Fundada em 2012, em Piumhi, no interior de Minas Gerais, a Farmelhor avança para encostar nos gigantes do setor. Prepara agora uma nova fase de expansão. Depois de alcançar mais de 400 unidades e faturamento superior a R$ 700 milhões em 2025, a rede pretende chegar a 500 operações no País no prazo de um ano e meio a dois anos, ampliando sua atuação para além das drogarias tradicionais. A estratégia inclui novos formatos de loja, como operações em aeroportos, contêineres, atacarejos e centros empresariais, além da expansão dos serviços de saúde por meio da rede de clínicas de vacinação Previmune.
“A gente vem adaptando a realidade do mercado às tendências e às necessidades dos consumidores”, afirmou Renan Reis, CEO da Farmelhor e da Previmune, em entrevista à Mercado&Consumo.
Segundo o executivo, o mercado farmacêutico brasileiro segue em expansão. Movimentou em torno de R$ 240 bilhões em 2025. Nesse cenário, a Farmelhor aposta em um modelo voltado principalmente às farmácias independentes, oferecendo tecnologia, inteligência comercial e ganho de escala para competir em um setor ainda pulverizado, mas dominado por grandes players como RD Saúde e DPSP.
“A ideia é que as drogarias independentes entendam que uma operação franqueada, vai trazer exponencial crescimento. Enxergamos gargalos e oportunidades, hiperpersonalizando jornada, o que elas sozinhas muitas vezes não conseguem operar”, disse.
Expansão vai além das drogarias
O crescimento da rede passa por formatos alternativos de operação. A companhia inaugurou recentemente uma loja em contêiner na Rodovia dos Bandeirantes e prepara uma segunda unidade no sentido oposto da estrada. Também venceu a licitação para operar uma farmácia de 120 metros quadrados no Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais.
Além disso, a empresa desenvolve projetos para instalação de unidades em centros empresariais, supermercados, atacarejos e condomínios, acompanhando a busca do consumidor por conveniência.
“O consumidor quer comprar onde estiver. Ele compra pelo WhatsApp, pelo aplicativo, pelo iFood e espera receber o produto com rapidez”, diz Reis.
Outra aposta da companhia é a criação de vending machines para comercialização de produtos de conveniência, higiene e beleza. O projeto será integrado às lojas físicas, permitindo que consumidores realizem compras digitais e recebam os produtos no próprio local onde estiverem.
Há um novo formato a ser inaugurado também, que é uma loja de dez metros quadrados na Faria Lima, em um grande centro comercial, no conhecido prédio da Google. “Estamos pivotando novos formatos”, disse.
Vacinação amplia atuação em saúde
A diversificação também passa pelos serviços. A Farmelhor incorporou ao grupo a Previmune, rede especializada em vacinação, e pretende ampliar sua presença no segmento.
Hoje, a operação conta com 22 unidades e a meta é alcançar 100 clínicas nos próximos três anos. O plano prevê tanto unidades independentes quanto salas de vacinação instaladas dentro das próprias farmácias.
Segundo Reis, o objetivo é transformar as lojas em pontos de cuidado contínuo, ampliando a oferta de serviços voltados à prevenção, imunização e bem-estar.
“A farmácia deixou de ser apenas um lugar para comprar medicamentos. Ela passou a fazer parte da jornada de saúde do consumidor.”
Interior continua sendo prioridade
Embora avance para novos formatos, o interior permanece como principal vetor de crescimento da rede.
Atualmente, 92 unidades da Farmelhor estão localizadas em municípios com até 50 mil habitantes, enquanto outras 90 operam em cidades de até 300 mil moradores.
Segundo o executivo, cada praça possui características próprias de consumo, exigindo estratégias específicas de precificação, mix de produtos e relacionamento com o cliente.
“O franchising deixou de ser engessado. Precisamos entender as características de cada cidade e até de cada bairro para construir uma estratégia competitiva.”
Inteligência Artificial acelera personalização
A tecnologia também ganhou espaço na estratégia da empresa. Segundo Reis, ferramentas de Inteligência Artificial passaram a apoiar análises de comportamento, definição de sortimento e identificação de oportunidades de vendas.
Um exemplo citado pelo executivo envolve medicamentos para emagrecimento. Após a compra da caneta injetável, a rede consegue identificar novas necessidades do consumidor, oferecendo produtos complementares como vitaminas, proteínas, minerais e colágeno.
“A Inteligência Artificial veio para potencializar as pessoas, trazendo agilidade para processos e análises e permitindo chegar à hiperpersonalização do consumidor.”
Na avaliação do CEO, o uso de dados reduz decisões baseadas apenas em percepção e permite desenvolver estratégias mais assertivas para cada perfil de cliente.
Bem-estar impulsiona novas categorias
Além da expansão física, a Farmelhor também investe em produtos de marca própria. Atualmente, a companhia comercializa uma linha com cerca de 40 vitaminas e suplementos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e certificados pela Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos.
A expectativa é ampliar o portfólio para novas categorias, como higiene pessoal, fraldas e lenços umedecidos.
Segundo Reis, o envelhecimento da população e o crescimento da busca por qualidade de vida devem impulsionar a demanda por produtos voltados à prevenção e ao bem-estar.
“As pessoas deixaram de falar apenas em envelhecimento e passaram a falar em longevidade. Isso muda completamente a forma como elas cuidam da saúde.”
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