A fabricante de brinquedos Estrela informou nesta quarta-feira, 20, que entrou com pedido de recuperação judicial. O requerimento foi protocolado na Comarca de Três Pontas (MG) e inclui outras empresas do grupo.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirma que a decisão de ajuizar a recuperação judicial decorre da necessidade de reestruturar o passivo do grupo, em um contexto de pressões econômicas e setoriais. A Estrela cita o aumento do custo de capital e a restrição de crédito, mudanças no comportamento de consumo, com maior competição de alternativas digitais, e impactos acumulados nos últimos anos sobre a estrutura financeira da companhia e das demais empresas do grupo.
Ainda conforme o documento, a recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da situação econômico-financeira por meio da reorganização do endividamento, com preservação da continuidade das atividades empresariais, dos empregos e da geração de valor para os stakeholders.
A empresa informou ainda que as empresas recuperandas e seus sócios, acionistas, administradores e diretores permanecem à frente da condução da atividade empresarial. A companhia disse que mantém suas operações industriais, comerciais e administrativas, além do atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, e que adotará medidas para assegurar a continuidade dos negócios durante o processo.
A empresa afirmou que apresentará oportunamente o Plano de Recuperação Judicial, que será submetido à aprovação dos credores, e que manterá acionistas e o mercado informados sobre desdobramentos relevantes.
Processos de recuperação judicial
Os processos de recuperação judicial cresceram 5,5% em 2025 em relação ao ano anterior e alcançaram o maior número de empresas desde o início da série histórica, em 2012 – foram 2.466, alta de 12,9% em relação a 2024. As informações foram divulgadas pela Serasa Experian.
“Em 2025, a recuperação judicial seguiu como instrumento de ajuste de balanço em um ambiente de crédito mais seletivo. Apesar das oscilações mensais, o nível anual avançou e ficou acima do padrão histórico, compatível com renegociação de passivos diante de custo financeiro ainda elevado e de uma demanda desigual entre setores”, disse a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, em nota.
Na leitura mensal, 2025 trouxe números acima da tendência histórica de 53 processos de recuperação judicial por mês. Em relação ao total de Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o movimento foi semelhante: o número de empresas envolvidas superou recorrentemente a média de longo prazo, de 106 CNPJs mensais.
O segmento de agropecuária teve o maior número de empresas envolvidas em processos de recuperação judicial. O setor concentrou 30,1% (743) dos CNPJs que buscaram pela recuperação judicial. Os prestadores de serviços, que eram os líderes em 2024, fecharam 2025 com 30% (739). Em seguida, vieram comércio (21,7%; 535 CNPJs) e indústria (18,2%; 449 CNPJs).
*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Beth Moreira).
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