A 2ª Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu, por unanimidade, manter a recuperação judicial da Teka, empresa têxtil que completou 100 anos de atuação neste ano. Com placar de 3 votos a 0, o colegiado confirmou a decisão liminar que havia suspendido o decreto de falência proferido em primeira instância, em fevereiro de 2025, assegurando a continuidade das operações da companhia e a preservação de 1.781 empregos diretos.
A decisão consolida o entendimento já adotado pelo próprio TJSC em março de 2025, quando o tribunal suspendeu a falência e permitiu a retomada da recuperação judicial. Laudo elaborado pela Grant Thornton e entregue ao Tribunal no fim de 2025 atestou que a Teka possui condições operacionais e financeiras para dar continuidade às atividades e cumprir seus compromissos, ratificando os argumentos que sustentaram o recurso e o processo de reestruturação em curso.
“A decisão unânime do TJSC confirma a consistência dos fatos apresentados no processo e reconhece a viabilidade da Teka. A companhia segue operando normalmente, comprometida com seu plano de recuperação, com o atendimento aos clientes e com a continuidade dos investimentos”, afirma Rogério Marques, CEO da Teka.
Entre os elementos que fundamentaram a decisão estão a solvência comprovada da companhia e o fato de a empresa ser credora líquida da União. Segundo a Teka, há um crédito de cerca de R$ 500 milhões reconhecido por decisão judicial definitiva, valor superior à dívida federal já negociada.
“Essa decisão nos dá a oportunidade de reescrever o próximo capítulo, com uma empresa mais moderna, mais eficiente e preparada para crescer de forma sustentável”, reforça Marques.
Somam-se a isso a regularização fiscal e trabalhista da companhia. O passivo tributário foi reduzido de R$ 2,3 bilhões para R$ 226 milhões após a adesão a uma transação tributária federal, enquanto um acordo trabalhista de R$ 70 milhões beneficiou 2.333 trabalhadores no fim de 2025.
A Teka agradeceu ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina pela análise do caso e pela decisão que assegura a continuidade da recuperação judicial. A companhia informou que seguirá concentrada na execução do novo plano de recuperação apresentado em dezembro de 2025, com foco no saneamento financeiro e na continuidade dos investimentos.
Segundo a empresa, a manutenção da recuperação judicial preserva empregos, protege a cadeia de fornecedores, contribui para a arrecadação no Estado e reforça a continuidade de uma marca histórica de Santa Catarina. A companhia sustenta que é viável, não é insolvente e mantém posição credora líquida perante a União.
Os investimentos em curso também reforçam a estratégia de retomada operacional. Ao todo, R$ 37,5 milhões foram aplicados na modernização das unidades de Blumenau (SC) e Artur Nogueira (SP).
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