Mulheres negras são apenas 3% entre líderes nas empresas

Uma forma de inclusão é por meio de oferta de bolsas de estudo para funcionárias que estão na base da pirâmide

Mulheres negras são apenas 3% entre líderes nas empresas

Na semana que relembrou a luta das mulheres por igualdade de gênero ao redor do mundo, uma pesquisa mostra que ainda há muito caminho a se percorrer no mercado, principalmente para mulheres negras e para aquelas em outros grupos de vulnerabilidade como lésbicas e mulheres com deficiência.

Levantamento feito pela consultoria Gestão Kairós, especializada em diversidade, aponta que, entre 900 líderes entrevistados (nível de gerência para cima), apenas 25% são mulheres – e, entre elas, apenas 3% são negras.

“O estudo nos possibilita refletir sobre como a gente universaliza os direitos das mulheres pela mulher branca. Quando vemos que as mulheres negras são apenas 3%, vemos o abismo de direitos que temos”, diz Liliane Rocha, fundadora e CEO da Gestão Kairós.

O censo também foi aplicado entre mais de 23 mil profissionais que não ocupam cargos de liderança. Desse total, 32% são mulheres, e o número de mulheres negras aumenta para 9%, mas ainda são sub-representadas, uma vez que o Brasil é composto por 28% delas. Para mudar esse cenário, Liliane aconselha que as empresas façam um diagnóstico interno, em forma de censo, para mapear o perfil dos profissionais e depois atuar a partir das informações encontradas.

Para Camila Oliveira, coordenadora de Operações na Tenda Atacado, um dos gargalos da inserção da mulher negra no mercado está no desenvolvimento dessas profissionais dentro das organizações e na falta de mecanismos que as impulsione a alcançar cargos de liderança. “Geralmente os homens acabam tendo mais experiências profissionais porque já são dadas mais oportunidades a eles desde o início da carreira. Enquanto isso, nós, mulheres negras, em muitos casos ficamos sem vantagem competitiva, porque até mesmo a nossa conquista ao ensino superior é atrasada”, diz.

A trajetória de Camila na empresa começou há 14 anos, como auxiliar administrativa. Ao longo desse tempo, ela se inscreveu em processos seletivos internos para cargos maiores. Passou por analista e supervisora, até se tornar coordenadora. A sua trajetória mostrou, na prática, a predominância masculina em cargos de liderança no mercado.

Camila defende que uma forma de incluir mulheres negras é por meio de oferta de bolsas de estudo para funcionárias que estão na base da pirâmide empresarial.

Além da raça

Outros grupos em vulnerabilidade, como mulheres transexuais, travestis, lésbicas e com deficiência, também estão sub-representados, segundo a pesquisa da Gestão Kairós. Entre as líderes, as lésbicas são menos de 1%.

Elas são seguidas pelas bissexuais, que são 1,1% do censo. As mulheres com deficiência também estão em patamar muito baixo tanto entre líderes quanto não líderes – 0,6% e 0,8%, respectivamente. Entre não líderes, ainda que em número reduzido, homens com deficiência estão mais representados – 1,9%.

Os porcentuais estão distantes do retrato da sociedade brasileira e mostram também estar aquém dos esforços da Lei de Cotas, que determina uma porcentagem de contratação de pessoas com deficiência pelas empresas: de 2% a 5% do total de funcionários, a depender do tamanho da organização. Segundo o IBGE, 8,4% da população brasileira acima de dois anos possui alguma deficiência.

Com informações de Estadão Conteúdo

Imagem: ShutterStock

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