O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a falar nesta segunda-feira, 27, sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco. Durigan afirmou que o tarifaço “é absurdo” e que não está baseado em fatos – mas reforçou que o Brasil continuará na mesa de negociações.
O ministro disse que deve se encontrar em agosto com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, às margens das reuniões do G20, e que tentará argumentar novamente sobre o tema. “Vou levar todos os nossos argumentos respeitosos, como sempre, mas eu acho que depois da eleição isso aí se resolve, de uma forma ou de outra”, declarou.
Durigan avaliou que a taxa de juros recorde dos EUA interfere na política monetária no Brasil e no mundo. Disse, ainda, que não se incomoda que digam que ele é mais técnico ou político, porque “os temas andam juntos”.
Entenda as tarifas
Entrou em vigor na quarta-feira, 22, a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A taxação foi justificada pelo governo americano como uma “punição” por práticas comerciais consideradas desleais após uma investigação que envolveu temas díspares como o Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano – o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques registrados em 2024. Se considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores alcançados pela medida cai para 15% das vendas aos Estados Unidos, correspondendo a US$ 5,8 bilhões.
Na mesma semana, na quinta-feira, 23 de julho, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa adicional de 12,5% aos produtos brasileiros, sob alegação de que o País não tem conseguido adotar práticas contra o trabalho forçado nos setores produtivos. Outros 60 países também foram alvos dessa investigação. No caso do Brasil, a nova tarifa se soma aos 25% impostos anteriormente.
As tarifas, anunciadas pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), vão variar entre 10% e 12,5% e entrarão em vigor à 0h01 de sexta-feira, 24, substituindo uma tarifa global de 10% que expiraria no mesmo horário. Donald Trump impôs essa tarifa anterior em fevereiro, depois que a Suprema Corte derrubou as tarifas que ele havia imposto no ano passado.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Mateus Maia e Renan Monteiro).
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