Mesmo com pandemia, Pernambucanas avança para regiões Norte e Nordeste

Com meta de 10 unidades nas regiões, empresa planeja se tornar uma varejista nacional em até cinco anos

Aos 113 anos, Pernambucanas abre primeira loja no Norte do Brasil

Ainda em meio à pandemia, mas com a vacinação avançando, a Pernambucanas decidiu deslanchar o plano de expansão para se tornar uma varejista nacional em até cinco anos. A rede inaugura na semana que vem lojas nas regiões Norte e Nordeste. Com isso, passa a estar presente em 12 Estados e no Distrito Federal.

O primeiro ponto de venda no Norte será no Estado do Tocantins, em Gurupi. No Nordeste, a primeira loja será na Bahia, em Salvador. A meta para este ano é ter ao menos dez lojas nas duas regiões, de 42 programadas. A rede deve fechar 2021 com um total de 454 pontos de venda. O investimento em expansão para 2021 é de cerca de R$ 170 milhões, dos quais Norte e Nordeste devem ficar com quase um quarto.

No ano passado, a receita da companhia atingiu R$ 3,8 bilhões, queda de 10% em relação a 2019, levando-se em conta as mesmas lojas. Em 2020, foram abertas 38 lojas, e não houve encerramento definitivo de pontos de venda, mesmo com as dificuldades impostas pelo isolamento social. O presidente da varejista, Sérgio Borriello, admite, no entanto, que a pandemia “atrasou um pouco o plano de nacionalizar a companhia”.

Apesar da queda no poder de compra do brasileiro no último ano, o que tira a atratividade do mercado de consumo – sobretudo em regiões mais pobres como Norte e Nordeste -, o executivo afirma que a renda do consumidor é apenas um dos fatores considerados na expansão. O executivo ressalta que investir em momentos de crise é bem mais vantajoso do que em períodos de bonança. Isso porque os custos de aluguel e outras despesas para se estabelecer em novas praças geralmente são menores. “O contrafluxo do investimento é importante para determinar o seu retorno.”

Até dezembro, estão programadas mais duas lojas no Tocantins, em Araguaína e na capital Palmas. Na Bahia, serão abertos três pontos de venda em Salvador e mais três nos municípios de Teixeira de Freitas, Eunápolis e Vitória da Conquista. O alvo são cidades com mais de 70 mil habitantes.

Depois da Bahia e do Tocantins, a companhia avalia Amazonas e Sergipe, além da possibilidade de criar um centro de distribuição no Nordeste. Também tem planos de chegar a Pernambuco em 2022.

Apesar de o nome da rede fazer menção ao Estado do Nordeste, a Arthur Lundgren Tecidos, que dividiu a marca Pernambucanas com Lundgren Irmãos Tecidos – falida em 1997 -, nunca teve lojas na região.

Na época da reestruturação societária, a empresa que quebrou tinha ficado com a operação no Rio de Janeiro e no Nordeste, e a Arthur Lundgren Tecidos com os negócios no Sul, no Centro-Oeste e em São Paulo. Em 2019, a Arthur Lundgren Tecidos voltou a operar com a Pernambucanas no Rio de Janeiro e agora está indo para o Nordeste.

Presença

A decisão da Pernambucanas de fincar bandeira em outras regiões está relacionada com a discussão trazida pela pandemia sobre capilaridade e adensamento nos planos de expansão de varejista, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra.

Com o avanço da venda digital, muitas companhias começaram a se perguntar se seria eficiente abrir mais lojas em praças onde elas já estão ou buscar novas localidades. “Muitas redes estão revisando estratégias e indo para novos mercados com objetivo de continuar crescendo com novos clientes”, afirma o consultor.

Quando uma varejista abre novas regiões onde a competição é menor, ela potencializa a venda digital. Isso porque passa a ter uma base física que permite a compra no online e a retirada na loja, explica Terra. E o ponto de venda pode começar a funcionar, por exemplo, como uma espécie de minicentro de distribuição para e-commerce.

Com informações de Estadão Conteúdo

Imagem: Divulgação

Sair da versão mobile