O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta terça-feira, 14, que o Brasil foi o País que registrou menor impacto diante da “guerra irresponsável” dos Estados Unidos com o Irã. Ele também reforçou que há discussão diária no governo sobre medidas para atenuar os efeitos negativos do conflito no setor de combustíveis, tendo em vista a oscilação na cotação do petróleo.
Silveira evitou comentar sobre a possibilidade de novas subvenções ou a retirada de benefícios previamente anunciados para conter os efeitos na gasolina e no diesel. “Depende dessas oscilações que são diárias. Tínhamos nos alegrado muito com o anúncio do fim da guerra, mas, infelizmente, nós voltamos às loucuras, aos enfrentamentos, que nada contribuem com o mundo que nós todos queremos criar, que é um mundo em paz”, declarou.
Etanol na gasolina
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira, 14, resolução que eleva temporariamente, de 30% para 32%, o porcentual obrigatório da mistura de etanol anidro adicionado à gasolina comercializada em todo o território nacional. A medida havia sido anunciada em abril, mas ainda dependia do aval do colegiado formado por representantes de 17 ministérios.
A Lei do Combustível do Futuro determina que o aumento do porcentual obrigatório do etanol na gasolina deve ser aprovado somente após verificação da viabilidade técnica da mistura para os veículos automotivos.
O MME já conduziu um programa de testes e os ensaios em veículos demonstraram que não há impactos relevantes no desempenho, na dirigibilidade, nas emissões ou no consumo de combustível, com “plena capacidade” de adaptação dos sistemas veiculares ao teor de etanol em até 32%.
Ou seja, do ponto de vista técnico, a decisão já poderia ter sido adotada desde o ano passado. Porém, o que impediu a elevação para 32% na mistura foi a preocupação com eventual impacto na inflação. O jogo virou com a crise no Oriente Médio. A guerra no Irã tem provocado elevada volatilidade nos preços do petróleo e riscos à segurança do abastecimento global de combustíveis.
Em nota técnica, foi considerando o diferencial de custos entre etanol e gasolina. Isto é, o biocombustível ficou com preço mais competitivo e, nesse caso, a medida tende a reduzir o custo médio da gasolina ao consumidor, com potencial efeito desinflacionário.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Renan Monteiro).
Imagem: Agência Brasil
