País que concentra o maior tráfego em sites de apostas no mundo, o Brasil movimenta entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões por mês nessas plataformas via Pix, segundo um estudo da Abaas (Associação Brasileira dos Atacadistas e Autosserviço) e apresentado ao vice-presidente, Geraldo Alckmin. Para se ter uma ideia da dimensão, são 2,7 bilhões de acessos mensais, superando o tráfego somado de YouTube, WhatsApp e TikTok no País.
Segundo o levantamento, o mercado irregular de apostas já representa mais de 50% do setor, e o fluxo anual destinado às bets pode chegar a R$ 252 bilhões, considerando as operações legais e ilegais.
Enquanto isso, o endividamento das famílias atingiu 80,2% dos consumidores, com 29,3% das famílias com contas em atraso e 81,3 milhões de adultos negativados, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor). O endividamento tem sido acompanhado por queda no consumo, especialmente entre as faixas de menor renda. No quarto trimestre de 2025, o consumo desse grupo recuou 9,6%, mesmo com a redução nos preços de itens básicos como arroz (-37,1%) e leite (-16,1%).
Como exemplo, o estudo traz dados internos do Assaí Atacadista mostrando que, em abril de 2026, 1 em cada 4 colaboradores da empresa ficou com o salário zerado devido ao desconto de empréstimos consignados em folha. No total, foram mais de 90 mil contratos, com média de 2,66 por pessoa.
Caminho adotado no combate ao cigarro
Entre as propostas apresentadas estão medidas como avisos obrigatórios de risco dentro das plataformas, restrições progressivas à publicidade, aumento gradual da tributação, campanhas nacionais de conscientização e a ampliação do tratamento da ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS).
No curto prazo, a proposta visa o bloqueio de Pix de programas sociais para bets, a responsabilização de big techs por anúncios ilegais e o banimento de patrocínios para cassinos online, como o Tigrinho.
Imagem: Envato
