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Home Foodservice

Frango Assado mira expansão para dobrar de tamanho

Para elevar as margens, o Frango Assado também tem fortalecido as marcas próprias

Redação de Redação
18 de janeiro de 2026
no Destaque do dia, Foodservice, Notícias
Tempo de leitura: 5 minutos
Frango Assado

Após vender integralmente sua participação no KFC no Brasil, o Grupo International Meal Company (IMC) colocou a rede brasileira Frango Assado no centro das atenções da operação global. Adquirida pelo grupo em 2008, a varejista paulista de 73 anos atravessa uma estratégia de expansão que combina a força da marca nas rodovias com o avanço de canais digitais, vendas online, autoatendimento e formatos adjacentes de conveniência, em busca de ganho de escala e recorrência, tudo isso para manter um ritmo de crescimento na casa dos 15% ao ano, em linha com a média obtida pela empresa desde 2022. Por ora, os planos se concentram no estado de São Paulo e Minas Gerais, mas a entrada em novos estados segue no radar. “Nossa intenção é dobrar o tamanho da marca”, disse  Edvaldo Souza, general manager do Frango Assado. O tempo para isso, no entanto, depende de fatores macroeconômicos.

A decisão do IMC de olhar mais para o Frango Assado ocorre em um momento de reorganização financeira do grupo. No terceiro trimestre de 2025, o grupo que também responde por marcas como Pizza Hut, Viena e Batata Inglesa no Brasil, conseguiu avançar na desalavancagem, com redução de R$ 144 milhões da dívida líquida no acumulado do ano e alavancagem de 2,1 vezes o Ebitda, após a conclusão da operação envolvendo o KFC.

De janeiro a setembro de 2025, a IMC registrou receita líquida consolidada de R$ 1,5 bilhão e Ebitda ajustado recorrente de R$ 202,1 milhões, com crescimento de 10,2% no período. Nesse contexto, o Frango Assado, com 23 lojas, também tem mostrado resiliência operacional: no acumulado de 2025 até o fim de setembro, a receita líquida da rede somou R$ 468,3 milhões, praticamente estável em relação a igual período do ano anterior, com variação negativa de 0,1%. Na comparação trimestral, houve recuo de 2,5%, explicado, conforme o relatório, principalmente pela redução do volume nos postos de combustível, em linha com a estratégia de diminuir a exposição ao diesel, produto de menor margem.

Mesmo sem depender tanto do combustível, o foco nas estradas continua. Segundo Souza, a rede desenvolveu um método próprio para a escolha de pontos, priorizando rodovias de alto fluxo e contratos de longo prazo, que variam de 20 a 30 anos, o que garante previsibilidade à operação e diluição de investimentos ao longo do tempo.

“Como os contratos são longos, é essencial acompanhar os movimentos de privatizações e concessões para entender onde estarão as oportunidades”, disse. Hoje, o Frango Assado concentra sua presença principalmente em São Paulo e Minas Gerais, mas vê espaço para ampliar alcance em outras regiões do país a partir desse mapeamento.

Com uma operação robusta e custosa (são cerca de R$ 5 milhões investidos em cada nova operação) o Frango Assado fez um hiato de três anos até inaugurar, no ano passado, sua 23ª unidade. Localizada na Via Dutra, a nova operação ocupa uma área de 1,4 mil metros quadrados e marca a retomada do projeto de expansão da rede.

De acordo com a companhia, a decisão reflete um modelo mais seletivo de crescimento, alinhado à estratégia de privilegiar pontos com alto fluxo e maior previsibilidade de retorno, em vez de uma expansão acelerada. O general manager reforça que mesmo em um cenário mais acelerado de crescimento, algumas coisas não podem mudar. “O cliente precisa encontrar o espetinho e os produtos clássicos, mas também opções novas”, disse. E, mais do que isso, difundir a cultura da empresa nascida lá em 1952. “Somos bastante conhecidos em São Paulo e Minas Gerais, mas precisamos atingir mais pessoas.”

Tecnologia

Paralelamente à retomada física, o avanço digital tornou-se uma das principais alavancas de crescimento da rede. No terceiro trimestre, o Frango Assado movimentou R$ 55 milhões em vendas digitais, alta de 9,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A estratégia envolve a digitalização da jornada do cliente dentro das lojas, com o uso intensivo de totens de autoatendimento, hoje responsáveis por cerca de 68% das vendas, além do fortalecimento do aplicativo próprio Fran-GO!, que já ultrapassou 500 mil downloads e responde por aproximadamente 7% do faturamento da marca.

A digitalização também se desdobra na monetização do ponto de venda. Com a nova infraestrutura, a rede passou a vender espaços publicitários dentro do próprio ambiente de compra, criando uma nova fonte de receita. Há ainda a expansão por meio do Fran Market, modelo de loja de conveniência da rede, e que hoje responde por aproximadamente 15% do faturamento total.

Para elevar as margens, o Frango Assado também tem fortalecido as marcas próprias (Frango Assado e Nonno Beppe), com um portfólio de aproximadamente 50 SKUs. O portfólio do Frango Assado abrange desde congelados, brinquedos, doces até mesmo água mineral. A empresa também trabalha com parcerias com nomes como B.Lém, Carole Crema e Ceratti para o desenvolvimento de produtos. “Mas o carro-chefe ainda é o tradicional pão de semolina”, disse Souza.

Para atender toda essa demanda, a operação é sustentada pela cozinha central do Frango Assado, instalada em Louveira, no interior de São Paulo. Inaugurada em 2019, a unidade concentra a produção dos principais itens da rede e também abriga a fábrica responsável pelo pão de semolina, produto icônico da marca.

O complexo ocupa cerca de 5 mil metros quadrados e recebeu investimento superior a R$ 35 milhões, reunindo processos industriais e tecnologia para garantir padronização, ganho de produtividade e controle de qualidade em toda a rede. Até então, a rede possuía duas cozinhas centrais, processo que foi unificado com a inauguração de 2019 e deu celeridade e capilaridade na distribuição. Segundo Souza, essa busca por eficiência foi reflexo do trabalho feito em parceria com o Grupo IMC. “Passamos a entender melhor as oportunidades”, afirmou.

O legado

A trajetória do Frango Assado começa no início dos anos 1950, em Louveira, quando José Mamprin, filho de imigrantes italianos, abriu uma pequena barraca de frutas e mantimentos à beira da rodovia Anhanguera, então um dos principais eixos de ligação entre a capital e o interior paulista. O negócio, tocado em família, atendia viajantes e caminhoneiros que paravam para refeições rápidas. O frango preparado de forma artesanal logo se destacou e passou a atrair clientela recorrente, transformando o ponto de parada em destino conhecido na estrada.

Com o aumento da demanda, a barraca evoluiu para restaurante e, ainda na década de 1950, adotou oficialmente o nome Frango Assado, consolidando a identidade do negócio em torno do prato que havia se tornado sua marca registrada. Ao longo dos anos seguintes, a família Mamprin ampliou a operação, acompanhando a expansão do tráfego rodoviário no estado de São Paulo. Novas unidades surgiram em importantes corredores viários, como as rodovias Imigrantes e Via Dutra, reforçando o modelo de restaurante de estrada e a relação da marca com o fluxo rodoviário.

A virada empresarial ocorre a partir do fim dos anos 1960, quando a terceira geração da família assume a gestão e inicia um processo de profissionalização. A centralização administrativa, a padronização de processos e, mais tarde, a criação de estruturas próprias de produção marcaram esse período, permitindo à rede ganhar escala sem perder identidade. Esse movimento preparou o Frango Assado para uma nova fase de crescimento, culminando, décadas depois, na venda da operação ao Grupo IMC, em 2008, e na incorporação da marca a um portfólio corporativo mais amplo – sem romper com suas origens na estrada.

Com informações de Agência Brasil
Imagem: Divulgação

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