Transparência Internacional diz que PGR deveria pedir impedimento de Toffoli no caso Master

Pedido ocorreu após revelações deque uma empresa de seus irmãos recebeu recursos de um dos investigados

Transparência Internacional diz que PGR deveria pedir impedimento de Toffoli no caso Master

A organização não governamental (ONG) Transparência Internacional Brasil afirmou nesta sexta-feira, 16, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deveria protocolar um pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli seja declarado impedido de relatar e julgar o caso envolvendo o Banco Master, após revelações deque uma empresa de seus irmãos recebeu recursos de um dos investigados.

O pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões. Para a Transparência Internacional, o próprio ministro deveria se declarar impedido de conduzir o caso.

“O histórico de Toffoli é suficiente para tornar vã qualquer expectativa de que se afaste do caso Master”, escreveu a ONG em seu perfil no X, antigo Twitter. “O que deveria ocorrer é o PGR peticionar pelo impedimento e, após Toffoli negar, os ministros colegiados votarem pelo impedimento. É o que está previsto em lei”, completou.

A ONG avalia, no entanto, que a atuação disposição do tribunal não deve permitir que isso aconteça. “A única hipótese disso ocorrer é a sociedade se mobilizar massiva e insistentemente pela atuação independente da PGR e do STF e pela defesa do interesse público”, afirmou, lembrando outros casos conflituosos em que o ministro não se declarou suspeito ou impedido.

“É um juiz que não se declarou impedido para (1) votar pela anulação da delação de Cabral que o citava; (2) anular monocraticamente as provas da Odebrecht, incluindo depoimento que o citava e email citando o “amigo do amigo de meu pai’; (3) suspender multa de 10bi da J&F, que tinha sua esposa como advogada”, postou no X.

A relação entre a ONG e o ministro é conflituosa há muito tempo. Em 2024, o ministro determinou que a Transparência Internacional fosse investigada “eventual apropriação indevida de recursos públicos” pela organização e “seus respectivos responsáveis”. A ONG teve atuação proeminente durante a operação Lava Jato e mantinha conexões com os procuradores que integraram a força tarefa.

Com informações de Estadão Conteúdo (Weslley Galzo)
Imagem: Agência Brasil

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