Além da caixinha: Tetra Pak vê no açaí uma das principais apostas para a indústria de alimentos

Companhia sueca amplia foco em processamento para acompanhar a industrialização do açaí e a demanda por produtos gelados

Conhecida mundialmente pelas embalagens cartonadas presentes em supermercados (17,8 bilhões de embalagens vendidas no ano passado), a Tetra Pak quer reforçar uma faceta menos conhecida de sua operação: a de fornecedora de máquinas para processamento e produção de alimentos. E uma das categorias que mais atraem a atenção da companhia neste momento é o açaí, impulsionado pela expansão da produção brasileira, o avanço das exportações e a crescente popularidade da fruta em mercados internacionais, disse à Merccado&Consumo, Ana Paula Forti, diretora de Processamento da empresa no Brasil.

A aposta ocorre em um período de forte crescimento da cadeia produtiva. Dados da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) mostram que a produção brasileira de açaí passou de cerca de 150 mil toneladas em 1987 para quase 2 milhões de toneladas em 2024. O Pará mantém liderança absoluta, respondendo por 89,5% da produção nacional. Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras de frutas alcançaram US$ 1,45 bilhão em 2025, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), recorde histórico pelo terceiro ano consecutivo, com crescimento de 12% em valor e 19,6% em volume.

Para a Tetra Pak, o avanço do açaí representa uma oportunidade que vai além das embalagens. “A Tetra Pak é muito mais do que a caixinha”, afirmou Ana Paula. Segundo a executiva, a companhia vem ampliando sua atuação em soluções voltadas ao processamento de alimentos e vê no açaí e nos sorvetes algumas das categorias mais promissoras para os próximos anos. Clima mais quentes e o El Ñino também são considerados pela companhia sueca para projetar seus focos de atuação.

No caso do açaí, a percepção é reforçada por um caso brasileiro que ganhou escala global. Fundada em 2016, a Oakberry tornou-se um dos principais exemplos da internacionalização da fruta. Atualmente, a rede opera mais de 850 lojas em 55 países e cinco continentes. Segundo a companhia, são consumidos aproximadamente 2,8 milhões de bowls por mês, o equivalente a mais de mil toneladas mensais da fruta processada. O desempenho ajudou a consolidar o açaí como uma categoria global de alimentação saudável, muito além de suas origens na região amazônica.

“A presença do açaí tem crescido em outros países e estamos preparados para essa demanda crescente da indústria”, afirmou Ana Paula. Segundo ela, a expansão internacional da fruta vem aumentando a procura por soluções industriais capazes de garantir escala, qualidade e padronização da produção, especialmente em categorias congeladas.

Nesse contexto, a companhia tem direcionado investimentos para equipamentos voltados ao processamento de açaí e sorvetes. A estratégia inclui tecnologias para etapas como pasteurização, congelamento, mistura de ingredientes e automação industrial. Embora a Tetra Pak seja mais associada às embalagens, a área de processamento vem ganhando relevância dentro da operação da empresa, acompanhando a transformação de alimentos antes regionais em categorias globais de consumo.

O movimento ocorre em um momento de amadurecimento da cadeia do açaí. Além do crescimento da produção, o setor vem ampliando sua capacidade industrial, agregando valor à fruta por meio da produção de polpas, bases congeladas, bebidas e outros derivados. Para a Tetra Pak, esse avanço abre espaço para uma nova fase de investimentos em tecnologia e industrialização, impulsionada tanto pelo mercado brasileiro quanto pela crescente demanda internacional.

A aposta da Tetra Pak em categorias como açaí e sorvetes já encontra exemplos concretos no mercado brasileiro. Um deles é a Eskimó Sorvetes, que atualmente produz cerca de 1,5 milhão de picolés por dia e utiliza equipamentos da companhia em diferentes etapas da operação, do congelamento ao envase e à inclusão automatizada de ingredientes.

A parceria entre as empresas começou em 2021 e foi ampliada nos anos seguintes com a incorporação de novas tecnologias voltadas à produtividade, padronização e redução de desperdícios. Segundo a Tetra Pak, o caso ilustra como a demanda crescente por produtos gelados tem impulsionado investimentos em automação e processamento industrial, movimento que deve beneficiar tanto o mercado de sorvetes quanto categorias em expansão, como o açaí.

Com as constantes ondas de calor, a indústria de sorvetes espera faturar 16,3% a mais neste ano, após fechar 2025 com crescimento no faturamento estimado em 6,8%. A previsão é da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), associação que representa fabricantes, fornecedores, distribuidores e varejistas de sorvete.

Imagem: Divulgação

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