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O tic-tac para a explosão de fechamento de bares no Brasil

Com muito orgulho, empresários e executivos do setor bradam: “somos resilientes”, “estamos otimistas”, “o último setor a entrar e o primeiro a sair da crise”, e por aí vai. São frases importantes, que demonstram a cultura de um segmento que se inventa e se reinventa a cada intempérie, a cada governo, às mudanças de regras, a tudo.

Passamos o ano de 2020 tentando projetar quando a crise estaria encerrada, como seria a retomada, o comportamento dos clientes, a sobrevivência ou não dos negócios e as marcas deixadas pelo coronavírus. Mas chegamos nesse final de ano ainda com muitas incertezas.

Na Europa, quando foi encerrado o lockdown e chegou a primavera, houve uma redução assombrosa do número de casos. E assim os brasileiros esperaram que ocorresse por aqui. Mas a curva não cede. Estamos na segunda onda ou nem saímos da primeira?

Para nossa felicidade, países anunciam o início da vacinação, ou seja, renovamos nossas esperanças, mas, para nossa infelicidade, o governo federal brasileiro criou um ambiente (de novo) de politização e polarização sobre mais um tema fundamental para a sociedade.

O governo do Estado de São Paulo apresenta regras mais duras, especialmente para bares, com medidas que certamente irão resultar em quebradeira de quem tinha conseguido sobrevida até aqui. Os empresários são totalmente favoráveis a conter essa nova onda de propagação do vírus, mas uma medida desse porte tem de vir acompanhada de apoio econômico real ao setor.

Na Inglaterra, durante o lockdown e para retomada, o governo organizou uma série de ações para evitar o fechamento definitivo de bares e restaurantes: reduziu impostos de 20% para 5% por seis meses, assumiu salários de 1.000 libras por funcionário para evitar demissões em troca da manutenção de empregos até janeiro de 2021 e ofereceu vouchers de 50% de reembolso (menos em bebidas alcoólicas) para quem fizesse refeições fora de casa.

A MP 936 foi um marco e funcionou para muitos, mas sua validade se encerrou e, quando todos acharam que poderiam dizer “feliz ano novo”, vem uma nova carga de preocupações causadas por restrições e incertezas.

A indústria de bebidas, que buscou apoiar os estabelecimentos com inúmeras ações – sites, delivery, cupons de descontos, venda antecipada, flexibilização de pagamentos, protocolos, orientações e até apoio financeiro -, talvez não consiga novamente apoiar. Ela mesma deverá tomar medidas mais drásticas, gerando demissões de seus funcionários, aumentando preços e reduzindo ações de incentivo e apoio ao setor.

Seria mais inteligente restringir a ocupação dos bares e ampliar horários de atendimento ou de fato mandar as pessoas mais cedo para casa? A mim, parece inocência achar que o fechamento dos bares às 20h no Estado de São Paulo levará jovens a voltarem para casa, ligarem a TV e não se aglomerarem. Festas clandestinas, reuniões de amigos, churrascos, carros estacionados na rua em frente às residências, isso tudo aconteceu durante toda a pandemia. As pessoas terão suas residências fiscalizadas? Isso não é real e nem é factível, e o pior, prejudica um setor que engatinhava em direção à recuperação.

Infelizmente, realizar as eleições no modo clássico gerou um inconsciente coletivo: “se posso aglomerar para votar, posso aglomerar para me divertir”. Carreatas de políticos não foram coibidas, coletivas de imprensa presenciais também não. Sim, as pessoas são criticadas, mas também estão afiadas para criticar ações impensadas dos governantes.

Usando novamente como exemplo São Paulo, o comércio teve seu horário ampliado de 10 para 12 horas de funcionamento justamente para não ocorrerem aglomerações. Está faltando razoabilidade do governo. As ruas de comércio popular estão lotadas e não está havendo gestão alguma dessa situação.

O que me parece razoável é reforçar o entendimento dos clientes para manterem os cuidados e criar formas para rastrear novos casos. Pessoas que forem a bares deveriam fornecer seus dados e, se apresentarem sintomas, sinalizarem para que imediatamente seja dado um alerta aos demais clientes que estiveram no estabelecimento no mesmo dia e local para que façam o isolamento social. Os chineses tomaram esse tipo de ação, retomaram eventos e escolas, bares e restaurantes seguem em operação e a previsão é o país fechar o ano de 2020 com 1,9% de crescimento do PIB. Dia 12 de dezembro, registraram 24 casos, contra 43.900 no Brasil.

A média de mortes por dia no Brasil caiu, mas de casos, não. Felizmente, os protocolos de tratamento têm sido eficientes, mas casos novos e recidivas voltam a lotar os hospitais.

Não colapsamos o sistema de saúde no início da pandemia. Vai acontecer agora? Não colapsamos o setor de bares. Vai acontecer agora?

Vamos torcer para que os últimos dias deste ano sejam de alinhamento entre as lideranças políticas e de ações mais estruturadas para o setor.

Cristina Souza é CEO da Gouvêa Foodservice.
Imagem: Bigstock

Cristina Souza

Cristina Souza

Cristina Souza é sócia-fundadora e CEO da Gouvêa Foodservice, empresa da Gouvêa que apoia o setor com metodologias híbridas e ágeis.

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