Sul-africana Pepkor compra grupo Avenida por R$ 1,1 bilhão

A venda envolveu a totalidade das ações detidas pelo fundo Kinea, sócio da empresa desde 2012

O Grupo Avenida, uma das maiores empresas de varejo do Brasil com atuação nas regiões Centro-Oeste e Norte, vendeu o controle de suas operações para a Pepkor, gigante do varejo de vestuário da África do Sul. A empresa sul-africana desembolsou US$ 208 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) em dinheiro pela compra de 87% das ações da varejista brasileira. O valor inclui uma injeção de capital no negócio.

A venda envolveu a totalidade das ações detidas pelo fundo Kinea, sócio da empresa desde 2012, e uma parcela que pertencia à família Caseli, fundadora da companhia, que ficará com 13% do capital. Rodrigo Caseli, filho do fundador, disse ao Estadão que continuará como presidente da companhia e que seu irmão, Christian, permanece no Conselho da empresa – ambos pelos próximos sete anos.

A transação ocorre após o grupo ter fracassado na tentativa de realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no ano passado por conta da turbulência do mercado. Outras empresas que tentaram sem sucesso o IPO em 2021 estão em busca de uma operação como a feita pelo Grupo Avenida – esse é o caso da Privalia, segundo fontes.

O Grupo Avenida tem duas redes de lojas – sendo 110 unidades da Lojas Avenida e 20 da Giovanna Calçados -, com presença em 11 Estados. A varejista foi fundada em 1978, em Cuiabá, por Aílton Caseli.

Plano de expansão

“Temos enorme potencial para expandir rapidamente os negócios no Brasil, aumentando o número de lojas e a receita da empresa, além de uma grande sinergia de culturas e valores do Grupo Avenida com a Pepkor”, Rodrigo Caseli.

O executivo lembra que o plano da empresa, na época em que estudava abrir o capital, era abrir mais 170 lojas poelo Brasil. “O que eles (Pepkor) pensam é numa expansão muito forte no Brasil, mas ainda não temos o plano”, disse Caseli, fazendo referência ao porte da nova sócia. A intenção, segundo executivo, é crescer nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde a companhia já está, mas abrindo lojas em cidades menores, que não contam com oferta de itens de vestuário de boa qualidade.

Um ganho esperado com o negócio é a ampliação de produtos importados, uma vez que 90% dos itens vendidos pela Pepkor em suas lojas vêm da Ásia. A empresa tem escritório em Xangai, na China, com 250 funcionários. “Hoje, no Grupo Avenida, só 8% da nossa compra é de artigos importados da Ásia”, comparou Caseli. Ele lembrou que o cliente padrão das lojas da rede é das classes C e D, de menor renda.

Dúvidas

Alberto Serrentino, especialista no setor de varejo e sócio da consultoria Varese Retail, analisa com cautela o negócio e lembra o recuo de muitos grupos internacionais que já tentaram ingressar no mercado brasileiro para criar um negócio de varejo de moda no País. Ele aponta que há dificuldade de grupos estrangeiros em acertar o “timing” das coleções e de encontrar sinergias com os negócios que possuem em outros países.

No entanto, Serrentino também vê potencial nessa união, a depender da governança negociada com o novo controlador. “Se eles (Pepkor)estão capitalizando a Avenida, para crescer com uma estratégia brasileira, de um negócio brasileiro, aí a Avenida pode ganhar fôlego. Em tese espaço existe”, afirma.

Com informações de Estadão Conteúdo (Fernanda Guimarães e Márcia De Chiara)
Imagem: Reprodução

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