O conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Peter Navarro, criticou nesta quinta-feira, 15, a possibilidade da montadora americana Ford realizar uma parceria com chinesa BYD para compra de baterias.
“Então a Ford quer simultaneamente fortalecer a cadeia de suprimentos de um concorrente chinês e torná-la mais vulnerável à extorsão dessa mesma cadeia de suprimentos? O que poderia dar errado aqui?”, escreveu Navarro na rede X.
A informação partiu do The Wall Street Journal, que afirmou que a montadora americana compraria baterias da gigante automotiva chinesa para alguns dos modelos de veículos híbridos, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
Uma ideia é que a Ford importaria baterias da BYD para as fábricas fora dos EUA, disseram algumas das pessoas, que acrescentaram que as negociações continuam em andamento e é possível que o acordo não se concretize.
BYD lidera no mercado de carros elétricos
A BYD assumiu a liderança do mercado de veículos elétricos depois que a Tesla registrou queda nas entregas pelo segundo ano seguido.
As vendas da Tesla caíram 9% em todo o ano de 2025 e diminuíram 16% no quarto trimestre em comparação com o ano anterior.
A fabricante de veículos elétricos está se ajustando a um cenário de compras disruptivo com o fim dos subsídios federais. A empresa viu um aumento inesperado de vendas no terceiro trimestre, quando compradores nos EUA se apressaram para aproveitar o crédito fiscal de US$ 7.500 que estava expirando. No quarto trimestre, não houve incentivos especiais.
A montadora chinesa BYD, que não vende veículos nos EUA, comunicou que vendeu 2,26 milhões de veículos elétricos a bateria no ano passado, um aumento de 28% em relação ao ano anterior. A Tesla, por sua vez, disse que vendeu 1,64 milhão de veículos em 2025.
Com informação do Estadão de Conteúdo (Thais Porsch).
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![Um estudo divulgado esta semana pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta que a substituição da produção automotiva completa no Brasil pela montagem de kits importados pode eliminar 69 mil empregos diretos no país e afetar 227 mil postos indiretos ao longo da cadeia produtiva. Segundo o estudo, a ampliação do uso dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) como modelos de montagem pode trazer diversos impactos para o setor automotivo do país, com reflexos não somente no emprego, mas também para os fabricantes de autopeças e para as exportações. “O levantamento estima ainda uma perda econômica de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um único ano. As perdas nas exportações de veículos seriam de R$ 42 bilhões em um ano, prejudicando a balança comercial do país”, destaca a Anfavea. No modelo CKD, o veículo é importado totalmente desmontado e, no Brasil, passaria por sistemas de soldagem, pintura e integração de componentes. Já no regime SKD, o veículo é importado quase pronto, em grandes conjuntos, com uma montagem local mais simples e menor complexidade industrial. Atualmente, a montadora chinesa BYD opera no Brasil principalmente no modelo SKD, que é utilizado em sua fábrica de Camaçari (Bahia), inaugurada no ano passado. Pressão Em meados do ano passado, o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões, com Imposto de Importação zerado, para veículos elétricos e híbridos desmontados. Válida até o dia 31 de janeiro, a medida acabou beneficiando a BYD e gerando muitas críticas de montadoras tradicionais no país como a Toyota, a General Motors, a Volkswagen e a Stellantis, que são representadas pela Anfavea. Com o prazo próximo de vencer, a Anfavea decidiu pressionar o governo federal para que não seja renovado o benefício de isenção de Imposto de Importação sobre veículos eletrificados desmontados. “SKD e CKD não são processos prejudiciais em si. Muitas montadoras iniciaram suas operações no Brasil por esses modelos, recolhendo os devidos impostos e estruturando, a partir disso, sua produção local. Outras valem-se do modelo para atender nichos de mercado. O problema é manter incentivos para a simples montagem em alto volume sem exigência de aporte de valor nacional, o que ameaça a sobrevivência da indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados no país”, defende o presidente da Anfavea, Igor Calvet. Segundo ele, a indústria já instalada no país e de modelos mais tradicionais está preparada para competir com os novos regimes, mas se houver condições similares. “A Anfavea e suas associadas não temem a concorrência. O setor recebeu, ao longo das últimas décadas, diversas marcas internacionais dispostas a investir e competir no Brasil. O que se busca é um ambiente competitivo justo, com regras iguais para todos”, diz Calvet, em nota. Em um manifesto publicado em seu site, a Anfavea reafirma ser contra a renovação da isenção da importação de kits para a fabricação em alto volume no país. “[Essa isenção] pode parecer uma solução vantajosa no curto prazo, mas não constrói uma indústria forte. Modelos produtivos simplificados não desenvolvem cadeias locais, não geram o mesmo nível de empregos e não deixam o mesmo valor no país. E, no longo prazo, fragilizam aquilo que levou décadas para ser construído. Somos a favor da concorrência sem distorções e com coerência regulatória”, diz a associação. Procurada pela Agência Brasil, a BYD ainda não se manifestou sobre o assunto. Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou, por meio de nota, que “o sistema de cotas para importações de CKD e SKD termina neste mês de janeiro e não há, até o momento, nenhum pedido do setor para renovação da medida”.](https://mercadoeconsumo.com.br/wp-content/smush-webp/2023/07/CARROS_SHUTTER-1024x565.jpg.webp)