O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, disse nesta sexta-feira, 17,que o governo americano pode fazer um anúncio sobre a nova tarifa de 12,5% que pode ser aplicada sobre produtos brasileiros, devido a práticas associadas ao trabalho forçado, na próxima semana.
“Parece que haverá alguma manifestação do governo americano na semana que vem sobre esse assunto, vamos ver”, disse Müller, durante entrevista coletiva sobre as tarifas americanas. “Nós não temos outra alternativa, pelo menos não como agência de promoção de exportações, a não ser de seguir preparando as nossas empresas, seguir buscando novos mercados.”
A ApexBrasil realizou, nesta sexta-feira, uma entrevista coletiva para comentar o impacto consolidado da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA na noite de quarta-feira, 15, após a conclusão de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Müller afirmou que haverá atenção especial a setores tarifados pelos EUA e com benefício tarifário na União Europeia (UE), com redução de tarifas decorrente do acordo do bloco com o Mercosul.
Diversificação de mercados
Apesar do cenário de diversificação de mercados, o presidente da ApexBrasil disse que o mercado americano continua sendo importante para o Brasil. “É importante para as empresas brasileiras e o Brasil é importante para as empresas americanas. Então, nós vamos seguir trabalhando, preparando as empresas, oferecendo as oportunidades e levando as empresas para o mundo, que é o que a gente faz”, afirmou.
Sobre o Canadá, ele afirmou que o país está “cada vez mais aberto ao Brasil, em vários sentidos.” “Boa parte do suprimento do Canadá sempre foi via Estados Unidos, e agora a gente está fazendo isso direto. Então, tem de fato um novo ambiente do relacionamento com o Canadá, tanto no comércio, quanto na área de investimentos”, disse.
Segundo Müller, o Canadá também tem um modelo interessante de financiamento e de estrutura financeira para a mineração, para a qual o governo brasileiro está olhando como uma das possibilidades para atração de investimentos para minerais críticos. O Brasil e o Canadá negociam um acordo de livre comércio por meio do Mercosul.
Em seguida, Müller disse que o Brasil ainda tem uma participação pequena no mercado internacional. “Nós não somos um grande player no mercado internacional a ponto de países quererem se desvencilhar do Brasil. Pelo contrário, eu percebo cada vez mais interesse no Brasil.”
Instabilidade
O presidente da ApexBrasi também afirmou que todos os países do mundo têm se reposicionado em um contexto de comércio internacional mais instável.
“A gente vê um reposicionamento de todos os países, a China também está se reposicionando”, observou. Ele destacou que o Brasil já é o principal destino dos investimentos chineses e disse que, junto com o acordo do Mercosul com a União Europeia (UE), está clara uma reconfiguração geopolítica internacional. “No agregado, essa postura do Brasil de negociação, de abertura, de estabilidade, é uma grande vantagem. Tanto é que nós exportamos, nesse cenário, US$ 20 bilhões de dólares a mais só no primeiro semestre”, disse.
Indagado sobre movimentações recentes no comércio internacional chinês, com menor demanda por importações, o presidente da ApexBrasil afirmou que governo brasileiro está muito atento em relação ao tema.
Sobre a Europa, Müller disse que os países do continente são prioridade no plano do Brasil de diversificação de mercados em virtude do acordo recém assinado entre o Mercosul e a UE.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Isadora Duarte e Flávia Said).
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