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FOMO, JOMO e outras reflexões precipitadas pelo Clubhouse

A expansão acelerada do Clubhouse nos últimos meses, em especial nas últimas semanas, precipitou uma inevitável série de análises comportamentais, retomando as discussões do FOMO – Fear of Missing Out, e do JOMO – Joy of Missing Out. Mas, para além das questões comportamentais e sociais, das mais relevantes, ainda existem aquelas ligadas ao trabalho, à produtividade e à eficiência, em particular em tempos de nova escalada da pandemia e da consolidação do home office como alternativa definitiva no ambiente empresarial.

O conceito do FOMO, “medo de estar por fora”, está completando 20 anos, e o do JOMO, “prazer em estar por fora” e contraponto ao FOMO, é muito mais recente. Ambos estão muito relacionados ao aspecto viciante do acesso e do uso das redes sociais, comportamento atemporal, no sentido que envolve todas as idades, ainda que esteja mais presente nas novas gerações.

E quando se espalha uma nova alternativa como o Clubhouse, com menos de um ano de vida e com sua diferenciação no acesso por indicação, toda a discussão se reacende, pois envolve uma série de fatores que vão dos empresariais – ciclo de vida das redes sociais e seus impactos nos negócios e na comunicação – aos comportamentais e sociais, na disputa da preferência individual e coletiva por segmentos de mercado.

Mas o que pouco se tem discutido é o impacto da gestão do acesso e do tempo envolvido nas redes sociais e nos caminhos digitais na eficiência e produtividade, quando as novas cepas e o recrudescimento dos efeitos da pandemia, somados ao atraso na vacinação, impõem mais isolamento e o home office está incorporado como alternativa mais sensata e economicamente interessante para a situação atual e futura.

Valorizado como merece o enorme benefício do uso contínuo das redes e as alternativas digitais para pesquisa, estudo, interação, relacionamento e informação, não se pode ignorar a componente alienante associada à atratividade, em alguns casos viciante, gerada pelo constante acesso e seus impactos também no comportamento, relacionamentos e atividades pessoais e profissionais.

Insistimos em seu caráter atemporal, que não discrimina idade, sexo ou qualquer outro elemento. Tudo isso tem uma perspectiva potencializada ante à crescente e definitiva adoção do home office como parte do decantado “novo normal”.

Para muitos negócios e atividades, o home office mostrou muito mais virtudes do que problemas à medida que, no curto prazo, reduziu exposição ao coronavírus, eliminou tempo ocioso nos deslocamentos, viabilizou redução de custos em espaços corporativos e outros, reconfigurou a realidade individual na nova opção e, em muitos casos, permitiu até mesmo aumento da produtividade pessoal para quem se organizou e priorizou essa opção.

De outro lado, o isolamento, o maior tempo discricionário ganho com a redução dos deslocamentos, encontros e atividades sociais, momentânea ou permanentemente revistos, ensejaram um aumento de tempo e dedicação envolvidos nas redes sociais, com seu potencial efeito viciante inebriante, com potenciais consequências negativas, para além de todas as reconhecidas positivas.

É na componente negativa que, momentaneamente, queremos nos concentrar, pois tudo indica que o processo tende a ser potencializado à medida que o equilíbrio entre o FOMO e o JOMO é cada vez mais instável e o efeito manada tende a ser mais forte em direção à necessidade de estar atual e conectado, ensejando o comportamento coletivo de maior dedicação de tempo e atenção acompanhando e se obrigando a estar presente nas redes.

Sem falar no atrativo despertado pelos inúmeros cases espalhados de forma voraz nos milhões ganhos por influencers e assemelhados no ambiente das redes.

O poder da pressão é emocional, social e financeiro e o efeito manada está aí para comprovar.

Para ficarmos apenas na vertente empresarial dessa ampla discussão, temos o desafio de buscar o desejado e necessário aumento de eficiência e produtividade num cenário de desigualdade setorial e generalizada perda de capacidade competitiva impostos pela pandemia, apesar da atratividade da instantaneidade e atualidade das redes competindo pela atenção de colaboradores e líderes isolados em suas atividades profissionais e empresariais.

E isso impõe constante troca de informações, novos instrumentos e possibilidades de apoio aos colaboradores, novas alternativas para a interação produtiva no ambiente empresarial e profissional e o repensar da cultura organizacional dentro da nova realidade.

Talvez valha mais uma sala dedicada à discussão, dentre as inúmeras já existentes, no Clubhouse.

Nota: Acompanhe nesta segunda-feira (15), às 19h30, um painel sobre os desafios da eficiência e da produtividade em tempos de expansão do home office, tema deste artigo, no Clubhouse. A sala terá como host Marcos Gouvêa de Souza e, como co-hosts, Juliano Ohta, CEO da Telhanorte Tumelero, Allan Barros, CEO da agência Pullse, Paulo Camargo, presidente da Arcos Dorados, operadora do McDonald’s no Brasil, e Claudia Elisa Soares, conselheira de administração de IBGC, Even e Roldão Atacadista (clique no player abaixo para ouvir o convite).

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem
Imagem: Arte/Mercado&Consumo

 

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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