Singapura se consolidou como um verdadeiro laboratório vivo de inovação, onde Inteligência Artificial, dados e tecnologia estão redesenhando o futuro do varejo, da cadeia de suprimentos e das experiências de consumo, como se viu nas palestras da NRF 2026: Retail’s Big Show Asia Pacific e compartilhei em artigo anterior. Mas, se os palcos mostraram para onde o setor está caminhando, foi na área de exposição da feira apresentou soluções ao vivo e à cores.
Assim como em Nova York, a feira contou com uma área reservada para a inovação, o NRF Apac Innovators Showcase. O espaço destacou 23 empresas que estão aplicando Inteligência Artificial agentiva, generativa e automação para resolver problemas críticos do setor. O foco não foi apenas em criar novas ferramentas, mas em transformar operações, reduzir custos e oferecer experiências de consumo mais inteligentes e inclusivas.
Foram apresentadas soluções que refletem os principais problemas enfrentados pelo varejo contemporâneo. Os sistemas voltados para dados e conteúdo de produto buscam superar a dificuldade histórica de informações incompletas ou inconsistentes, automatizando descrições e atributos para acelerar lançamentos e aumentar a confiabilidade das plataformas digitais. Já as ferramentas de analytics e pesquisa de mercado respondem à necessidade de decisões mais rápidas e fundamentadas, oferecendo inteligência em tempo real sobre preços, promoções e tendências emergentes.
No campo da experiência do consumidor, as tecnologias reduzem fricções e ampliam a personalização, com recursos de realidade aumentada, avatares digitais e ambientes imersivos que fortalecem a conexão entre marcas e clientes. As soluções de supply chain e planejamento atacam diretamente problemas de rupturas e ineficiência logística, integrando dados externos e internos para otimizar estoques e operações.
Em marketing e retail media, o desafio da mensuração de campanhas e da integração entre engajamento online e vendas offline é enfrentado por plataformas que conectam dados e ampliam a monetização de audiências. No âmbito da segurança e pagamentos, as inovações reforçam a confiança do consumidor por meio de autenticação biométrica e antifraude.
Por fim, na criação de produtos e fornecimento, a aplicação de IA permite reduzir custos de desenvolvimento e incorporar feedback do consumidor em tempo real, tornando o processo mais ágil e alinhado às expectativas do mercado. Esse conjunto de soluções evidencia que o varejo está em transição para um modelo inteligente, inclusivo e orientado por dados, em que cada inovação responde a uma dor específica e contribui para a construção de ecossistemas mais eficientes e centrados no consumidor.
A Expo NRF Apac 2026 evidenciou de forma contundente a maturidade das soluções digitais já em curso no varejo global, apresentando dois pavimentos repletos de tecnologias que transcendem o caráter experimental e se consolidam como práticas implementadas em diferentes segmentos e portes de empresas. As inovações demonstradas foram concebidas para atacar problemas estruturais do setor por meio de recursos emergentes e integrados. No campo de dados e conteúdo de produto, destacaram-se sistemas capazes de automatizar a criação de descrições e atributos, eliminando inconsistências e acelerando o ciclo de lançamento de novos itens.
As ferramentas de analytics e pesquisa de mercado mostraram-se essenciais para prover inteligência em tempo real sobre preços, promoções e tendências, permitindo decisões mais ágeis e fundamentadas. A experiência do consumidor foi enriquecida por soluções de realidade aumentada, avatares digitais e ambientes imersivos, que reduzem fricções e ampliam a personalização da jornada de compra.
Em supply chain e planejamento, tecnologias como RFID, digital twins e IoT foram aplicadas para enfrentar rupturas de estoque e ineficiências logísticas, garantindo maior visibilidade e controle da cadeia. No âmbito de marketing e retail media, novas plataformas conectaram engajamento digital a vendas físicas, com mensuração precisa do retorno sobre investimento. A área de segurança e pagamentos foi fortalecida por sistemas de autenticação biométrica e antifraude, reforçando a confiança do consumidor nas transações digitais e presenciais. Por fim, na criação de produtos e fornecimento, a inteligência artificial demonstrou sua capacidade de acelerar o desenvolvimento e incorporar feedback em tempo real, tornando os processos mais ágeis e alinhados às expectativas do mercado.
Em síntese, as tendências apresentadas — com destaque para IA agentiva, digital twins, automação logística, RFID, IoT, etiquetas eletrônicas de gôndola (ESL), robótica, retail media avançado e soluções de segurança digital — confirmam que o varejo encontra-se em plena transição para um modelo inteligente, inclusivo e orientado por dados, no qual a inovação se estabelece como um processo contínuo e cíclico, sustentando a competitividade e a relevância das organizações em um mercado global dinâmico.
Inovação para melhorar a vida
Na NRF Apac ficou evidente que as discussões não eram apenas sobre como vender mais ou otimizar processos, mas sobre como usar inovação para melhorar a vida das pessoas, por meio de experiências de consumo mais humanas ou de políticas públicas mais eficientes.
Durante a estadia em Singapura, tive a oportunidade de visitar a URA – Urban Redevelopment Authority (URA) de Singapura, que é a agência nacional responsável pelo planejamento urbano e pelo desenvolvimento estratégico da cidade-estado. Sua missão central é organizar o uso do solo de forma sustentável, equilibrando crescimento econômico, preservação ambiental e qualidade de vida da população.
A URA atua na definição de zonas residenciais, comerciais e industriais, na revitalização de áreas urbanas e na criação de espaços públicos que favoreçam a convivência e a mobilidade. Além disso, desempenha papel fundamental na integração entre infraestrutura, transporte e desenvolvimento econômico, influenciando diretamente setores como o varejo, que dependem de acessibilidade, fluxo de pessoas e eficiência logística, consolidando Singapura como referência global em planejamento urbano inteligente, alinhando políticas públicas às demandas de uma cidade moderna e altamente conectada.
Em 3 de junho de 2026, foi lançada uma exposição no átrio do URA Centre Singapura, para apresentar o projeto AI for City. Trata-se de uma iniciativa oficial que aplica Inteligência Artificial ao planejamento urbano, com foco em segurança, eficiência e sustentabilidade. O objetivo da iniciativa é demonstrar como algoritmos de IA podem transformar a gestão da cidade e apoiar o planejamento, a construção e gestão do território de Singapura, tornando a cidade mais segura, eficiente e inclusiva, por meio da análise massiva de dados coletados em tempo real, provenientes de sensores urbanos, sistemas de transporte, RFID e dispositivos IoT.
Dentre os objetivos oficiais, destacam-se:
- Planejamento urbano orientado por IA: utilizar algoritmos para analisar grandes volumes de dados urbanos e apoiar decisões sobre uso do solo, mobilidade e infraestrutura;
- Segurança e bem-estar: projetos como o BE-FIT, conduzido pelo Singapore-ETH Centre, aplicam sensores e robôs para identificar riscos de queda em idosos, permitindo ajustes no design dos bairros;
- Gestão de infraestrutura: desenvolvimento de sistemas de IA para detectar defeitos em fachadas de edifícios, reduzindo tempo e custos de inspeção;
- Acessibilidade da informação: lançamento de um chatbot no terceiro trimestre de 2026 para responder dúvidas sobre diretrizes de planejamento urbano, tornando o acesso às normas mais inclusivo;
- Eficiência logística e varejo: integração de dados de RFID e IoT para rastrear produtos em tempo real, prever demanda e otimizar a última milha de entregas;
- Sustentabilidade: alinhamento das operações urbanas às metas ambientais da Smart Nation, com foco em redução de desperdícios e uso racional de recursos.
Estão desenvolvendo uma Plataforma AI-UPP (Urban Planning Platform) que aplica machine learning para simular cenários futuros de crescimento urbano, prever congestionamentos e otimizar localização de empreendimentos, com impacto em várias áreas, incluindo o varejo e a cadeia de suprimentos, que poderão contar com maior previsibilidade de demanda e integração entre operações físicas e digitais, proporcionando à cadeia de suprimentos visibilidade em tempo real e maior eficiência logística e trazendo para a cidade ambientes ainda mais seguros, inclusivos e sustentáveis, consolidando Singapura como referência global em cidades inteligentes orientadas por dados, evidenciando como a convergência entre urbanismo e tecnologia pode impactar diretamente o varejo, a logística e a qualidade de vida da população.
Por fim, o que mais me impressionou em Singapura foi ver ao vivo e a cores como a tecnologia não é vista apenas como ferramenta de produtividade, mas como instrumento de inclusão social e qualidade de vida. Tudo de forma minuciosamente planejada e orquestrada. Começou em 2014, com a iniciativa “Smart Nation”, que tem uma visão inspiradora (“construir vidas melhores, mais significativas e plenas para as pessoas, com o auxílio da tecnologia”) e foi atualizada em 2024. Trata-se de um esforço nacional para construir um futuro digital próspero para todos. De lá para cá, Singapura fez progressos significativos, tornando as tecnologias digitais parte integrante das vidas dos singapurianos, influenciando a forma como vivem, trabalham, compram e se divertem; entendendo que a tecnologia e a inovação representam uma enorme promessa para ajudar Singapura a desbravar novos caminhos.
Estar em Singapura em 2026 foi como observar o futuro acontecendo diante dos meus olhos. Vi um país que entendeu que tecnologia só faz sentido quando serve às pessoas. E essa é uma lição que levo para a vida: inovação não é apenas criar algo novo, mas criar algo que transforme positivamente a sociedade, afinal, como sempre digo, a tecnologia é meio e não fim. Precisa ser transparente, encantar, divertir — e, se não for divertido o que você anda fazendo, pule fora! A vida é curta demais para não fazermos o que amamos. Eu amo aprender e compartilhar tudo o que aprendi. Espero ter contribuído com o seu conhecimento sobre um país que tem muito a nos ensinar.
Até a próxima!
Regiane Relva Romano é diretora da VIP-Systems.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
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