Brasileiros têm comprado cada vez mais em sites e apps internacionais, e a arrecadação do Programa Remessa Conforme (Prc), a chamada “taxa das blusinhas”, também bate recordes. Levantamento da Dc News a partir de balanços da Receita Federal mostra que, em 2025, o Brasil recebeu 165,5 milhões de remessas do exterior, sendo 97% delas registradas no Prc, gerando R$ 3,52 bilhões em impostos. Novembro, mês da Black Friday, concentrou o maior volume, com 17,7 milhões de remessas e R$ 397,1 milhões arrecadados; fevereiro foi o menor, com 10,5 milhões de remessas e R$ 213,8 milhões em taxas.
Os dados foram obtidos em relatórios de avaliação de resultados do Programa Remessa Conforme, da Secretaria Especial da Receita Federal. Os documentos abrangem informações relativas às remessas postais internacionais, sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Ect), e às remessas expressas internacionais feitas por 33 empresas de courier habilitadas para a operação.
Em vigor desde 2024, o Prc estabeleceu tributação diferenciada para empresas de comércio eletrônico, com remessas de até US$ 50, cerca de R$ 260, sujeitas a 20% de imposto de importação e 17% de Icms, e acima desse valor o imposto sobe para 60%.
Criado para reduzir a evasão fiscal e proteger a competitividade do comércio nacional, o programa responde ao crescimento das importações via e-commerce. Relatório da Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico (Geade) da CNC aponta que, em 2022, 98,1% das remessas internacionais entraram no país sem declaração adequada.
Perfil dos Consumidores
Mas quem e como está comprando em sites internacionais a partir do Brasil? O estudo Consumo de Moda no Brasil, realizado pela Opinion Box, traz algumas respostas.
De acordo com o levantamento, feito entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, 46% das pessoas já compraram e continuam comprando em plataformas estrangeiras. A importação também gera receios aos consumidores, preocupados principalmente com a possibilidade de taxação, atraso na entrega e dificuldade na troca dos produtos.
Entre quem já comprou fora do Brasil, 45% dizem ter enfrentado algum problema. A insatisfação com os impostos é grande: 70% são contra as taxas embutidas em peças de vestuário para uso próprio. A pesquisa registra ainda que 20% dos entrevistados já importaram, mas não têm interesse em voltar a comprar produtos internacionais.
A sondagem da Opinion Box mostra que 25% dos consumidores compram roupas a cada dois ou três meses, seguidos de 24% que compram mensalmente. Em gasto mensal, quase metade (48%) investe entre R$ 101 e R$ 300, indicando consumo recorrente já incorporado ao orçamento. O relatório Mercado de Moda, da Iemi, aponta que 21% dos produtos de vestuário no Brasil são importados. Segundo a consultoria, o consumo interno cresceu 42% em volume entre 2000 e 2024, mas subiu apenas 7% em valor real, refletindo a queda do valor médio dos produtos.
Daniela Dantas, CCO da Worth Global Style Network (Wgsn), referência em tendências de consumo e design, analisa o varejo de moda brasileiro e fala em “renascimento da curadoria”, destacando que os consumidores buscam “descobertas memoráveis” nas plataformas. Ela recomenda que os varejistas repensem a jornada de venda, já que o excesso de opções causa fadiga, e ressalta que a tecnologia é um habilitador essencial desse processo.
A pesquisa também questionou o que leva o público brasileiro de moda a comprar. O preço (74%) lidera, seguido por qualidade (70%) e promoções (66%).
Com informações de Agência Dc News.
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