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A macrotendência da liberdade e seus impactos no comportamento de consumo

Na década de 70, com o Êxodo rural no seu ápice, o aumento da frota de automóveis, a degradação dos centros urbanos e o consequente aumento da criminalidade fez com que houvesse um crescimento exponencial dos condomínios fechados. As pessoas deixavam seus lares em busca de uma nova liberdade, agora dentro de muros altos dos seus condomínios de casas e prédios. Este movimento ocorreu principalmente nas classes mais altas da população e o comportamento foi motivado por uma macro-tendência que era o medo coletivo. Os anos foram passando e a oferta de condomínios se diversificou, levando o clube para os prédios, as cozinhas gourmets e as praças. Aos poucos a cidade foi levada para dentro de casa, sempre motivada, entre outras coisas, por este medo coletivo. O boom dos shopping centers na década de 80 seguiu o mesmo caminho, com um modelo que incentivava a busca por entretenimento, compras e lazer diferente do que é encontrado em outras partes do mundo, principalmente na Europa. Era a cidade sendo colocada em um local mais seguro e fechado.

Eis que em 2020, um pequeno vírus e o isolamento decorrente do medo da pandemia vem aos poucos transformando este sentimento coletivo que era do medo para um novo sentimento. O confinamento forçado e as novas configurações de trabalho, com o home-office sobressaindo-se ao modelo de escritório e das escolas, com o ensino remoto, nos faz sonhar com a liberdade e um desejo de voltar às ruas. Este movimento pode trazer impactos no mercado imobiliário e na forma como nos relacionamos com nossos lares.

Estudos de associações e aplicativos que ligam donos de imóveis com corretores e consumidores apontam uma queda na busca por imóveis em regiões centrais das cidades e aumento significativo por casas e apartamentos com quintais ou varandas e em áreas mais afastadas, no campo ou no litoral. A busca por imóveis rurais também foi impulsionada pela pandemia. É claro que outras razões como a queda na taxa de juros e, consequentemente no rendimento de aplicações financeiras fez com que houvesse uma corrida por outros ativos que tragam ganhos superiores aos do mercado financeiro, como imóveis, por exemplo, mas a busca por refúgios e áreas periféricas nos faz crer que a busca por liberdade teve um papel maior na escolha do que o mero retorno financeiro. Até mesmo empresas tem buscado novas formas de pensar seus escritórios olhando para a volta no pós pandemia. O anúncio da nova sede da XP Inc. no interior de São Paulo evidencia este movimento com um espaço pensado para ter maior interação com a natureza e ser um espaço de convivência diferente entre colaboradores e demais stakeholders.

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Entre quem não pode mudar, seja por razões financeiras ou por qualquer outra razão tem olhado de forma diferente para suas casas e para os espaços verdes das cidades. O tempo maior em casa, o maior uso dos ambientes, eletrodomésticos, móveis e demais aparatos do lar fez com que as pessoas percebessem detalhes que eram tolerados outrora. Pesquisas conduzidas por nós na Mosaiclab com varejos que vendem produtos voltados ao lar, indústria das linhas brancas e marrom e outras tantas que tem o lar como protagonista mostraram que há um desejo latente por melhorar o ambiente em que vivemos ou pelo menos torná-lo mais agradável para enfrentar este duro momento pelo qual passamos. Os bons resultados do mercado de materiais de construção estão aí para corroborar esta tese. Abaixo, dados sobre o varejo de materiais de construção extraídos do último reporte da Cielo – Impacto do COVID-19 no Varejo Brasileiro – 03/08/2020.

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O aumento no número de esportistas ao ar livre, o aumento exponencial de ciclovias e  bicicletas e o desejo por mais parques e natureza nas cidades também indicam que possivelmente teremos impactos na forma como os shoppings centers se apresentam aos consumidores. A adequação dos espaços e da oferta do mix de lojas e serviços será uma questão de sobrevivência neste novo cenário. Será preciso integrar os shoppings às cidades, em um movimento oposto ao modelo em que a maioria deles foi idealizada nas décadas passadas.

Será interessante observar como esta macrotendência da liberdade irá se manifestar em outros produtos e serviços. Certamente deveremos observar um movimento de segmentos, marcas, produtos e serviços para atender este novo comportamento das pessoas. Essa e outras tendências que se manifestam neste momento de incertezas nós exploraremos no estudo Consumidor do Amanhã que está sendo conduzido em quatorze países e será apresentado pela Mosaiclab no Global Retail Show, em setembro.

NOTA: Com a missão de analisar, desenvolver, inovar e agregar valor à marcas e negócios de forma visionária, estratégica e efetiva, a Mosaiclab se une a Gouvêa Ecosystem, um inovador ecossistema de negócios, para fortalecer o setor de inteligência de mercado e pesquisas. Essa fusão irá enriquecer as pesquisas já realizadas pela unidade de inteligência do grupo e contará com um time completo e preparado para realizar pesquisas de alta complexidade a partir de conhecimento em múltiplas áreas, capacidade de treinamento e geração de conteúdo. Tendências e crescimento; novos drivers de consumo; jornada e experiência; força competitiva; além de inovação e transformação estão entre os pilares que conduzem a Mosaiclab.

* Imagem reprodução

Ricardo Contrera

Ricardo Contrera

Ricardo Contrera é sócio-diretor da Mosaiclab, área de inteligência da Gouvêa com a chancela “powered by”. É especialista em prospecção, análise e emprego estratégico de dados do mercado de consumo no Brasil e no mundo.

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