A Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abiv), entidade que representa o Polo de Moda do Bom Retiro, em São Paulo, e empresas do setor de vestuário de diferentes estados, alertou para os impactos da manutenção da isenção do Imposto de Importação em compras internacionais de até US$ 50 sobre a produção nacional.
O posicionamento ocorre após a comissão mista do Congresso Nacional aprovar, nesta quarta-feira, 2, a medida provisória conhecida como MP da Taxa das Blusinhas. O texto segue agora para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, com prazo de análise até 8 de setembro.
Segundo a Abiv, grande parte dos produtos comercializados no Polo de Moda do Bom Retiro está justamente na faixa de preço de até US$ 50. Com a possibilidade de isenção do Imposto de Importação para compras internacionais nesse valor, a entidade avalia que a concorrência com produtos vendidos por plataformas estrangeiras se torna ainda mais sensível.
Um dos principais polos atacadistas de moda do País, o Bom Retiro movimenta R$ 5,3 bilhões por ano na produção de vestuário e fabrica 50,5 milhões de peças anualmente. A região concentra ainda 19,4 mil trabalhadores em um único bairro da capital paulista, segundo o Censo do Bom Retiro – Indústria e Varejo 2025, encomendado pela Abiv em parceria com o Inteligência de Mercado (Iemi).
O levantamento também aponta que cerca de 95% das confecções da região são pequenas e médias empresas, enquanto 97% têm produção própria.
Para Cinthia Kim, presidente da Abiv, a retirada do Imposto de Importação tende a afetar principalmente os pequenos e médios negócios, que têm menor capacidade de absorver a concorrência em condições tributárias consideradas desiguais. “O Bom Retiro é um ecossistema que reúne produção, atacado, distribuição e varejo e movimenta uma cadeia de serviços, transporte, hotelaria e turismo ligada ao fluxo de compradores que chegam de diferentes regiões do País”, afirma.
Segundo a presidente da entidade, lojistas da região já perceberam queda nas vendas nos últimos meses. A preocupação é que a concorrência com produtos importados possa comprometer a sustentabilidade de parte das empresas instaladas no polo.
“Estamos falando de milhares de empresas que produzem, comercializam e geram empregos e que estão sujeitas à tributação nacional e a obrigações trabalhistas, ambientais, sanitárias, de segurança e de conformidade, além de custos financeiros e logísticos. É esse conjunto que precisamos preservar”, destaca Cinthia.
A Abiv defende a adoção de condições equilibradas de competição, com regras tributárias e regulatórias que, segundo a entidade, não coloquem as empresas brasileiras em desvantagem em relação às companhias estrangeiras.
Imagem: Envato















