De olho em um mercado no qual proteína virou palavra-chave, Bernardo Bloisi, Pedro Souza, Felipe Figueiredo e João Victor Munhoz decidiram produzir a primeira água com proteína não saborizada no Brasil. A Mineral Pro foi lançada no fim de janeiro deste ano e chegou à Naturaltech 2026 com um estande de grande porte, em meio a uma feira na qual proteínas, suplementos e bebidas funcionais ganharam protagonismo.
Segundo Bloisi, a água proteica já é uma tendência em outros mercados, mas a maior parte das opções disponíveis globalmente é saborizada. “A gente viu que fazia sentido criar algo que trouxesse o benefício da proteína, mas sem sabor, açúcar, corante ou gordura”, afirmou à Mercado&Consumo.
Foi justamente essa lacuna que motivou a criação do produto. A Mineral Pro tem 250 ml, 10 gramas de proteína e 35 calorias. Segundo Bloisi, a formulação foi pensada para entregar proteína de forma leve, prática e neutra, sem se aproximar da experiência de consumo dos shakes tradicionais ou das bebidas proteicas com sabores doces.
Antes de chegar ao mercado, a empresa passou por um ano de testes, incluindo avaliação de sabor, quantidade ideal de proteína, shelf life e aprovações regulatórias. A proteína utilizada segue o conceito de clear whey, uma formulação mais leve e solúvel, adequada para bebidas transparentes e com menor percepção de gosto quando refrigeradas.
Segundo Bloisi, a escolha por 10 gramas de proteína foi resultado desse equilíbrio entre funcionalidade e experiência de consumo. “Se colocar muito, fica com gosto. Se colocar pouco, perde o sentido. Chegamos em 10 gramas porque, gelado, o produto fica praticamente sem gosto”, afirma.
A produção é feita por uma indústria ligada ao grupo, localizada em Mirandópolis, no interior de São Paulo. A empresa já tinha relação com o setor de águas por meio da Aquatis, outro negócio dos sócios, voltado à personalização e distribuição gratuita de água para empresas. A partir dessa atuação, os empreendedores se aproximaram da indústria e começaram a estudar a criação de um produto wellness.
A formulação da Mineral Pro envolveu engenheiros químicos, químicos, engenheiros de alimentos e parceiros industriais especializados em desenvolvimento de produtos. A matéria-prima foi encontrada fora do Brasil, na Dinamarca. “É um produto industrial, que precisou ser formulado, testado e aprovado”, disse Bloisi.
A tese da empresa também dialoga com uma mudança mais ampla no consumo. A busca por conveniência, saudabilidade e praticidade tem impulsionado categorias que unem hidratação e nutrição. No caso da proteína, a expansão vai além do público de academia e passa a alcançar consumidores interessados em rotina alimentar, longevidade, saciedade, performance e bem-estar.
Posicionamento premium hoje
Apesar disso, Bloisi reconhece que o produto ainda tem um posicionamento premium. Na Naturaltech, a unidade foi vendida a R$ 9,90. No site da marca, o preço é de R$ 12,90. No varejo, a previsão é que fique entre R$ 13 e R$ 15. “Hoje, a gente acaba atingindo mais a classe A. Mas, com escala industrial, queremos disputar mais mercado”, afirma.
A comparação, segundo ele, não deve ser feita apenas com a água mineral tradicional, mas com shakes e bebidas proteicas prontas. Nesse recorte, a diferença de preço é menor. A ambição da empresa é ganhar escala para reduzir custos e ampliar a base de consumidores.
Por enquanto, a Mineral Pro tem apenas um produto no portfólio. Mas novos lançamentos já estão no radar. A ideia, segundo Bloisi, é desenvolver soluções que se encaixem no dia a dia do consumidor com a mesma leveza e praticidade de uma água.
A distribuição combina venda online e atuação por meio de distribuidores. Segundo o cofundador, a marca já está presente em cerca de seis estados, com foco inicial em São Paulo, mas com plano de expansão para o restante do país.
A empresa foi criada com recursos próprios e, neste momento, não busca investidores. “Estamos felizes sozinhos”, diz Bloisi. Para 2026, o plano é ampliar capilaridade e levar o produto para mais regiões do Brasil. A meta é sair de uma operação concentrada em São Paulo e construir presença nacional em um mercado que começa a se abrir para novos formatos de bebidas funcionais.
Imagem: Bruna Lencioni
