Exclusivo: Mundo Verde adota novo formato e inclui “Mini Mundo Verde” nas lojas com mais produtos infantis

Projeto apresentado aos franqueados no ano passado é implantado em 2026. Marcas próprias crescem na rede, que tem como missão este ano aumentar eficiência

O Mundo Verde começou a implantar neste ano um novo projeto de loja que amplia a experiência no ponto de venda e dá mais protagonismo ao público infantil. O movimento inclui o Mini Mundo Verde, espaço dedicado a reunir e ampliar a oferta de produtos para crianças, incluindo itens de parceiros e de marca própria, com foco em opções práticas para o dia a dia, lancheiras e diferentes restrições alimentares.

A rede já vendia produtos voltados ao público infantil, mas passou a organizar e expandir esse sortimento dentro do novo formato de loja, apresentado aos franqueados na convenção realizada em setembro do ano passado e implantado neste ano nas unidades, disse à Mercado&Consumo Ana Paula Seixas, CEO do Mundo Verde. A proposta combina nova ambientação, áreas de degustação, atendimento especializado e reforço da curadoria de produtos.

Segundo a executiva, assim como os demais itens vendidos pela rede, os produtos infantis passam por curadoria para garantir qualidade e homologação. A seleção prioriza opções clean label, produtos práticos para lancheiras e alternativas para crianças com diferentes restrições alimentares, como celíacos e diabéticos.

O Mini Mundo Verde já está presente em cerca de 50% das lojas. A área reúne aproximadamente 200 SKUs. A executiva afirma que o espaço responde a uma demanda crescente de famílias que buscam produtos saudáveis e alternativas para crianças com restrições alimentares.

A diferença, agora, é que esse portfólio passa a ganhar mais visibilidade dentro da loja e uma apresentação mais organizada para o consumidor. “A criança que hoje é celíaca ou diabética consegue se sentir incluída. Ela tem onde comprar, tem produtos para ela e passa a fazer parte da experiência da loja”, disse Ana.

Com 39 anos de mercado, o Mundo Verde opera como franquia e tem mais de 200 unidades no País, além de oito lojas próprias. Ana está há quatro anos na companhia e há dois anos no comando da operação. A experiência à frente das unidades próprias, segundo ela, ajuda a testar iniciativas e avaliar a viabilidade das decisões antes de levá-las para a rede franqueada.

“Eu brinco que troco muito de chapéu dentro das reuniões. Como CEO, talvez um projeto passasse. Como franqueada, às vezes não passa, porque na ponta isso vai doer ou não vai funcionar”, afirma.

O novo projeto de loja reforça uma mudança estratégica da rede: crescer não apenas por abertura de unidades, mas também pela melhora de eficiência, rentabilidade e faturamento das lojas existentes. Em 2026, a prioridade será “crescer dentro de casa”, como disse a CEO.

“Queremos crescer o faturamento, fortalecer o mercado em que cada franqueado atua e crescer dentro de casa”, disse. “Óbvio que queremos expansão, estamos abertos a expansão, mas o foco de 2026 é fortalecer a nossa marca e as lojas atuais.”

A rede prevê abrir 25 unidades neste ano, ante 32 inaugurações no ano anterior. O investimento inicial parte de R$ 250 mil, para uma loja de 40 metros quadrados. A expansão, portanto, continua no radar, mas com ritmo mais seletivo em um ambiente econômico mais desafiador.

Segundo Ana, o mercado avançou entre 10% e 15% em 2024 e 2025. Para 2026, a projeção da rede é crescer entre 15% e 18%. O cenário, no entanto, exige mais atenção ao comportamento de compra do consumidor.

“A pessoa está escolhendo mais o que compra. Ela não deixou de comprar, mas o tíquete médio mudou”, disse. “Às vezes o tíquete cai, mas a base de clientes aumenta. Uma coisa compensa a outra.”

Dentro dessa estratégia, a marca própria ganha peso. O Mundo Verde lançou sua linha própria há 12 anos, fez um rebranding em 2022 e hoje conta com cerca de 150 SKUs, incluindo creatina, suplementação e snacks. Para 2026, a previsão é lançar pelo menos mais 12 SKUs.

Na Naturaltech 2026, a rede apresentou três novos snacks salgados proteicos de marca própria, com 13 gramas de proteína por porção. A aposta mira consumidores que buscam praticidade, mas não querem produtos doces, comuns em barras, shakes e suplementos tradicionais.

“A proteína sempre foi muito doce. Lançamos três snacks salgados para atender quem quer algo prático, mas não quer mais uma barra ou um shake doce”.

A marca própria também é relevante para a rentabilidade da rede franqueada. Segundo a CEO, os produtos combinam qualidade, preço competitivo e margem atrativa para o franqueado. A executiva cita a creatina como exemplo de item em que o Mundo Verde consegue oferecer preço competitivo e garantir procedência por meio de recursos como o QR Code, que dá acesso a estudos.

O Mundo Verde trabalha, em média, com 2 mil SKUs por loja, mas algumas unidades chegam a 5 mil. Do total do portfólio, 90% é clean label, segundo Ana. “Clean label são produtos com menos componentes e formulações cada vez mais limpas. A gente tem uma área de curadoria. Só entra no Mundo Verde o que realmente faz sentido para a proposta saudável”, afirma.

Para a executiva, esse papel de seleção e orientação ganha importância à medida que produtos ligados à saudabilidade ocupam supermercados, farmácias, marketplaces e lojas de conveniência. A concorrência se ampliou, mas Ana vê espaço para o canal especializado, especialmente em categorias que exigem informação, como whey, creatina, proteínas, fibras e suplementos.

“Hoje o cliente não vai simplesmente entrar e pegar um whey. Existem vários tipos de whey, diferentes tipos de creatina e centenas de marcas. A gente consegue mostrar as diferenças, tirar dúvidas e levar informação”, disse.

As lojas contam com nutricionistas, pontos de degustação e atendimento voltado à explicação dos produtos. Segundo Ana, o consumidor chega cada vez mais impactado por médicos, nutricionistas, personal trainers e influenciadores digitais, o que aumenta a necessidade de orientação qualificada no ponto de venda. “Nosso papel é ser um ponto de informação para o cliente e para quem influencia esse cliente”.

Modelos mais sofisticados e retrofit no Itaim em julho

A rede também avança em modelos de loja mais sofisticados. A unidade da Oscar Freire, em São Paulo, já opera como flagship. A loja do Itaim Bibi passará por retrofit para assumir esse conceito, com previsão para julho. Segundo Ana, as flagships funcionam como lojas mais boutiques, ajustadas ao perfil de consumo da região.

O retrofit do Itaim Bibi faz parte desse movimento de atualização da experiência de loja. A proposta é tornar a unidade mais aderente ao novo formato, com maior valorização de ambientação, degustação, sortimento e jornada de compra.

Ainda assim, a CEO afirma que a força do Mundo Verde está na capacidade de atender diferentes perfis de público e mercados. A rede opera em regiões premium, como Shopping Iguatemi e Shopping Morumbi, mas também em pontos populares, como o Calçadão de Bangu, no Rio de Janeiro.

“Tenho loja no Shopping Morumbi, no Shopping Iguatemi e no Calçadão de Bangu. Elas performam”, afirma. “O produto pode mudar em quantidade, mas a marca fala com todos os públicos.”

A operação também combina loja física e canais digitais. O cliente pode comprar nas unidades, pelo iFood ou pelo e-commerce da marca, com possibilidade de retirada ou entrega em até três horas em determinadas localidades. Cada franqueado trabalha com seu próprio mix online, respeitando diferenças regionais de consumo.

“Não existe mais o digital separado do físico. A loja precisa estar onde o cliente espera que ela esteja”, afirma Ana.

Novas frentes de consumo: o GLP-1 como novo negócio

Além do Mini Mundo Verde e da marca própria, a rede observa novas frentes de consumo ligadas à longevidade, performance, emagrecimento e saúde intestinal. Uma das possibilidades em estudo é a criação de uma gôndola específica para consumidores em uso de medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade.

A ideia é reunir produtos que ajudem esse consumidor a manter uma alimentação mais adequada em um contexto de menor apetite, como proteínas, fibras e itens ligados à hidratação e reposição de minerais.

“Hoje as pessoas estão comendo menos. Mas, quando comem, precisam comer melhor”.

A CEO aponta as fibras como uma das próximas tendências relevantes. Para ela, o avanço de dietas com menor ingestão calórica e o uso de medicamentos que reduzem o apetite devem ampliar a atenção à saúde intestinal. “Acredito muito em fibras. As pessoas estão comendo menos, e o intestino precisa desse cuidado”, diz.

A proteína, por sua vez, segue como a grande tendência do momento. Segundo Ana, a categoria se espalhou por snacks, pipocas, doces e produtos indulgentes. A executiva afirma que já há preocupação no mercado com disponibilidade de matéria-prima diante do avanço da demanda.

Imagem: Divulgação

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