Associativismo empresarial no Brasil, a força que multiplica resultados

O ser humano é sociável por natureza e atua em grupo desde os primórdios das civilizações. No início os objetivos eram melhorar a segurança, a obtenção de alimentos, moradias, melhoria das condições de vida e facilitar a distribuição de atividades entre os membros do grupo.

Nos tempos modernos, uma das propostas do associativismo é integrar ideias e habilidades para alcançar mais rápido os resultados. Estes resultados são ainda mais importantes em momentos de crise e incertezas, quando as organizações precisam superar contextos desafiadores.

O associativismo empresarial

O associativismo é uma metodologia aplicável em empresas de qualquer segmento econômico, desde que utilizem a mesma matéria-prima, comercializem os mesmos produtos ou prestem o mesmo tipo de serviço. Para tal, é necessário um grupo mínimo de empresas que, após estudos de viabilidade econômica, possam suportar os custos de implantação e de manutenção de uma central de negócios, marketing e serviços, apresentando-se, assim, como uma solução inovadora para resolver os problemas das empresas.

O associativismo pode funcionar como uma ferramenta estratégica para o crescimento empresarial.

Os principais motivos que levam as empresas a associarem-se são:

  • Partilha de ideias e experiências para resolver problemas, com o objetivo de melhorias na gestão, expansão e desenvolvimento do negócio;
  • Partilha de custos para obtenção de maiores lucros;
  • Procura de independência e convergência de interesses;
  • Elaboração de pesquisas de mercado e campanhas promocionais com vista a aumentar a sua competitividade.

Sob a perspectiva econômica, observa-se que a união de empresas permite economias de escala, maior poder de negociação e redução de riscos. É por esta razão que os agentes econômicos procuram a cooperação para maximizarem a sua satisfação individual. É possível perceber a diversidade de benefícios que decorrem do associativismo entre as empresas, sobretudo para as empresas de médio e pequeno portes.

De maneira geral, empresas sozinhas não conseguem enfrentar a concorrência das grandes corporações. Por isso, o associativismo surge para fortalecer os pequenos e médios negócios, tornando-os competitivos, a fim de elevar o padrão de qualidade de seus produtos e serviços, minimizando custos e possibilitando seu acesso a novos mercados consumidores.

O dito popular “a união faz a força” se encaixa perfeitamente na definição do que é associativismo – colaboração entre empresas com interesses em comum, a fim de obter vantagens econômicas e de gerenciamento, por meio de auxílio mútuo. Juntos, os associados trabalham para reduzir os custos operacionais, obter melhores condições de prazo e preço, estratégias de vendas e estimular o desenvolvimento técnico e profissional dos colaboradores e empresários.

O associativismo no Brasil

Um tema histórico. O associativismo no Brasil tem origem na chegada da família real portuguesa, em 1808. Em 1809 foi criada a Associação Comercial do Rio de Janeiro; em 15 de julho de 1811, a Associação Comercial da Bahia. Elas foram as primeiras associações comerciais do Brasil. O movimento associativista, iniciado com a fundação da Associação Comercial de Salvador, espalhou-se pelo país. Em 1884, em São Paulo, é fundada a Associação Comercial e Agrícola, que dá origem a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Atualmente, o fenômeno do associativismo no Brasil só tende a crescer a cada dia, e isso graças às inúmeras iniciativas de pequenos empreendedores. Conforme relatórios do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), pequenas empresas produzem cerca de 25% da riqueza e empregam 50% de todos os trabalhadores brasileiros.

A partir disso, compreendemos que o Brasil reúne todas as características necessárias para se tornar um gigante do associativismo, servindo de exemplo para todo o mundo.

Em tempos de transformação digital acelerada, o associativismo pode ser um atalho importante para empresas evoluírem muito mais rapidamente na implementação das mudanças culturais, operacionais e sistêmicas. Este tipo de desafio tem um grau de complexidade elevado e se encaixa perfeitamente nos objetivos do associativismo: em grupo é mais fácil inovar, melhorar a gestão e tornar o ambiente de negócios mais favorável.

Vejamos exemplos como o da Rede Brasil de Supermercados, 4ª maior força supermercadista do Brasil, com 16 redes regionais participantes e que está avançando rapidamente para transformação digital graças ao foco coletivo dos associados e do compartilhamento de boas práticas aplicadas à transformação digital.

O associativismo no Brasil tem crescido exponencialmente durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus, e a previsão é que os números continuem a crescer, mesmo após o fim da crise. O aumento significativo se deve a diversos fatores, que vão desde a readequação do potencial de compra da população até o surgimento de novas tecnologias. O bom custo-benefício também possui grande influência sobre o crescimento deste fenômeno entre os brasileiros.

Do ponto de vista mercadológico, o associativismo representa espaço para diálogos produtivos, circulação de informações confiáveis e de vínculo entre empresários. O que estamos vendo hoje em dia é um aumento da conscientização sobre as vantagens oferecidas por uma associação, e esse é um dos motivos que têm ocasionado um maior número de filiações.

Observando os atuais formatos de relacionamento entre empresas, podemos concluir que os Ecossistemas de Negócios são um tipo de associativismo moderno, com os mesmos objetivos e usufruindo intensamente da tecnologia para ampliar seu alcance.

Concluindo, reconhecemos que o associativismo é fundamental, tanto para novos empreendedores, micros e pequenas empresas, quanto para empresas maiores. O relacionamento com parceiros proporcionará o aceso a recursos necessários para explorar as oportunidades percebidas e acelerar resultados.

Natalino Franciscato é gerente de Projetos da Gouvêa Consulting.
Imagem: Shutterstock

Natalino Franciscato

Natalino Franciscato

Natalino Franciscato é gerente de Projetos da Gouvêa Consulting. É engenheiro pós-graduado em Administração Industrial e consultor sênior com mais de 30 anos de experiência em cargos de liderança. Atuou como executivo em operadores logísticos de grande porte e gestor na indústria eletroeletrônica. Como consultor, desenvolveu projetos de otimização operacional e administrativa para a indústria e varejo, projeto e construção de Centros de Distribuição, revisão da cadeia de abastecimento, redução de custos aplicando metodologia OBZ, estudos de Tempos e Movimentos para aumento de produtividade, terceirização e internalização de atividades.

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