada promissor para o varejo brasileiro em 2022. Mesmo com o décimo terceiro e o novo auxílio, a ausência de novas boas notícias devem comprometer 2022.

Enquanto isso, o mercado de trabalho nos Estados Unidos arrefeceu, mas continua muito aquecido. Foram 210 mil empregos líquidos em novembro, o que levou a taxa de desemprego de 4,6% para 4,2%. Por outro lado, o custo da hora média subiu 4,8% em termos reais em um ano, pressionando a inflação.

Esses e outros temas são tratados no “Panorama Mercado&Consumo” desta semana, produzido pelo time da Gouvêa Analytics, integrante da Gouvêa Ecosystem. Confira, a seguir, os principais pontos de atenção nos próximos dias na economia.

Cenário econômico nacional

O PIB do terceiro trimestre apresentou ligeira queda de 0,1%. As contribuições por setores foram de +1,1% de serviços, -8% de agro e estabilidade da indústria. No caso de agro, o final da safra da soja foi o grande vilão. O número é decepcionante e antevê cenário difícil para economia brasileira, que sofre com inflação, juros altos e mercado de trabalho debilitado. Números de comércio e serviços de outubro corroboram sinais negativos.

O índice de inflação de novembro do IPCA ficou em 0,95%, ligeiramente abaixo das expectativas de mercado. O número é positivo, uma vez que mais de 90% do índice foi de transportes e habitação, mais voláteis. Alimentação ficou estável e pode iniciar um novo padrão. No ano a inflação foi para 9,26% e em doze meses, 10,74%. Certamente teremos inflação de dois dígitos em 2021. Antes da divulgação, o Banco Central aumentou a taxa Selic para 9,25% e já deixou contratada mais uma alta de 1,5% para fevereiro. O tom do comunicado foi duro, mas já abre janelas para análise de um cenário econômico mais negativo.

A PMC mostrou também ligeira queda do varejo em outubro, de -0,1%. É a terceira queda seguida depois de cair 4,1% em agosto e 1,1% em setembro. Inflação alta, juros altos, mercado de trabalho ruim compõem um cenário nada promissor para o setor em 2022. O final do ano pode ser ajudado pelo décimo terceiro (parte será usada para dívidas) e pelo novo auxílio, mas a ausência de novas boas notícias devem comprometer 2022.

A produção industrial divulgada pelo IBGE teve queda de 0,6%, a quinta seguida. O número já está 4% mais baixo do que no pré-pandemia e 20% abaixo do pico de 2011. Inflação, juros e quebras na cadeia produtiva mundial estão deprimindo a produção e 14 dos 26 setores já se encontram piores do que no pré-pandemia.

Cenário econômico internacional

Os índices de inflação chineses, a priori, parecem contraditórios. Enquanto o CPI anual ficou em 2,3%, o índice ao produtor subiu 12,9% em novembro. Se os números fossem vistos sem uma análise específica, poderiam até ser confundidos com alguma manipulação do governo, mas não é certa uma análise da China como uma economia de mercado. Naquele país todos os preços da cadeia são controlados pelo governo, que impede o repasse do produtor ao consumidor, ao mesmo tempo que subsidia e incentiva a produção. Energia, o maior vilão, já vê o nível de produção de carvão aumentar consideravelmente e deve diminuir a pressão nos próximos meses.

O mercado de trabalho nos Estados Unidos arrefeceu, mas continua muito aquecido. Foram 210 mil empregos líquidos em novembro, o que levou a taxa de desemprego de 4,6% para 4,2%. O custo da hora média subiu 4,8% em termos reais em um ano, pressionando a inflação.

O CPI americano também surpreendeu para cima. O índice de preços ao consumidor fechou o mês de novembro em 6,8%, enquanto o core, que exclui preços voláteis, fechou em 4,8%, maior desde 1981. Lembrando que a meta naquele país é de 2%. O índice de confiança do consumidor do conferencie board já sofre os efeitos da inflação e: caiu para 109.5 pontos, o menor desde fevereiro de 2021.

Gouvêa Analytics é a unidade de mapeamento de tendências econômicas da Gouvêa Ecosystem.
Imagem: Bigstock

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