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Internacional: Varejo deixa grandes shoppings e foca em proximidade e conveniência

No mundo todo, a agenda do varejo está ocupada. Ao mesmo tempo em que precisam arcar com as perdas operacionais de 2020, as empresas do setor pagam empréstimos públicos e buscam inovação. Entre o corte de gastos e o ganho de eficiência, a pressão sobre aluguéis e outras despesas está grande. Para algumas delas, a dependência dos shoppings acende um alerta.

“Antes da Covid-19, os varejistas e as marcas tinham de estar muito visíveis em locais nobres, como o shopping Westfield London [em Londres, Inglaterra] ou o Hoog Catharijne, em Utrecht [Holanda]. Era um questão de imagem, mesmo se você não ganhasse muito dinheiro”, disse Emmanuel de Courcel, C.E.O. da consultoria Retail Int, ao portal Global Retail News.

“Hoje, os varejistas estão lutando pela sobrevivência. Vários nos dizem que planejam sair dos grandes shoppings de primeira linha, porque não faz sentido eles permanecerem e perderem dinheiro. Um investimento mais robusto pode ser feito em locais que oferecem conveniência e proximidade com o cliente. Isso é exatamente o oposto do que costumávamos observar. Os donos de terrenos apostavam em varejo de entretenimento, praças de alimentação e atividades de lazer, como cinemas e pistas de boliche. Antes da Covid-19, quando lojas não lucrativas fechavam, geralmente eram aquelas localizadas em cidades pequenas ou pequenas centros comerciais.”

Centros de varejo de subúrbio

Estudos mostram que, neste começo de 2021, houve uma queda de tráfego de pessoas em shopping centers e ruas principais. Os centros de varejo de subúrbio, para onde as pessoas vão de carro fazer compras em grandes lojas, foram favorecidos.

Na administradora de shopping centers premium Unibail-Rodamco-Westfield, a renda líquida dos varejistas caiu 26%, para € 1,69 bilhão em 2020. A taxa de vacância cresceu para 4,9% na Europa Continental, 9,7% no Reino Unido e 13,1% nos Estados Unidos. “Quem sabe se o afastamento de locais de alto tráfego vai continuar ou por quanto tempo?” questionou Chris Igwe, CEO da consultoria More or Less. “Quando o equilíbrio se estabelecerá
em termos de home office? O que irá se encaixar entre o consumo nos centros das cidades e em áreas suburbanas? Onde essas tendências levarão os consumidores nos próximos dez a 15 anos? Hoje, ninguém tem respostas claras”, complementou.

Para varejistas, o custo do aluguel por m² é crítico. Num local de alta visibilidade de um shopping premium, ele representa a segunda maior despesa, depois da compras de produtos e antes dos gastos com pessoal.

Há apenas um ano, a moda rede Camaïeu, a maior da França, com 850 pontos de venda no final de 2019, informou que seus custos incluíam “cerca de € 100 milhões por ano em aluguel”. Na L’Occitane nos Estados Unidos, são quase € 25 milhões em 170 lojas. Nos chamados shoppings AAA de propriedade de Hammerson ou Klépierre, a “taxa de esforço” (aluguéis, incluindo encargos, divididos pelas vendas da loja) é frequentemente entre 12% e 15%.

Boom de apps de entrega

No setor de alimentos e bebidas, o boom de Deliveroo, UberEats e da plataformas de entrega JustEast (eles
têm uma participação de mercado de 33% em vários países da Europa Ocidental) mudou radicalmente os modelos de negócios.

À medida que ganham vendas online, os varejista agora estão reduzindo os espaços físicos. No geral, os varejistas entrevistados pelo GRN estão limitando as áreas de vendas e a porcentagem de assentos para os clientes pelo menos até 2022, após a turbulência do ano passado. Um exemplo é um restaurante especializado em comida asiática cujo negócio já está baseado principalmente em vendas take away. “Em 2020, fechamos todas as torneiras para gastos”, disse o CEO.

“Colocamos em modo de espera os investimentos em grandes lojas em shoppings e centros das cidades. Anteriormente, nós concebíamos estes espaços com foco em ter mais assentos. Mas um dos impactos da Covid-19 foi uma redução do tamanho das lojas, que têm menos clientes sentados. Além disso, no nosso setor, o desafio não é mais abrir um ponto de venda. A questão é decidir se investimos para em nossa própria frota de entrega ou permanecemos em parceria com um agregador, como Deliveroo ou UberEats, que compromete a nossa margem.”

Mudança no mix de lojas

Proprietários de shopping centers estão, ainda questionando o mix histórico de inquilinos, no qual o varejo de moda representa mais de 50% das lojas. “Os shoppings começaram a mudar o mix e passaram a ter menos lojas de vendas de produtos e mais serviços, como lazer ou saúde”, resume Henning Bahr, C.E.O. do Retail Institute Scandinavia.

“Antes, os proprietários de shoppings não tinham problemas nas renovações de alugueis, mas, agora, eles enfrentam o que parece ser um superoferta permanente das áreas. Isso está relacionado ao fato de que inquilinos atuais estão com capacidade reduzida de pagar aluguéis caros, levando a uma rápida e duradoura
desvalorização das propriedades, particularmente para administradoras como Klépierre e URW.”

Muito poucos proprietários adotam um estratégia para operações omnicanal. Enquanto o e-commerce foi responsável por 23% do mercado francês da moda em 2020, iniciativas formais omnicanal em shoppings podem ser contadas nos dedos de uma mão. Algumas opções tímidas são baseadas no uso eficaz de equipes de entrega.

“Por dois a três anos, temos medido a melhor rota para as equipes de entrega da Deliveroo ou do UberEats dentro de nossos shopping centers”, acrescentou um executivo de uma companhia europeia. Temos estacionamento dedicado a eles no nosso porão. As equipes de entrega coletam os pedidos diretamente. Isso exige uma capacidade de armazenamento refrigerado, mas, acima de tudo, permite ganhos de produtividade. Nenhum cliente quer assistir a um desfile de entregadores enquanto come.”

Fonte: Global Retail News.
Imagem: Divulgação

Redação

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