Aposta da Embraer, Eve cai 23% em estreia na Bolsa de NY

O mau começo na Bolsa, na verdade, segue um movimento que se observa já há alguns meses no segmento

Apesar da forte queda na estreia na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), os sócios da Eve – startup dos “carros voadores” da Embraer – apostam no potencial de longo prazo da companhia, que busca solucionar dois problemas atuais: o trânsito caótico das grandes cidades globais e a necessidade de redução das emissões de carbono. “Em dez anos, a Eve pode ter o tamanho da Embraer hoje”, afirmou o presidente da fabricante aeronáutica brasileira, Francisco Gomes Neto, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Ontem, enquanto executivos e investidores participavam de evento de listagem das ações em Wall Street – com direito a um simulador do eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical) -, as ações da startup estreavam com queda. No fim do dia, os papéis caíram 23,5%, cotados a US$ 8,66.

TENDÊNCIA

O mau começo na Bolsa, na verdade, segue um movimento que se observa já há alguns meses no segmento. Todas as empresas que desenvolvem eVTOLs e abriram o capital registram desvalorização de seus papéis no mercado financeiro. Sem contar a Eve, o recuo, em média, é de 57,5%.

De acordo com o presidente da Embraer, a associação com a companhia de propósito específico (Spac, na sigla em inglês) Zanite ajudará a acelerar o negócio da Eve. Foi essa fusão, aprovada na semana passada, que possibilitou a listagem da Eve em Nova York.

No entanto, o mercado também tem mostrado desconfiança em relação às Spacs. De um total de 199 negócios que se fundiram a empresas de propósito específico para chegar à Bolsa americana, apenas 11% acumulam alta desde a estreia, segundo estudo da Renaissance Capital. Na média, a desvalorização é de 43%.

A Eve só deve entrar em serviço em 2026. A princípio, o eVTOL comportará quatro pessoas, além do piloto. No futuro, porém, a Eve mira um carro voador autônomo, segundo o presidente da Embraer. Mas tal passo deve ser dado apenas depois de 2030, de acordo com o executivo.

DESAFIOS

A forte baixa tem por trás também a perspectiva de longo prazo do negócio. Empresas de eVTOL têm o desafio de viabilizar seus produtos e implementá-los no mercado. Precisam desenvolver as tecnologias necessárias e também conseguir a certificação dos órgãos reguladores, além de criar a infraestrutura dos locais onde as aeronaves vão pousar, decolar e ser recarregadas.

Sobre a certificação, Gomes afirmou que a empresa já está trabalhando com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no Brasil, e com as autoridades nos EUA e na Europa.

A companhia já tem em mãos 1,8 mil cartas de intenção que somam US$ 5,4 bilhões em pedidos, feitos por 17 clientes de diversas regiões do mundo – entre eles, estão operadores de aviação e empresas de leasing.

A Eve possui hoje capital de US$ 380 milhões, recursos considerados suficientes para a empresa se manter até a certificação dos “carros voadores”, o que está previsto para ocorrer em 2025. Ou seja, estão descartadas, ao menos por ora, novas rodadas de investimento.

Com informações de Estadão Conteúdo: (Aline Bronzati, correspondente, Luciana Dyniewicz e colaboração Altamiro Silva Júnior)

Imagem: Shutterstock

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