A Motiva anunciou nesta terça, 19, a venda de 100% da sua plataforma de aeroportos para a Aeropuerto de Cancún, S.A. de C.V., uma subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste, S.A.B. de C.V. (ASUR), que opera nove aeroportos no México e outros sete na América Latina. A transação é avaliada em R$ 11,5 bilhões.
As 20 operações aeroportuárias da Motiva na América Latina incluem 17 no Brasil e três em outros países da região. Eles movimentam, anualmente, cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares. Estes números colocam a operação como a terceira maior do Brasil, com ativos estratégicos, como os aeroportos de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia.
A previsão é de que a conclusão do processo aconteça em 2026, após a aprovação pelo poder concedente e pelos órgãos de defesa da concorrência. Até o fechamento, a Motiva seguirá tocando a operação, mantendo o quadro atual de colaboradores e assegurando o cumprimento integral dos contratos vigentes e investimentos previstos.
Para a Motiva, a venda da plataforma de aeroportos está relacionada à estratégia de simplificação do portfólio com destravamento de valor, anunciada pela Companhia no seu plano estratégico Ambição 2035. “Ao avançarmos na reciclagem de capital e simplificarmos o nosso portfólio, ampliamos a nossa capacidade de investimento nos segmentos estratégicos para nossa companhia, em especial de rodovias e trilhos. Esta transação, de alta relevância para a execução de nosso Plano Estratégico Ambição 2035, vai destravar valor em nosso portfólio e simplificar nosso modelo de negócio, fortalecendo a nossa posição para liderarmos o futuro da mobilidade no Brasil”, afirmou o CEO da Motiva, Miguel Setas.
Melhoria de perfil de endividamento
O valor da transação, de R$ 11,5 bilhões, se divide entre R$ 5 bilhões em equity pelas participações acionárias da companhia nos ativos aeroportuários e R$ 6,5 bilhões em dívidas líquidas, e equivale à alienação de 100% das ações detidas pela Motiva na CPC Holding, veículo que consolida as cotas da Companhia nos seus 20 aeroportos.
Pelos termos da transação, os ativos foram precificados a um múltiplo EV/EBITDA (LTM) de 8,8x at stake, acima do múltiplo atual da Motiva, proporcionando criação de valor. Os recursos da operação serão utilizados para a redução do endividamento da holding.
Com a conclusão do negócio, a alavancagem consolidada, que considera as controladas em conjunto com a Motiva, cairia de 3,5 vezes para menos de 3,0 vezes, ampliando a capacidade financeira da companhia para fazer frente ao pipeline de R$ 160 bilhões de oportunidades mapeadas para os próximos anos para concessões rodoviárias, de trens e metrôs no Brasil, além de otimizar a estrutura de capital e melhorar o perfil de risco do portfólio.
“A operação de venda da plataforma de Aeroportos da Motiva reforça o nosso compromisso com a disciplina de capital e a seletividade na alocação de nossos recursos. Ao melhorar o perfil do nosso endividamento e praticamente zerar o endividamento líquido na holding, fortalecemos nossa capacidade de entregar resultados superiores ao mercado e de estarmos bem-preparados para capturar as melhores oportunidades no robusto pipeline de concessões no Brasil”, afirma o vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores e Presidente da Motiva Aeroportos, Waldo Perez.
Maior transação do momento
Essa era a maior transação aeroportuária em curso no mundo neste momento. O processo competitivo atraiu o interesse de mais de 20 grupos europeus, latino-americanos e asiáticos.
O grupo mexicano Aeropuerto de Cancún possui experiência em gestão aeroportuária. O grupo, atualmente, opera nove aeroportos no México e outros sete na América Latina. “A vinda de um player mexicano vai ampliar as relações comerciais entre Brasil e México e fortalecer o turismo de negócios e de lazer entre os dois países. Nós estamos falando da maior transação aeroportuária em curso no mundo”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. “O investimento de R$ 5 bilhões por uma operadora internacional no Brasil é uma demonstração de confiança no crescimento da aviação no País.”
O ministro evidenciou a possibilidade de ampliação dos voos entre os dois países e de incremento do turismo de lazer e de negócios. Pela posição geográfica estratégica dos dois países da América Latina, ao sul e ao norte, Brasil e México podem ser hubs aeroportuários, com conexão entre Estados Unidos e os países sul-americanos.
A conclusão da operação depende da verificação de condições precedentes, nomeadamente da aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), bem como de credores, além das aprovações regulatórias nas restantes jurisdições onde a Motiva Aeroportos detém operações.
Imagem: Divulgação














