Inadimplência está maior no início de ano, mas há sazonalidade, diz presidente do Itaú

Maluhy afirma que avanço da renda ocorre com maior comprometimento e alerta para impacto da inflação

Inadimplência deve atingir 7,1% em dezembro e impactar o varejo

Young stressed african american couple in trouble, have no money to pay debts, to pay rent for appartment. Wife holding head in despair, can not pay bills, having financial troubles. Household budget

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, reconheceu nesta segunda-feira, 2, que o início deste ano foi marcado por uma pressão mais firme de inadimplência no País, mas ponderou que o período costuma ter uma sazonalidade desfavorável. Durante painel do evento Rumos, o executivo afirmou não ver na carteira do banco dinâmicas particularmente mais preocupantes do que as observadas em anos anteriores.

“Janeiro é um mês de compromissos importantes das famílias, então você acaba tendo um impacto maior na inadimplência, que depois tende a normalizar”, explicou.

Maluhy ressaltou ainda que o Brasil tem registrado um aumento da massa salarial, mas acompanhado de um maior comprometimento da renda. Para ele, é importante conter a inflação, que representa o pior imposto para as classes mais baixas. “A transferência de renda perde efetividade se a inflação não estiver controlada”, comentou, acrescentando que o nível atual de comprometimento de renda “não é sustentável”.

O executivo também reconheceu os avanços do mercado de capitais brasileiros, que abre espaço no balanço de bancos para oferecer crédito a empresas.

No entanto, defendeu reformas fiscais estruturantes para assegurar o contínuo crescimento. “Deixar de lado a despesa da dívida é ignorar uma conta gigantesca que tem que ser paga todos os anos”, comentou. “O fiscal e o social precisam andar de mãos dadas. Se o fiscal não for bem feito, você não consegue ter um social sustentável”, destacou.

Com informação do Estadão de Conteúdo (Elisa Calmon e André Marinho).
Imagem: Envato 

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