Ações de C&A, Renner e Riachuelo caem sob efeito do fim da “taxa das blusinhas”

Análise do BTG Pactual aponta maior risco para varejo de baixa renda

Brasileiros estão mais dispostos a gastar e intenção de compra no varejo cresce 2,44%

As ações das varejistas de moda C&A, Lojas Renner e Riachuelo registraram queda no Ibovespa nesta quarta-feira, 13. O BTG Pactual apontou as três companhias como as mais expostas ao risco competitivo diante da revogação da “taxa das blusinhas”. Segundo o banco, as varejistas têm maior concentração no público de renda média e baixa, segmento mais sensível a preços e mais suscetível à concorrência de plataformas asiáticas.

Por volta das 10h35 (horário de Brasília), os papéis da C&A (CEAB3) entraram em leilão após recuo de 1,46%, cotados a R$ 10,81. No mesmo horário, as ações da Lojas Renner (LREN3) caíam 1,46%, enquanto os papéis da Riachuelo (GUAR3) registravam a maior baixa, de 2,8%.

Mesmo com a “taxa das blusinhas” em vigor, as plataformas asiáticas mantêm vantagem competitiva de preço frente ao varejo brasileiro. Uma pesquisa do BTG Pactual, baseada em uma cesta de oito produtos, mostra que a Shein é, atualmente, 6% mais barata que a Riachuelo, 10% mais barata que a Lojas Renner e 13% mais barata que a C&A. Segundo o banco, essa diferença é determinante para o consumidor de renda média e baixa.

O histórico recente exemplifica o impacto desse cenário. Durante o pico de pressão competitiva entre 2023 e 2024, o crescimento da receita das varejistas listadas desacelerou para um dígito baixo, enquanto a intensidade promocional — o volume de descontos necessário para atrair clientes — aumentou de forma expressiva. Com margens comprimidas, o setor enfrentou um de seus períodos mais difíceis na história recente.

O BTG Pactual reconhece, no entanto, que Lojas Renner, C&A e Guararapes (Riachuelo) avançaram em frentes como gestão de inventário, maior assertividade na escolha de produtos, flexibilidade no abastecimento (sourcing) e integração entre canais físicos e digitais.

O principal indicador a ser acompanhado nos próximos trimestres será a margem bruta, segundo o BTG Pactual. Para o banco, a manutenção das margens indicará capacidade de adaptação ao novo cenário competitivo. Já uma deterioração reforçaria a percepção de que o fim da taxa teve impacto maior do que o esperado.

Com informações do BTG Pactual.
Imagem: Shutterstock 

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