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Exclusivo: “Marisol vai licenciar fórmulas alimentares para público infantil”, diz CEO

Empresa passa por desalavancagem e expande portfólio para retomar crescimento em 2026

  • de Bruna Lencioni
  • 2 meses atrás
Marisol

Com 62 anos de mercado, cerca de 300 lojas em rede de franquias e mais de 4 mil pontos de venda multimarca no Brasil, a Marisol é uma das maiores empresas de vestuário infantil do País. Dona de marcas como Lilica Ripilica, Tigor T. Tigre e Lov.it, a companhia de Jaraguá do Sul (SC) fechou o capital na Bolsa em 2012 e, mais recentemente, atravessou um ciclo de alavancagem financeira – com emissão de debêntures – que pesou sobre os resultados de 2025. Agora, com os compromissos encerrados e o balanço desalavancado, a Marisol entra em uma nova fase: mais leve, com foco em crescimento e um portfólio ampliado de negócios, disse Giuliano Donini, CEO da companhia, ao M&C Talks, da Mercado&Consumo.

A novidade vem nessa esteira de diversificação. A Marisol vai entrar no mercado de alimentos saudáveis infantis. Após três anos desenvolvendo fórmulas em laboratório, a empresa se prepara para licenciá-las – sem produzir, mas como detentora do conhecimento. “Somos proprietários da [fórmula] e vamos licenciar fórmulas alimentares para o público infantil, com foco em saudabilidade”, afirmou Donini, que participou do Inside Fashion Business, evento promovido pela Gouvêa Experience em São Paulo. O movimento faz parte de uma estratégia, de acordo com Donini: transformar a Marisol de fabricante de roupas infantis em uma plataforma completa do universo da criança. A companhia já atua em segmentos como o de materiais escolares, higiene bucal (15% de market share), ótica, hotelaria e série animada distribuída em quatro idiomas.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida pelo executivo ao M&C Talks:

Mercado&Consumo: A Marisol vem se transformando de empresa de moda infantil para algo maior. Como descreve essa virada?

Giuliano Donini: A empresa quer deixar de ser uma companhia de moda infantil para ser uma empresa especializada em criança – não só pensando na criança em si, mas em tudo que ela movimenta no seu entorno. Por isso hoje temos papel destacado em materiais de volta às aulas, mais de 15% de market share em higiene bucal, atuação em ótica, hotelaria e série animada distribuída em português, inglês, espanhol e chinês.

E agora vocês vão entrar em alimentos infantis. Como funciona esse modelo?

Estamos há três anos desenvolvendo fórmulas para alimentos saudáveis infantis em laboratório. Somos proprietários dessas fórmulas e vamos licenciá-las – não vamos produzir. Outra empresa vai produzir, especializada nisso. É um movimento de economia dos intangíveis, que já vínhamos praticando com personagens e marcas.

O SisTex, condomínio industrial que vocês criaram, já gera resultados?

Sim. O modelo permitiu reduzir 11% no custo de produção de uma camiseta branca, por exemplo. A lógica é eliminar a ociosidade da fábrica nos vales de sazonalidade, trazendo outras indústrias como inquilinas do condomínio. Elas produzem para elas mesmas ou prestam serviço para terceiros. Não fazemos private label – o conceito é de cluster produtivo, não de fornecedor exclusivo.

Qual é o potencial de expansão desse modelo?

Planejamos ampliar o espaço físico em 40%. Com isso, a capacidade produtiva pode crescer 7,7 vezes. O ritmo vai depender da demanda, mas o modelo está desenhado para escalar.

Como foi 2025 para a Marisol?

Foi um ano desafiador, com muitos percalços. Tínhamos uma alavancagem financeira por conta de debêntures lançadas anteriormente, que foram encerradas no final do ano. Trabalhamos durante todo o ano sob pressão desses compromissos financeiros. Agora começamos uma nova fase, já desalavancados.

Como o cenário macroeconômico, juros altos, geopolítica tensa e ano eleitoral entram no planejamento?

O desafio sempre é a previsibilidade. Eleição, Copa do Mundo e juros altos já são dados, já estão considerados na estratégia. A guerra é o fator absolutamente imprevisível. Os primeiros quatro meses do ano vieram marginalmente acima do que havíamos previsto em sell out. O grande desafio continua sendo a capilarização num país tão continental como o Brasil – são muitas realidades culturais, muitos custos para chegar a lojas espalhadas por todo o País.

Imagem: Kaique Gouveia/Gouvêa Experience

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  • Tags: CEO Marisol Giuliano DoniniMarisolmarisol alimentos infantismarisol amplia portfóliomarisol CEO DoniniMarisol e-commercemarisol entra no segmento de alimentosmarisol SCmarisol SisTex clusterizaçãomarisol varejistamarisol vestuário infantilvarejistas infantisvarejo de vestuário infantil

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