O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) anunciou que irá abrir na próxima segunda-feira, 6, uma audiência pública sobre políticas e práticas do Brasil, sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. A ferramenta tem sido usada pelo governo americano para investigar e punir práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas ou prejudiciais às empresas americanas. A audiência ocorrerá na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington, a partir das 9h (de Brasília).
Em comunicado, o USTR afirma que a proposta de ação é uma resposta da investigação da Seção 301 a respeito de atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas “injustas e preferenciais”, aplicação de medidas anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal.
No cronograma dos painéis da audiência constam como participantes o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Andressa Silva, da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), e Marcos Matos, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), entre outros.
Escalada de tarifas
A economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, destacou que o maior risco para a relação do País com os Estados Unidos hoje seria uma possível retaliação brasileira às últimas tarifas comerciais impostas pelos americanos.
Para a executiva, o Brasil deve se manter na mesa de negociação com o governo do presidente Donald Trump, mas a última coisa que o País precisa agora seriam novas tarifas de importação, que pressionariam ainda mais a inflação doméstica em um ambiente já bastante deteriorado.
“O maior risco que a gente tem hoje seria uma possível retaliação e escalada dessas tarifas”, disse ela, que participou do Seminário Econômico Brasil-EUA, organizado pelo Lide, em São Paulo. Além de economistas de instituições financeiras e ex-ministros de Estado, o evento contou com a participação do Cônsul-Geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami.
Segundo Cassiana, a tarifa comercial dos EUA ao Brasil, na média ponderada, era de cerca de 11%. Esse número, segundo ela, subiria para 19%, caso o último anúncio do governo americano, de tarifas adicionais de 25% ao Brasil, se concretize.
“O mercado potencial é gigantesco para o Brasil aumentar as suas exportações para os EUA. A grande verdade é que hoje essas exportações são pequenas, e acabam não tendo um impacto muito relevante. Se a tarifa for de 10%, 25% ou 50%, vai ter impacto em cadeias específicas, e aqui não se trata de negligenciar o custo que isso pode ter para alguns setores. Mas o maior risco que vemos hoje é o da escalada e retaliações nessas tarifas”, reforçou a economista.
Para ela, o cenário entre Brasil e EUA hoje é de assimetria entre os dois principais canais econômicos, já que há, por um lado, pressão das tarifas comerciais, mas, pelo outro, forte fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (o IDP) dos EUA no Brasil.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Darlan de Azevedo).
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