Entidades repercutem decisão do BC de manter a taxa Selic em 15% ao ano

Taxa Selic está no maior nível em quase 20 anos

Mesmo com guerra, Ipea prevê crescimento de 1,8% do PIB

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em reunião realizada nesta quarta-feira, 28, de manter a taxa Selic em 15% ao ano, aumentou a preocupação do setor de comércio e serviços da capital mineira. Na avaliação da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), a medida prolonga o período de asfixia vivido pelo setor em razão do encarecimento do crédito. A taxa Selic está no maior nível em quase 20 anos.

“A atividade econômica está aquecida, mas os investimentos de médio e longo prazo, que são fundamentais para sustentar o mercado de trabalho e a geração de renda, estão sem fôlego. A incerteza fiscal, tanto interna quanto externa, provocam isso. Finalizamos o último ano com a esperança de uma nova postura do Banco Central e, infelizmente, isso não foi demonstrado”, lamenta o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.

O dirigente explica que os segmentos de bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos e eletrônicos, que dependem de financiamento, são os que mais sentem a manutenção da taxa e enfrentam queda nas vendas.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) afirma estar preocupada com a decisão, que tende a prolongar os efeitos adversos já percebidos na economia, ao restringir investimentos produtivos, encarecer o crédito, elevar os custos de produção e comprometer a competitividade da indústria brasileira e mineira.

“É necessário uma política monetária mais equilibrada, que consiga conciliar o controle da inflação com o estímulo ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional”, afirma o presidente da FIEMG, Flavio Roscoe.

O setor da construção vê com cautela a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, o cenário de juros elevados limita tanto a demanda por imóveis quanto a capacidade das empresas de viabilizar novos projetos. Segundo ele, o impacto vai além do crédito habitacional e atinge toda a cadeia produtiva do setor.

“Uma política monetária contracionista encarece o crédito imobiliário, reduz a demanda por novos empreendimentos e desacelera a atividade da construção. Juros altos aumentam os custos, restringem o acesso ao financiamento e afetam a confiança dos investidores”, afirma.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avalia que o compromisso com o equilíbrio das contas públicas é um dos pontos basilares para a redução da Selic. Enquanto não houver um movimento consistente nesse sentido, não haverá ambiente para uma queda sustentável da taxa básica de juros.

Imagem: Envato

Sair da versão mobile