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Inflação corrói e destrói

Momentum 932

Não é apenas um problema atual no Brasil, mas também atinge outros países no mundo pós-pandemia. Os estímulos e programas de ajuda em vários países, bem como os transtornos no abastecimento nos Estados Unidos, França e demais da zona do Euro, deixaram sequelas e uma delas é o crescimento da inflação.

Na realidade brasileira, o quadro é mais sensível e, pelos dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a inflação brasileira estaria entre as maiores do mundo em 2021, com base nas projeções atuais, e só seria superada por Argentina (47%) e Turquia (17,8%). A prévia da inflação para setembro chegou a 1,14% e bateu em 10,05% no acumulado de 12 meses. Para o ano de 2021, a expectativa do mercado cresceu de 7,5% para 8,2%, enquanto para 2022 evoluiu de 3,5% para 3,7%.

A frieza dos números e das projeções escondem uma realidade muito mais dramática, em especial para os segmentos de menor poder aquisitivo, já afetados pelo elevado desemprego, que atingia 14,8 milhões de pessoas em julho, segundo dados do IBGE, e pela redução da massa salarial, que caiu mais de R$ 12 bilhões no período, se comparada com a base já deprimida de 2020.

O efeito prático é a perspectiva de uma sensível redução do consumo, com forte impacto nos segmentos de renda mais baixos e o aprofundamento da desigualdade já potencializada pela pandemia. Sem falar na queda da confiança do consumidor e dos empresários.

A desorganização da produção e do abastecimento, com a falta de produtos e de insumos em algumas categorias, e o crescimento da demanda em diversos setores, em especial os de alimentos e material de construção, criaram um quadro transitório de forte crescimento da inflação. Para conter o processo inflacionário, o Banco Central se viu obrigado a elevar taxas de juros e intervir de forma mais forte.

A escalada da inflação e suas consequências foram um balde de água fria nos que acreditavam numa retomada mais rápida e duradoura, num momento em que se desenhava um quadro de recuperação do consumo com a redução das restrições sanitárias após o avanço da vacinação e a redução das mortes.

Essa situação terá consequências mais sérias no comportamento do consumo no comércio e no varejo no último trimestre, aquele tido como o mais importante para esses setores por acumular os estímulos da Black Friday, do pagamento do 13º e do Natal. Com isso, as expectativas de melhor desempenho são reduzidas, apesar da distensão provocada pela redução das contingências provocadas pela pandemia.

O mais dramático é o impacto nas classes menos favorecidas, ampliando a desigualdade. O jogo político que envolve as próximas eleições presidenciais já está intempestivamente nas ruas e contribui para um clima menos propício para investimentos e projetos de médio e longo prazo.

O impacto da inflação elevada e o inevitável aumento das taxas de juros têm consequências muito mais sérias na grande massa consumidora brasileira, a de menor renda, e afeta menos os segmentos de maior poder aquisitivo, desorganizando ainda mais o mercado. Isso gera consequências maiores no “animus” geral de mercado, exatamente quando as empresas e os empresários estão no ciclo de revisão de seus planos estratégicos e orçamento para os próximos anos.

Existe natural percepção, respaldada pelas projeções da futura inflação e a consequente retração da demanda, de que esse ciclo altista seja passageiro e que possamos caminhar para a desejável estabilidade a partir de 2022.

Mas até lá, empresários, profissionais, empreendedores e a população de forma geral ficam todos ressabiados, cautelosos e desconfiados com o poder destruidor da inflação elevada e, todos, sem exceção, colocam “as barbas de molho” esperando passar mais esse problema.

Nota: o Ecossistema Gouvêa desenvolveu uma metodologia própria integrada e plural de revisão estratégica combinando suas competências ligadas à economia e às transformações estruturais, comportamentais e de mercado, por categoria, canal e segmentos de consumo e geográfico, para apoiar negócios no repensar de suas atividades.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.

Imagem: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

 

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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