Endividamento bate recorde em 2025, mas recua no fim do ano

Cartão de crédito responde por 85,1% das dívidas das famílias, alta de 1,3 ponto percentual

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O nível de endividamento em dezembro de 2025 atingiu 78,9%, o maior já registrado para o mês em toda a série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O resultado representa um aumento de 2,3 pontos percentuais em relação a dezembro de 2024. A inadimplência também apresentou alta na comparação anual, alcançando 29,4% dos entrevistados, 0,1 ponto percentual acima do índice registrado no mesmo mês do ano anterior.

Na comparação mensal, no entanto, houve melhora dos índices. Após atingir a máxima de 79,5% em outubro, o percentual de famílias endividadas recuou para 78,9% em dezembro, a menor taxa registrada desde julho. O movimento de recuo também foi observado no volume de contas em atraso, que atingiu 29,4% no último mês do ano, o menor patamar desde abril (29,1%), distanciando-se do pico de 30,5%, registrado também em outubro.

Apesar da melhora no último trimestre, o saldo anual revela um cenário de maior pressão financeira em comparação ao ano anterior.

“A curva de endividamento acompanhando a alta da taxa Selic é mais um indício de que precisamos diminuir os juros de maneira responsável. A economia brasileira mostra sinais de consistência, fechando 2025 com inflação, câmbio e emprego melhores do que o esperado; porém, a continuação desses resultados depende diretamente de um ambiente mais favorável à livre-iniciativa, considerando a instabilidade global pela qual passamos”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac

A redução dos indicadores no fim do ano é atribuída a um maior planejamento dos consumidores e ao efeito sazonal das festas de fim de ano, que impulsionam o comércio e o crédito. Segundo a pesquisa, o mercado de crédito tornou-se mais seletivo ao longo de 2025, por causa da alta da Selic e do avanço da inadimplência no segundo semestre, o que resultou em dívidas com prazos mais curtos. Em dezembro, o prazo médio de pagamento foi de 7,1 meses, ante 7,4 meses no mesmo período de 2024.

Destaques por renda

A análise mostra que a redução mensal do endividamento ocorreu em todas as faixas de renda, com destaque para as famílias que ganham acima de 10 salários-mínimos. Já no quesito inadimplência, as famílias com renda entre três e cinco salários-mínimos registraram a queda mais expressiva, tanto na comparação mensal, de 28,4% para 26,8%, quanto na comparação anual, de 28,1% para 26,8%.

O cartão de crédito consolidou-se como a principal modalidade de dívida, alcançando 85,1% do total de famílias endividadas, um aumento de 1,3 ponto percentual frente a 2024.

Este dado gera cautela, visto que o cartão possui uma das maiores taxas de juros do mercado, em torno de 90,1% ao ano. Por outro lado, o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas caiu para 12,6%, encerrando o ano abaixo do patamar de 2024.

A parcela média da renda comprometida com dívidas permaneceu estável em 29,5% em dezembro, nível inferior aos 29,8% de dezembro de 2024.

Perspectivas

Tanto o endividamento quanto a inadimplência devem manter a tendência de recuo durante o primeiro trimestre de 2026. Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a capacidade do brasileiro de quitar dívidas e fugir dos juros para manter seus consumos está vinculada a uma redução gradual da Selic por parte do Banco Central.

“Esperamos que, ainda no primeiro semestre, o BC entenda a necessidade de trabalhar com uma taxa Selic mais razoável do que a que vemos desde a metade de 2025.O último trimestre foi de bons resultados, muito por conta do 13º salário e das datas festivas, mas há um risco iminente no ciclo de endividamento, principalmente por cartão de crédito, uma bola de neve das dívidas”, pondera Bentes.

Imagem: Envato 

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