O varejo já faz muito, mas pode mais

Momentum nº 957

Nosso artigo desta semana reproduz a carta de fechamento do 10º Fórum de Varejo e Marketing Lide, realizado no fim de semana de 18,19 e 20 deste mês no Guarujá, em São Paulo.

No momento que comemoramos 10 anos de Fórum Lide de Varejo assistimos a uma memorável evolução na importância estratégica do setor no mundo e no Brasil.

E tudo tem a ver com o fato de que a transformação digital ampliou o protagonismo do varejo em muitos aspectos, em especial na sociedade e na economia.

A transformação digital, precipitada pela expansão e relevância da tecnologia, exacerbou a competividade nos negócios, ampliando a oferta de produtos e serviços e colocando tudo, absolutamente tudo, ao alcance de um clique.

Para quem pode.

Se isso empoderou o omniconsumidor-cidadão, o epicentro de todo esse processo transformacional, também empoderou o varejo que ouve, conversa, interage e entende esse consumidor figital e empoderado, de forma constante e permanente.

Isso justifica o crescimento da importância do setor, que pode ser medida, no Brasil, pelo fato de que o comércio e o varejo, além de serem os maiores empregadores privados do País, tiveram sua participação no PIB expandida de 19% em 2002 para 28% em 2021. Como referência, o varejo e o comércio representam 27% do PIB dos EUA, mesmo percentual que tínhamos no Brasil em 2019, último ano pré pandemia.

Essa é uma das razões pelas quais no Brasil os varejistas, antes tradicionais, como Magalu, Americanas, Via, Riachuelo, Renner, Arezzo, Telhanorte, Boticário, Carrefour e outros, tornaram-se também protagonistas da evolução de mercado, liderando a transformação de seus próprios modelos para serem Ecossistemas de Negócios, processo em franca e rápida evolução, inspirados pelos exemplos que nasceram na China com Alibaba, Tencent, JD e muitos outros.

A partir do conhecimento e interação constante com os consumidores, fator crítico na realidade atual e futura, os Ecossistemas podem expandir para outras categorias, formatos, canais, marcas e modelos, incluindo cada vez mais serviços e soluções, usando modelos avançados de inteligência competitiva digital, ampliando sua participação no todo dos dispêndios dos consumidores e crescendo sua importância estratégica.

Isso significa que a atual participação do comércio e do varejo no PIB poderá continuar a crescer nos próximos anos de forma irreversível à medida que se amplia o número de novos entrantes no setor, porém fazendo crescer a competitividade no setor.

Essa é uma das razões pelas quais a indústria avança nos seus negócios para também atuar no varejo, como é o caso de Nestlé com Nespresso e Nescafé, BRF com Mercato, JBS com Swift, Unilever com lavanderias Omo, P&G também com suas lavanderias e rede de lava-rápido, além de Apple e Motorola com suas lojas-conceito.

Inúmeras marcas de consumo passaram a atuar com conexão direta com o consumidor final ou por meio dos marketplaces do varejo tradicional.

E esse varejo se reconfigura em Ecossistemas de Negócios e também baseado em plataformas exponenciais como Amazon para atender a essa demanda e a oportunidade gerada.

Todos absolutamente conscientes de que essa proximidade e constância em tempo real de relacionamento e entendimento do pensar e desejar do consumidor tornaram-se fatores críticos no cenário de negócios presente e futuro.

Mas, se de um lado a importância estratégica e econômica do varejo deve ser celebrada, de outro lado é preciso lembrar que privilégios acarretam responsabilidades.

E uma dela é de atuar de forma mais decisiva para minorar as desigualdades, especialmente no Brasil.
Como bem lembrou Eduardo Lyra na abertura do 10º Fórum Lide do Varejo, o Brasil não é pobre. O Brasil é injusto.

E nenhum setor tem tanta proximidade e conhecimento dessa realidade do que o varejo.

Quando tanto se fala e discute ESG, D&I e outros conceitos que trazem uma nova consciência para a responsabilidade social empresarial, é tempo de o varejo abraçar de forma mais decisiva a causa da redução da desigualdade e da vulnerabilidade, integrando seus fornecedores de produtos e serviços, como é a iniciativa da Nestlé com a ONG Gerando Falcões, para se tornar, além de protagonista na área econômica e financeira, cada vez mais relevante nas causas sociais.

O cenário atual é desafiador em todos os aspectos.

Do drama da guerra com seus impactos espalhando pelo mundo à frustrante e preocupante polarização política local, somados aos 12 milhões de desempregados e mais a queda de renda real de 9,7% no último ano, temos à frente razões para o varejo se preocupar, e mobilizar, para fazer parte da solução e não do problema.

Conhecer, entender, dialogar e poder acessar o omniconsumidor-cidadão em tempo real, no mundo físico e no digital, trazem para o varejo essa responsabilidade que não pode e não deve ser ignorada.

Essa a mensagem inicial do Fórum Lide do Varejo deste ano. Que seja, também, a mensagem final que fique para reflexão. E ação imediata.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
Imagem: Shutterstock

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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