A vida cotidiana ganha centralidade na decisão de consumo
As análises indicam caminhos para empresas que buscam operar de forma consistente no próximo ciclo. A casa passa a concentrar maior peso nas escolhas de compra, reorganizando prioridades e movimentando setores como mobiliário, alimentação, decoração e entretenimento doméstico. Ao mesmo tempo, o turismo segue como alternativa de desconexão em um ambiente mais tenso.
A estimativa é de que 2025 encerre com cerca de 350 milhões de viajantes internacionais, superando os níveis anteriores à pandemia. O Brasil mantém posição de interesse para o público estrangeiro, mesmo com limitações logísticas.
Novos grupos de consumo emergem com força
Mulheres seguem influentes no consumo, mas outros grupos começam a alterar estratégias de marcas e empresas. No setor de beleza e estética, o homem amplia sua participação, impulsionado pelo avanço de procedimentos como implantes capilares e intervenções voltadas à imagem pessoal. O movimento impacta níveis de gasto e estruturas de oferta.
“As mulheres são dominantes de consumo, nós já sabemos disso, mas se olharmos para a beleza, o homem voltou a consumir. E o impacto disso é brutal, de favorecimento de ticket médio a impacto na rentabilidade, no bottom line e na margem de contribuição, isso porque existe uma disponibilidade e uma inclinação de consumo diferenciado”, afirma Carlos Ferreirinha, especialista em gestão do luxo e fundador da MCF.
A revisão do Código Civil que passa a reconhecer os animais como seres sencientes também cria novas frentes para o mercado pet. Companhias aéreas, meios de hospedagem, varejo e serviços especializados passam a lidar com tutores mais dispostos a investir em segurança, bem estar e inclusão dos animais em viagens e atividades diversas.
O envelhecimento da população também altera o mapa do consumo. Pessoas mais velhas permanecem ativas e demandam produtos, serviços e experiências que não se alinham aos estereótipos tradicionais de terceira idade. Esse público exige abordagens específicas em comunicação, atendimento, portfólio e relacionamento.
Personalização extrema e a nova geografia da riqueza
A personalização ganha intensidade em um ambiente marcado pela formação rápida de nova riqueza distribuída de modo menos concentrado. O Brasil registrou em 2022 o maior número de novos milionários do mundo, e Estados como o Ceará exemplificam a mudança regional ao ampliar significativamente o número de bilionários em 2025. O cenário impacta turismo, hospitalidade, mercado imobiliário e serviços de maior valor, que passam a demandar práticas de recompensa, reconhecimento e atendimento direcionado.
Marcas fortes, hospitalidade e experiência no centro da venda
Empresas com capacidade de manter coerência narrativa passam a ocupar posição mais relevante em um ambiente com excesso de estímulos. “Marca é quem dialoga com o coração”, reforça Carlos Ferreirinha.
O varejo físico retoma o papel de espaço de experiência, enquanto hospitalidade e práticas de bem estar se expandem tanto na relação com o consumidor quanto na gestão das equipes.
Singularidade como diretriz para 2026
O estudo aponta a necessidade de reforçar características próprias diante de um mercado em que produtos e serviços se tornam semelhantes. Marcas e empresas precisam comunicar com clareza seus diferenciais, equilibrando tecnologia e relações humanas. Elementos como vulnerabilidade, sensibilidade e abertura ao erro aparecem como componentes estratégicos em um cenário de automação crescente.
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