Conheça as 5 tendências que estão mudando o jogo no varejo apontadas no WebSummit Rio 2023

Conheça as 5 tendências que estão mudando o jogo no varejo apontadas no WebSummit Rio 2023

O Web Summit Rio 2023 marcou a primeira edição do evento – um dos maiores de tecnologia, empreendedorismo e inovação de todo o mundo – em solo brasileiro. Pela primeira vez fora da Europa, de 1 a 4 de maio de 2023, na cidade do Rio de Janeiro, a conferência reuniu cerca de 20 mil participantes de todo o mundo.

O evento contou com mais de 100 horas de palestras com nomes de peso, masterclasses e sessões de networking. Estiveram presentes mais de 700 startups e 300 palestrantes convidados. As discussões  permearam as temáticas que estão em alta no setor de tecnologia, com (muito) destaque para a Inteligência Artificial (IA), além das perspectivas sobre o panorama de investimentos em empresas do segmento, das questões climáticas, da diversidade e inclusão, entre outros temas.

Veja a seguir as cinco principais tendências que estão mudando o jogo no varejo, de acordo com a masterclass “The Game-Changing Retail Trends: an Insider’s View”, ministrada por Bernardo Carneiro, sócio-cofundador da Stone, e Tiago Mello, CPO da Linx, líder em software de gestão para o grupo Stoneco:

1. AI Commerce, da segmentação para individualização: com o uso de inteligência artificial, a hiperpersonalização de serviços melhora o relacionamento com clientes e permite que estratégias sob medida sejam aplicadas no momento certo. Ou seja, personalizar é a chave para a retenção, uma vez que a coleta e o processamento de dados norteiam ofertas altamente eficazes em tempo real. Pesquisas apontam que 90% dos clientes estão dispostos a compartilharem dados se isso melhorar sua experiência de compra, porém, 71% esperam interações personalizadas, enquanto 76% ficam frustrados quando isso não acontece (Mckinsey, 2021).

A jornada da hiperpersonalização acontece da seguinte forma:

  1. Propaganda relevante: Ads únicos para cada cliente, incluindo produtos e informações contextuais.
  2. Unified commerce: Uso de dados e IA para reconhecer e conectar jornadas em canais online/offline. A jornada do cliente é mais importante do que o canal. Estratégias de vendas integradas combinam diversos canais de comunicação e promoção, proporcionando aos clientes uma experiência consistente da marca. Isso permite que os consumidores transitem entre canais variados, mantendo um alto padrão de qualidade em atendimento, serviços e produtos adquiridos.
  3. Autofill: Dados já existentes podem auxiliar em cadastros, regularizações e processos mais rápidos.
  4. Interface adaptável: Páginas que se ajustam dependendo de dados lá captados do cliente
  5. Atendimento customizado: Aplicação de chatbots que continuamente aprendem comportamentos para personalizar respostas específicas e contextuais.
  6. Notificação em tempo real: Atualizações sobre produtos e ofertas baseadas em dados como compras anteriores e geolocalização.
  7. Recomendações únicas: Sugestões de conteúdos, produtos e serviços para desejos e necessidades individuais.
  8. Programas de fidelização: Ofertas altamente adaptadas ao contexto atual dos consumidores, oferecendo recompensas tangíveis.

2 – Retail Media: é a terceira onda da publicidade digital, na qual os varejistas monetizam tráfego e dados. Os investimentos em mídia de varejo podem chegar a U$ 60 bilhões em 2024 e estão se aproximando dos realizados em pesquisa e anúncios nas plataformas de redes sociais.

O case do “Meli Ads”, do Mercado Livre, foi citado e hoje a receita proveniente desses anúncios tem impacto no GMV da empresa, com previsão de aumento na participação dessa vertical nos próximos anos, passando de 1,4% do GMV da companhia para 1,7% neste ano e 2,1% em 2024 (Brazil Journal).

3 – Creators: as redes sociais estão em constante transformação, pois hoje são uma mistura de espaços de descobertas, entretenimento, educação e consumo. Outro ponto importante é que todas as pessoas passam a ser prompt designers, microinfluenciadores com macroengajamento. A autenticidade e acessibilidade possibilitam conexões mais profundas com os seguidores, o que leva a um maior engajamento dos conteúdos.

Atualmente existem mais de 20 milhões de creators no Basil (factWorks, 2022). Dessa maneira, o entretenimento e o consumo andam juntos, já que a influência das mídias sociais nas tendências de consumo destaca a importância da criatividade, autenticidade e poder de contar histórias. Assim, parcerias que priorizem experiências de compra e que se conectem ao entretenimento podem maximizar chances de sucesso. Um dado importante da Hubspot (2022) é de que 54% dos consumidores querem ver conteúdos em vídeo de suas marcas favoritas.

4 – Local Business: independentemente da localização do consumidor, a decisão de compra começa pelo digital, já que pesquisas apontam que 9 em cada 10 brasileiros pesquisam online antes da compra. Dados mostram ainda que o consumidor entra, em média, em 6 canais diferentes antes decidir onde comprar. Dessa forma, há uma forte ascensão do mercado de proximidade: a busca por negócios locais no Google (pesquisas geolocalizadas) cresceu 900% nos últimos dois anos.

5 – Propósito: os consumidores estão ponderando mais suas compras e priorizando marcas alinhadas com os seus propósitos. A geração Z, por exemplo, dá mais foco as marcas que atribuem valores éticos às suas atividades, um comportamento que tende a se expandir à medida que eles atingem a idade adulta.

A Kantar (2021) aponta que quando os consumidores acham que uma marca tem um propósito forte, eles estão quatro vezes mais propensos a comprarem dessa marca. Assim, as empresas que são percebidas com um forte propósito cresceram 175% em valor. Já a Toluna (2022) mostrou que a preocupação com o meio ambiente já motivou 75% dos brasileiros a transformarem seus hábitos de consumo.

Fernanda Dalben é diretora de marketing da rede de Supermercados Dalben.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Shutterstock

 

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