Ao se transformarem em espaços de convivência, lazer e serviços, os shopping centers estão atraindo o consumidor por mais tempo. Embora o fluxo de visitantes tenha caído de 476 milhões para 471 milhões entre 2024 e 2025, o tempo de permanência média subiu para 80 minutos, segundo o estudo Perfil do setor 2025, realizado pela Abrasce com 658 centros comerciais no Brasil, que somam um faturamento de R$ 200,9 bilhões.
“O aumento do tempo de permanência está diretamente ligado à transformação do shopping center em uma plataforma multifuncional, e não apenas um local de compras. Isso faz com que o consumidor permaneça mais tempo no empreendimento”, afirma Francisco Ritondaro, especialista em shoppings, outlets e varejo.
Essa mudança, alerta, exige um mix menos dependente do varejo tradicional e mais orientado a serviços recorrentes e experiências. Operações como restaurantes, cafés, academias, clínicas médicas, serviços financeiros, estética e conveniência básica ganham relevância e o shopping passa a ser planejado como um ecossistema de soluções para o dia a dia, e não apenas como um espaço de compra por impulso.
“Com o consumidor que valoriza conveniência, qualidade e experiência. Isso muda a estratégia de atração: menos foco em volume de fluxo indiscriminado e mais em qualificação da visita, comunicação segmentada, uso de dados e ações que aumentem conversão, e não apenas tráfego”, explica.
Segundo o estudo, a visita também passou a ser mais planejada, objetiva e seletiva. Antes de sair de casa, o consumidor pesquisa preços, define prioridades e escolhe com mais critério onde gastar.
“O consumidor atual vai ao shopping de forma mais planejada, objetiva e seletiva. Ele pesquisa antes, escolhe melhor onde gastar e valoriza conveniência, qualidade e experiência. Isso muda a estratégia de atração: menos foco em volume de fluxo indiscriminado e mais em qualificação da visita, comunicação segmentada, uso de dados e ações que aumentem conversão, e não apenas tráfego”, diz.
Ritondaro destaca que para os lojistas se adaptarem a esse novo perfil de consumidor é preciso organizar melhor os pontos de venda, oferecer sortimento claro, preparar equipes e integrar canais físicos e digitais.
Perfil dos empreendimentos
Hoje, 35% dos shoppings estão integrados a complexos que unem moradia, trabalho e lazer. Formatos lifestyle e open malls ganham força, com foco em áreas verdes, ventilação natural e ambientes agradáveis. Outra tendência apontada no estudo é a interiorização, com 43% dos shoppings localizados em municípios com menos de 500 mil habitantes
“A integração com moradia e trabalho transforma o shopping em uma extensão natural da rotina diária das pessoas. O fluxo deixa de ser apenas eventual e passa a ser recorrente, com visitas mais frequentes e mais longas. O shopping se torna um ponto de encontro, consumo, serviços e convivência, reduzindo a necessidade de deslocamentos”, diz Ritondaro.
Imagem: Envato
