Empresas de capital aberto geram mais empregos e pagam melhor

270 companhias concentram milhões de postos de trabalho

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O estudo “A Relevância das Companhias Abertas na Economia Brasileira” traz uma indiscutível evidência: a tração que a livre iniciativa e a economia de mercado promovem na sociedade. As 270 empresas de capital aberto analisadas no documento respondem por 2,8 milhões de empregos diretos. Sozinhas, geraram R$ 2,1 trilhões em valor adicionado, ou 18% do PIB de R$ 11,7 trilhões, com dados de 2024.

“[Esses números] mostram o papel fundamental das grandes empresas na formação de cadeias produtivas inteiras”, afirmou Pablo Cesário, presidente-executivo da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), entidade representativa das empresas de capital aberto no Brasil. A Abrasca encomendou o estudo, que foi feito pela FGV.

Cesário destaca também o papel dessas corporações na atração de investimento estrangeiro, no estímulo à pesquisa e na criação de empregos de melhor qualidade. Mergulhar no lado reluzente do capitalismo, no entanto, provoca uma constatação colateral da mesma intensidade: o que se tornou o Estado brasileiro – uma máquina arrecadatória que toma da sociedade R$ 126 mil por segundo.

Por esse motivo, ao tratar de empresas de capital aberto, é inevitável abordar também o destino dos recursos que delas saem, na condição de alguns dos maiores contribuintes do País. Esses valores financiam uma ampla gama de despesas públicas, que vão de emendas parlamentares de destinação questionada a remunerações acima do teto constitucional — evidenciando o debate recorrente sobre a diferença entre legalidade e legitimidade. Para 2026, estão previstos R$ 61 bilhões em emendas parlamentares.

Em termos práticos, esse montante equivale a cerca de R$ 7,4 milhões por hora. Outro dado que ajuda a dimensionar a questão é o número de servidores que recebem acima do teto salarial de R$ 46 mil: cerca de 53,5 mil pessoas, cujo custo anual soma aproximadamente R$ 20 bilhões. Individualmente, esses servidores recebem ao menos o equivalente a um salário mínimo por dia — valor próximo ao rendimento mensal de cerca de 35 milhões de trabalhadores brasileiros. Em poucas semanas, essa remuneração supera o que dezenas de milhões de brasileiros recebem ao longo de um ano inteiro de trabalho.

O levantamento focou em 270 das 372 empresas com registro ativo na B3 em 2024. Foi feita a exclusão de companhias com receitas abaixo de R$ 300 milhões, das que pertencem a holdings e grupos econômicos e das que não apresentaram Demonstração do Valor Adicionado (DVA). O trabalho é assinado por Márcio Holland (coordenador), Alan Carvalho, Eurico Marcos D. de Santi, Joelson Sampaio e Tiago Slavov.

Por cinco décadas, entre 1932 e 1980, o Brasil cresceu em média 6,7% ao ano. Nos últimos 45 anos, o ritmo caiu para +2,3% ao ano – com sete recessões no caminho, uma a cada seis anos e meio. Isso não é tudo, mas ajuda a explicar por que o número de empresas listadas na B3 diminui.

Em 1990, eram 579. No ano passado, 372. Um terço a menos. Na China, são 11,2 mil. Nos Estados Unidos, 4 mil. Na Índia, 2,7 mil. Até o Chile tem mais: 437. Junte-se à equação um contexto de elevada carga tributária. Em 1997, era de 26,5% do PIB. No ano passado, chegou a 32,3%. Nesse ranking somos parceiros de Argentina, Moçambique e Venezuela. E superamos de longe países que no imaginário coletivo cobram impostos nas alturas, como Dinamarca e Noruega, que fizeram o caminho inverso e estão na faixa de 22% do PIB.

Empregos e Salários

Mesmo com tanta adversidade macroeconômica, as companhias abertas são um motor em alta rotação para a nossa economia. As 270 corporações estudadas representam uma ínfima parte dos 21,6 milhões de CNPJs ativos do País (dados de 2024), 5% dos quais atuando no regime de Lucro Real.

Cada uma das 270 tem, em média, 10,3 mil empregados diretos, 1 mil vezes mais que a média de contratados das demais empresas privadas. A remuneração direta delas no ano passado foi de R$ 344 bilhões, o que dá uma média mensal de R$ 10.250 por empregado – a média nacional é de R$ 3.700. Isso significa que na primeira quinzena de maio um colaborador dessas companhias recebeu o que os demais brasileiros receberão somente ao acabar o ano.

O estudo também avalia a Riqueza Gerada para a Sociedade, que é a soma de três eixos – pessoal (gastos das 270 empresas com salários), fornecedores (pagamentos à cadeia produtiva) e governo (pagamentos de tributos). E se recortarmos apenas as companhias do top 10, o volume movimentado é de R$ 2 trilhões.

Em relação aos valores pagos a título de salários, ordenados, benefícios, encargos sociais, planos de previdência privada e outras formas de remuneração direta ou indireta somente das cinco maiores nesse quesito (JBS, Petrobras, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco) somam R$ 179 bilhões.

Já no campo da riqueza gerada para os governos por meio de impostos, taxas e contribuições pelas cinco maiores contribuintes (Petrobras, Ambev, Itaú, CPFL Energia e Neoenergia) somam R$ 293 bilhões. Lido de outra forma, no recorte dos dois grupos (empregados & governo), a cada R$ 1,00 gasto com funcionário gasta-se R$ 1,64 com o governo, dois terços a mais.

Com informações de DC NEWS.
Imagem: Envato 

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