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Foodservice fatura R$ 233,5 bi em 2025, mas gasto das famílias cai. “Inflação foi cavalar”, diz Yamashita

Setor bate recorde em 2025, mas cresce pelo tíquete médio, enquanto fluxo e gasto das famílias seguem pressionados

  • de Bruna Lencioni
  • 20 minutos atrás

Bets, endividamento das famílias, inflação, juros altos. Esses são os componentes mais relevantes que podem explicar a queda do gasto do brasileiro no foodservice. No primeiro painel do Connection Foodservice Day, hoje, Eduardo Yamashita, CEO da Gouvêa Inteligência, apresentou o painel Cenário Macroeconômico e os Impactos sno Foodservice.

A base dos dados é a pesquisa Crest, realizada há 11 anos, com 72 mil consumidores Segundo o estudo, que acompanha movimentos no mercado internacional e doméstico, o foodservice local faturou R$ 233,5 bilhões em 2025, recorde.

O problema é que o que cresce é o tíquete médio, não o volume de vendas.  “Inflação foi cavalar”, disse Yamashita. Os números do passado expõem a realidade. O gasto das famílias com foodservice saiu de 24% em 2002, chegou a 33% em 2019 e caiu para 29% em 2025.

O mercado americano, para efeito comparativo, tinha (2002, 2019 e 2025) 47%, 54% e 58%, respectivamente. “Eles estão menos expostos a fatores inflacionários e o poder de compra do americano é naturalmente maior”, disse o executivo.

Raio X dos operadores

De acordo com Yamashita, há um cenário visto sobre aumento da concentração no Brasil. “Temos um mercado pulverizado, mas vem crescendo a participação das redes”. Franquias impulsionam o movimento também.

A Crest traz também a realidade do mercado informal. “Há um grande número de restaurantes no Brasil, dois milhões de CNPJs, mas a gente consegue aferir que ele está aberto?”, disse. “Há uma quebra de 400 mil que não temos certeza se estão operando”.

O fechamento e abertura também preocupam. “Abrimos 400 mil por ano e fechamos 400 mil por ano, ou seja, fechamos de 20% a 25% de toda base que temos”. O executivo destacou que há um crescimento do setor, mas “é em ritmo inferior ao que o mercado mereceria”.

Outro ponto tocado por ele é sobre segmentos que ganham força. Estabelecimentos com altos preços, hotéis e supermercados que comercializam comida pronta estão em alta. Isso coloca na mesa a seguinte informação: classes mais altas seguem protegidas de pressão inflacionária e questões macroeconômicas no geral.

Por outro lado, a busca por produtos prontos, com preços acessíveis, evidenciam que a classe média segue consumindo – e que está em busca de praticidade.

Mais um dado de tendência que a pesquisa Crest lança luz é que o brasileiro está saindo com menos frequência para comer fora. “Tínhamos 42% dos consumidores saindo de uma a duas vezes ao mês. Agora são 48%, o que é um bom sinal, mas a quantidade de vezes que ela volta tem reduzido por conta do orçamento familiar”.

Connection Foodservice Day 2026 fala de inteligência artificial, saudabilidade e outras tendências do foodservice

O Connection Foodservice Day é um evento da Mercado&Consumo e da Gouvêa Experience. Reúne lideranças do setor para discutir os principais movimentos captados na NRA Show 2026, uma das maiores feiras de foodservice do mundo, que acontece em Chicago, mas também considera cenários econômicos domésticos para dar um overview ao mercado.

O encontro acontece na sede do iFood, em Osasco, e tem uma agenda voltada à tradução dos aprendizados internacionais para a realidade do mercado brasileiro. A programação combina painéis, apresentações de cases, blocos de wrap-up da NRA Show 2026, networking e debates sobre os temas que vêm redefinindo a alimentação fora do lar: inflação, valor percebido, GLP-1, saudabilidade, inteligência artificial, produtividade, mão de obra, novos canais e integração da cadeia.

Um dos eixos centrais do evento é o novo comportamento do consumidor. As mudanças nos hábitos de consumo, impulsionadas pela busca por bem-estar e pelo avanço dos medicamentos GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras, serão debatidas no painel “O novo consumidor à mesa: saúde, conveniência e escolhas conscientes”. A conversa reunirá Rodrigo Barros, fundador e CEO da Boali; Fábio Ferreira, CEO da Verde Campo; e Janaina Ferraz, gerente de Alimentos do Hirota, com mediação de Fernando Cardoso, CEO da Gouvêa Foodservice.

A discussão abordará como empresas de alimentação vêm adaptando cardápios, produtos e estratégias comerciais para atender um consumidor mais consciente, seletivo e orientado por saúde. A busca por proteína, indulgência equilibrada, praticidade e opções com melhor perfil nutricional passa a influenciar tanto redes especializadas quanto supermercados, marcas industriais e operadores de alimentação fora do lar.

Outro tema em destaque é a aplicação da Inteligência Artificial no foodservice. No painel “A IA saiu do hype. Agora ela entrega resultado”, Alejandro Veiga, diretor de Operações Latam da Oakberry; Betina Kormes, líder de Indústria no TikTok; e Gabriel Oberstein, project manager de IA do iFood, discutirão como a tecnologia começa a gerar impactos concretos em áreas como previsão de demanda, automação de atendimento, produtividade e tomada de decisão. A mediação será de Aiana Freitas, editora-executiva da Mercado&Consumo.

A ampliação dos formatos de foodservice também está na pauta. No painel “Soluções de Foodservice Fora da Caixa”, Bruno Gorodicht, cofundador e conselheiro do Grupo Impettus; Elio França, chief business unit D2C da Bauducco; e Mariana Fragoso, CEO da Capim Santo, vão discutir como a alimentação fora do lar avança para além de restaurantes e redes especializadas, com operações integradas a supermercados, lojas de conveniência, catering e outros canais de varejo.

Wrap Up sobre NRA Show dá o tom das tendências mundiais

Ao longo do dia, dois blocos de wrap-up vão compilar os principais aprendizados da NRA Show 2026. Em “Eficiência, Inovação e Crescimento com Margem”, Aiana Freitas, Eduardo Bueno, strategic business development manager da Gouvêa Inteligência, e Ingrid Devisate, vice-presidente-executiva do IFB, vão debater tendências como colaborações entre marcas e setores, criação de experiências inovadoras e atração de novos públicos.

A agenda também inclui uma discussão sobre gestão de pessoas, um dos principais gargalos do setor. No painel “Trabalho, Escala e Cultura: os novos desafios do foodservice”, Cristina Souza, cofundadora e CEO da Tanjerin; João Adas, CEO da Cia Tradicional do Comércio; Gabriel Pinheiro, líder executivo da Abrasel em São Paulo; e Tatiane Mota, diretora-geral da Cucinare, do Grupo Raízes, vão tratar de escassez de mão de obra, retenção de talentos, cultura organizacional, capacitação e crescimento das operações.

A pressão dos preços e a mudança no comportamento do consumidor diante da inflação serão tema do painel “O valor entrou no cardápio: como o foodservice se adapta ao novo consumidor”. A conversa reunirá Rodrigo Munaretto, diretor de Marketing e Vendas do Subway; Edilson Neves, diretor de Marketing da PMG Atacadista; e Adriana Rached, diretora de Marketing Latam da Kerry.

Com a inflação afetando o orçamento das famílias, o consumidor passou a comparar mais, buscar alternativas e avaliar com mais atenção o custo dos produtos antes de escolher onde e o que consumir. Para empresas de alimentação, o desafio é manter cardápios atrativos, controlar despesas e entregar uma oferta percebida como justa. O painel discutirá como marcas e operadores estão revendo estratégias de preço, portfólio e comunicação para dialogar com um cliente mais cauteloso.

Colaboração entre indústria e varejo

O painel final, “Cadeias mais conectadas, negócios mais fortes”, vai tratar da colaboração entre indústria, operadores, distribuidores e varejo como caminho para aumentar agilidade, competitividade e capacidade de adaptação. Participam Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem; Alessandro Rios, managing director da Martin Brower Latin America; Iuri Miranda, CEO da Firehouse Subs no Brasil; e Luzia Goldbeck, global foodservice director da MBRF.

A proposta do Connection Foodservice Day é aproximar o mercado brasileiro dos principais aprendizados da NRA Show e, ao mesmo tempo, discutir como essas tendências se materializam localmente. Em um setor desafiado por custos, mão de obra, eficiência operacional e mudança acelerada no comportamento de consumo, o evento coloca em pauta uma questão central para operadores, indústria e varejo: como crescer com margem, relevância e capacidade de adaptação diante de um consumidor que mudou — e continua mudando.

 

Imagem: Bruna Lencioni

  • Categories: Destaque do dia, Foodservice, Varejo
  • Tags: alimentacao fora do larbetscomida prontacomportamento do consumidorConnection Foodservice DayconveniênciaCRESTEduardo Yamashitaendividamento das famíliasfoodservicegasto das famíliasGestão de PessoasGLP-1Gouvêa ExperienceGouvêa InteligênciaIA no foodserviceIfoodinflaçãoInteligência Artificialjuros altosmão-de-obramercado informalmercado&consumoNRA Show 2026redes de franquiasrestaurantessaudabilidadetíquete médiovalor percebidovarejo alimentar

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