A operação brasileira do mercado italiano de alimentos Eataly conseguiu suspender na Justiça a execução de uma ordem de despejo da loja em que opera, na Avenida Juscelino Kubitscheck, região nobre da cidade de São Paulo. A ação foi ajuizada pela Caoa Patrimonial, proprietária do imóvel onde no passado funcionou uma concessionária do grupo.
Em dificuldades financeiras, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial no fim do ano passado, com dívidas que somam cerca de R$ 50 milhões e vem travando na Justiça uma batalha para evitar a perda do ponto.
“A decisão da Justiça reforça que a desocupação inviabilizaria a recuperação da companhia, impactando diretamente as operações e resultando na rescisão imediata de diversos contratos de trabalho”, afirmou a Eataly, em nota.
Segundo a empresa, o mercado emprega 300 pessoas. A crise financeira ganhou um novo capítulo no início deste ano, depois que a operação brasileira perdeu o direito de usar a marca Eataly, conhecida mundialmente.
A representante local diz que a decisão não é definitiva e que o mérito ainda será analisado pelas instâncias competentes.
A retirada dos direitos de uso do nome Eataly foi decidida numa arbitragem entre o grupo italiano e a representante local, que tenta reverter a medida. Na loja, todas as referências ao nome tiveram de ser retiradas.
O letreiro da fachada foi desmontado e tarjas passaram a cobrir menções à marca no interior.
O que o grupo diz no pedido de recuperação judicial
No pedido de recuperação judicial, o grupo brasileiro diz que a crise financeira se deu como reflexo dos impactos da pandemia, além dos altos custos do aluguel e de importação dos produtos vendidos no mercado.
A gestão atual diz ter injetado R$ 20 milhões para tentar equalizar os problemas da empresa.
“O Eataly reafirma sua dedicação à continuidade das operações e confia em um desfecho positivo para o processo judicial. A empresa segue focada no desenvolvimento e no crescimento sustentável do negócio, adotando todas as medidas necessárias para garantir a preservação de suas atividades”, afirmou a companhia, em nota.
Conhecido por ser um dos mais tradicionais mercados de produtos italianos, o Eataly foi concebido em Turim, na Itália, em 2007, com o conceito de inovar na distribuição de itens agrícolas típicos do país europeu.
Hoje, está presente em ao menos 10 países, em cidades como Paris, Chicago, Londres e Tóquio.
O mercado virou um símbolo global por reunir itens como vinhos, massas e chocolates, além de restaurantes, sorveterias e cafés.
Com informações de Estadão Conteúdo
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