O primeiro semestre de 2026 foi marcado por dois momentos distintos na Bolsa brasileira. Depois de um início de ano com forte entrada de recursos estrangeiros e sucessivos recordes do Ibovespa, o mercado passou a enfrentar um ambiente de maior cautela no segundo trimestre, influenciado pelo aumento das tensões geopolíticas, pela volatilidade global e pela reavaliação dos riscos domésticos.
Levantamento da Elos Ayta Consultoria, com base em dados da B3, mostra que os investidores estrangeiros aportaram R$ 33,85 bilhões líquidos na Bolsa brasileira entre janeiro e junho, desconsiderando operações de IPOs e follow-ons.
É o melhor resultado para um primeiro semestre desde a segunda metade de 2022, quando o saldo positivo foi de R$ 48,92 bilhões. Ao considerar também as ofertas públicas de ações, o fluxo líquido sobe para R$ 36,73 bilhões.
Apesar do saldo positivo, os dados mostram que praticamente toda essa entrada ocorreu nos três primeiros meses do ano. Entre janeiro e março, o mercado recebeu R$ 53,36 bilhões líquidos de investidores estrangeiros, um dos maiores ingressos trimestrais da série histórica iniciada em 2022.
“O primeiro trimestre refletiu uma combinação extremamente favorável para o mercado brasileiro”, afirma a Elos Ayta.
Segundo a consultoria, naquele período a Bolsa brasileira reunia fatores que favoreciam a entrada de capital internacional.
O cenário muda entre abril e junho
No segundo trimestre, a Bolsa registrou saída líquida de R$ 19,52 bilhões, desconsiderando IPOs e follow-ons. Foi o segundo pior resultado trimestral da série histórica, atrás apenas do primeiro trimestre de 2024, quando a retirada somou R$ 22,90 bilhões.
Mesmo incluindo IPOs e follow-ons, o movimento permaneceu negativo, com saída líquida de R$ 17,10 bilhões.
“O investidor estrangeiro não abandonou o mercado brasileiro. Houve uma mudança significativa na percepção de risco”, destaca a consultoria.
A Elos Ayta atribui essa mudança ao agravamento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Oriente Médio, ao aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, à valorização do petróleo e à revisão das expectativas para a política monetária norte-americana.
Cenário doméstico impulsiona Ibovespa
No pregão de sexta-feira (10), a Bolsa voltou a ganhar força. O Ibovespa avançou 2,97%, encerrando aos 177.866,37 pontos, maior fechamento desde 14 de maio. Na semana, o índice acumulou alta de 2,18%; em julho, o avanço chega a 3,40%; e, no ano, a valorização é de 10,39%.
O principal fator para o desempenho do dia foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. A inflação desacelerou para 0,16%, após alta de 0,58% em maio, ficando abaixo das expectativas do mercado. Em 12 meses, o índice acumula 4,64%.
O resultado reforçou as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá retomar o ciclo de redução da Selic na reunião de agosto, cenário que tende a beneficiar o mercado acionário ao reduzir o custo de financiamento das empresas.
O dólar também encerrou a sessão em queda. A moeda norte-americana recuou 0,31%, fechando cotada a R$ 5,108, menor valor desde 16 de junho. Foi a terceira baixa consecutiva, acumulando desvalorização de 1,18% na semana e de 6,94% em 2026.
Principais números (fechamento de sexta-feira)
- Ibovespa: +2,97%, aos 177.866,37 pontos
- Dólar: -0,31%, a R$ 5,108
- Petróleo Brent: -0,38%, a US$ 76,01 por barril
Com informações de Agência Brasil
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