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Carrefour vai destinar mais dois dias de vendas a ações de comitê de diversidade

O resultado das vendas feitas pelo Carrefour nesta quinta (26) e sexta-feira (27) será revertido para ações orientadas pelo Comitê Externo de Livre Expressão sobre Diversidade e Inclusão, criado após a morte de um homem numa loja de Porto Alegre (RS) na semana passada. Os recursos se somam aos R$ 25 milhões já anunciados pela empresa e ao resultado de vendas do dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra.

O comitê, segundo o grupo, não tem vínculo de subordinação ao Carrefour Brasil. Ele é formado por especialistas e líderes de movimentos negros e personalidades com voz ativa nas questões raciais. São eles: Rachel Maia, Adriana Barbosa, Celso Athayde, Silvio Almeida, Anna Karla da Silva Pereira, Mariana Ferreira dos Santos, Maurício Pestana, Renato Meirelles e Ricardo Sales.

O grupo foi formado a partir de diálogos decorrentes da morte de João Alberto, um homem negro de 40 anos que, segundo laudos da polícia, foi asfixiado por seguranças depois de um suposto desentendimento no supermercado. O objetivo é assessorar a empresa em diretrizes e ações contra o racismo em todas as unidades da rede.

O comitê também indicou que, em sinal de respeito ao homem, nesta quinta-feira todas as lojas do Carrefour deverão estar fechadas até as 14h, sendo reabertas com um minuto de silêncio. Durante esse período, todos os colaboradores passarão por uma ação em reforço à conscientização no combate à discriminação racial. A unidade do Carrefour no bairro Passos D’areia em Porto Alegre ficará fechada.

Revisão de contratações

Inicialmente, o grupo já recomendou a realização imediata de treinamentos intensivos com o quadro de colaboradores e a revisão da concepção e da contratação dos serviços de segurança, bem como dos procedimentos adotados na relação com associações de segurança privada e de transporte e respectivas autoridades competentes. Além disso, todas as lojas também devem ser pontos de divulgação da Política de Tolerância Zero a todo tipo de discriminação.

Com relação ao ecossistema da companhia, todos os fornecedores e pares também serão orientados a seguir boas práticas para lidar com estas questões e serão estabelecidos indicadores para aferir o cumprimento e adequação a essas orientações.

Em resposta à sociedade, serão promovidos fóruns de debate e pesquisas que embasem o crescimento da discussão sobre racismo no Brasil, além da contratação de 20 mil novos colaboradores por ano respeitando a representatividade racial da população brasileira e do apoio a instituições de ensino do País na formação profissional de jovens negros e negras.

O Grupo Carrefour divulgou uma lista com todas as medidas elaboradas pelo comitê e que serão colocadas em prática ou reforçadas (confira abaixo). A empresa diz que, em 15 dias, vai dar um detalhamento do plano de orientação e embasamento das ações.

Compromissos iniciais assumidos pelo Carrefour:

  1. Adotar uma política de tolerância zero ao racismo e à discriminação por razões de raça e etnia, origem, condição social, identidade de gênero, orientação sexual, idade, deficiência e religião no Carrefour e em toda sua cadeia de valor, conforme estabelecida na Constituição Federal e em diferentes leis brasileiras e em acordos internacionais reconhecidos e firmados pelo País. Uma cláusula de combate ao racismo será inserida em todos os contratos com fornecedores e, se comprovado o fato, seu descumprimento implicará em rompimento do contrato. Fornecedores que já têm essa cláusula em contrato serão valorizados.
  2. Iniciar imediatamente a transformação radical do modelo de segurança do Carrefour, internalizando as equipes das três lojas da cidade de Porto Alegre com apoio da ICTS Brasil, empresa especializada em transformação da segurança privada, e estabelecendo regras rigorosas de recrutamento e treinamento para transformar profundamente o time de segurança, com orientação e apoio e em parceria com organizações reconhecidas do movimento negro no combate a todo tipo de discriminação e de violência aos direitos humanos e fundamentalmente ao racismo estrutural. O Carrefour manterá ações estruturantes e regulares de educação para os direitos humanos para todos os seus funcionários e demandará que seus fornecedores, sobretudo na área de segurança e vigilância, também o façam, sempre em parceria com organizações reconhecidas do movimento negro. Pesquisas regulares vão permitir o monitoramento dessa educação para os direitos humanos, identificação de oportunidades e correções de rumo, quando e onde se fizerem necessários. Revisão do modelo de validação das empresas de segurança terceirizadas e dos procedimentos junto com as associações de segurança privada e de transporte. A prática de treinamento, seleção e recrutamento a partir de valores de respeito e direitos humanos será aplicada e monitorada em toda a cadeia de valor do Carrefour.
  3. Divulgar de forma clara, ostensiva e permanente uma Política de Tolerância Zero a todo tipo de discriminação, com treinamento de todos os colaboradores em todas as unidades do Carrefour.
  4. Oferecer qualificação diferenciada para 100 negros e negras por ano para aceleração na carreira no Carrefour, permitindo que cheguem mais rapidamente a cargos de liderança. Haverá metas anuais para a formação e ascensão em carreiras dentro do Carrefour, em diferentes áreas, de pessoas negras. Haverá metas específicas para ocupação de cargos de liderança por pessoas negras. Haverá medidas específicas de engajamento de profissionais negros da área de Saúde e Psicologia para apoiar o desenvolvimento de pessoas negras em cargos de liderança, estagiários e trainees.
  5. Apoio a instituições de ensino distribuídas pelo País para formação profissional de jovens negros e negras. Investimento em três áreas de impacto para a população negra, sobretudo mulheres e jovens: Educação, Mercado de trabalho e Empreendedorismo.
  6. Contratação aproximada de 20 mil novos colaboradores por ano respeitando a representatividade racial da população de cada estado do país, mas com percentual mínimo de 50% de negros entre os novos contratados. Apoiar o processo de letramento racial para o correto desenvolvimento do Censo Demográfico Brasileiro.
  7. Implementação de um dispositivo digital para denúncias domésticas, raciais e de violência contra a mulher no site e aplicativos do Carrefour, garantindo anonimato, para posterior encaminhamento aos órgãos competentes.
  8. Criação de uma Aceleradora voltada ao desenvolvimento do empreendedorismo negro nas comunidades no entorno das lojas de Porto Alegre.

Imagem: Divulgação

Redação

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