Mercado da longevidade atrai investidores e amplia oportunidades de negócios

Com mais de 160 unidades, Terça da Serra ilustra como o envelhecimento está impulsionando novos serviços e profissionalizando o mercado de cuidados para idosos

Criada em 2015 como uma iniciativa familiar voltada ao cuidado de idosos, a Terça da Serra se transformou em um dos principais exemplos da evolução de um mercado que deixou de ser restrito à saúde para atrair investidores de diferentes setores. Com mais de 160 unidades em operação, faturamento de R$ 210 milhões em 2025 e projeção de crescimento superior a 30% neste ano, a rede reflete como o avanço da longevidade tem impulsionado novos modelos de negócios no Brasil.

O movimento acompanha uma mudança demográfica acelerada. Entre 2010 e 2022, o número de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu 57,4%, passando de 14,1 milhões para 22,2 milhões, segundo o Censo 2022 do IBGE. Impulsionada por esse cenário, a chamada economia prateada movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no País, de acordo com o Instituto Locomotiva, ampliando oportunidades em segmentos como saúde, moradia, tecnologia, turismo e serviços.

A Terça da Serra atua com o modelo de franquias desde 2021, quando foi incorporada ao grupo SMZTO, de José Carlos Semenzato. O movimento acelerou a expansão nacional e atraiu investidores interessados em um segmento que, segundo Weverson Gomes, gerente de Novos Negócios e Franquias da empresa, ainda representa um “oceano azul”. “A longevidade está cada vez mais em alta e é um mercado muito promissor”, diz.

O crescimento da rede também acompanha uma mudança no perfil dos clientes. Se antes predominavam idosos classificados como grau 3 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), totalmente dependentes de cuidados, hoje a maior demanda vem de pessoas enquadradas no grau 2, que possuem mobilidade reduzida, mas ainda preservam parte da autonomia. Como consequência, o tempo médio de permanência dos hóspedes aumentou: passou de um intervalo entre seis e 12 meses para períodos entre oito e 22 meses.

Os espaços também foram se adaptando ao estilo de vida desse público. Além de fisioterapias e terapias ocupacionais, eles hoje contam com academia, salão de beleza e até cinema. A ideia é evitar locais com cara de hotel e se apresentar como uma grande pousada com acompanhamento hospitalar.

A tecnologia também ganha espaço na operação. Em parceria com a RD Saúde, a Terça da Serra recebe medicamentos já fracionados e organizados conforme a prescrição médica de cada hóspede. O sistema reduz o risco de erros na administração de medicamentos, aumenta a segurança assistencial e libera as equipes para atividades de cuidado.

A Terça da Serra é uma evidência clara da profissionalização do mercado da longevidade. O segmento, historicamente pulverizado e familiar, está ganhando escala, processos e padronização. Uma transformação semelhante à que ocorreu em educação infantil, academias e clínicas odontológicas.

Para Weverson Gomes, a transformação do setor ainda está apenas começando. Segundo ele, o Brasil segue atrás de mercados mais maduros, onde ganham espaço modelos de senior living — condomínios planejados para idosos, com infraestrutura adaptada, serviços compartilhados e suporte assistencial integrado.

“Aqui ainda está muito embrionário, não só por questões regulatórias, mas também de consumo. Existe muito espaço para as ILPIs [Instituição de Longa Permanência para Idosos] e começamos a ver o avanço do senior living. O que acompanhamos no exterior são condomínios preparados para idosos, com acessibilidade e toda a estrutura de assistência integrada”, afirma.

Raio-X Terça da Serra

Mercado da longevidade atrai investidores e amplia oportunidades de negócios

Imagens: Divulgação

Sair da versão mobile