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O muito que vai mudar no varejo e consumo com o 5G

Momentum nº 935

Já podemos falar no varejo pré e pós-5G. O 5G já está entre nós de forma incipiente, mas o seu maior impacto vai acontecer a partir de meados de 2022, quando estará presente nas principais cidades brasileiras com todo seu poder transformacional.

Os impactos no varejo brasileiro podem ser antecipados pelo que já acontece em quase 1.400 cidades do mundo, com predominância da Ásia, onde começou sua implantação, na Coreia do Sul, em 2019. Atualmente, a China lidera a corrida do 5G, com quase 350 cidades em operação.

No Brasil, a entrega de propostas para o leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será até o dia 27 de outubro e definição sai até 4 de novembro.

Com metas claras e ambiciosas de implantação para os próximos meses, o 5G se tornará realidade muito mais cedo do que muitos imaginavam, redesenhando muitos setores e atividades, da telemedicina às comunicações, passando pela agricultura, educação, mídia, pagamentos digitais, logística, transportes e, de forma marcante, pelos impactos no consumo e no varejo.

Em termos macroeconômicos, o governo estima um investimento, nos próximos 20 anos, de R$ 163 bilhões em telecomunicações com 5G.

Para efeito imediato serão perto de R$ 50 bilhões, entre valores a serem pagos pela outorga, de R$ 10,6 bilhões, e em tecnologia para implantação de curto prazo, de R$ 39,1 bilhões.

Mas tudo vai gravitar em torno das mudanças que serão precipitadas pelo impacto nos omniconsumidores-cidadãos 5G que vão emergir pela disseminação da oferta dessa tecnologia, ainda que ela esteja condicionada à velocidade de uso por acesso aos equipamentos que permitam sua utilização, o que demandará certo tempo.

Para executivos, empresários e profissionais das mais diversas áreas, é tempo de repensar sobre esses impactos e avaliar aspectos positivos e negativos em suas atividades.

Aspectos técnicos

Em termos apenas técnicos, a transformação ocorrerá pelo impacto em quatro aspectos importantes:

  • Aumento das taxas de transmissão: maior velocidade, pois o 5G promete ser de 50 a 100 vezes mais rápido do que o 4G, podendo chegar à velocidade de download de até 10 GB/segundo. Com isso, será possível baixar um filme inteiro em menos de 10 segundos, o que hoje leva até 10 minutos;
  • Baixa latência: tempo mínimo entre o estímulo e a resposta nas redes de telecomunicações;
  • Maior densidade de conexões avaliada pela quantidade de dispositivos conectados em uma mesma área;
  • Maior eficiência energética dos equipamentos, com benefícios na economia e sustentabilidade, já que estima-se que o 5G consuma 90% menos energia do que o 4G.

Em verdade, o 5G já está entre nós, pois foi lançado em julho de 2020 pela Claro e, posteriormente, por Vivo e Tim. E está disponível pela tecnologia DSS, que funciona como uma transição entre a quarta e a quinta geração da rede e permite a operação simultânea do 5G e 4G nas mesmas frequências.

Poder de transformação

O poder de transformação da implantação do 5G no âmbito do consumo e do varejo deve ser subdividido em quatro vetores principais: o primeiro, mais básico, envolve o mercado que será criado para acesso a celulares e os mais diversos equipamentos eletrônicos, especialmente tudo que envolverá o crescimento de mercado para uso do IoT (Internet das Coisas), com produtos que serão demandados com a tecnologia incorporada. Isso precipitará uma crescente obsolescência do que não esteja compatível com o 5G.

O segundo, sob o ponto de vista dos consumidores, envolve todos os recursos que poderão ser utilizados para ampliar e diferenciar a experiência, permitindo, por exemplo, que a Realidade Virtual ou Realidade Aumentada possa ser parte da experiência de escolha, compra e pagamento dos produtos pelo e-commerce ou lojas.

Da mesma forma que estimula e amplia o uso e as possibilidades das alternativas, como live commerce e live marketing, cria infinitas e relevantes possibilidades de exponenciar a dimensão da emoção nas transações comerciais nas mais diversas categorias de produtos.

Um exemplo dessas possibilidades foi apresentado de forma inédita no Latam Retail Show em 2018 e na Omnistory Ciclo Senna, quando os participantes puderam visitar um museu virtual em homenagem ao piloto, podendo “tocar” os produtos, comprar e pagar dentro do ambiente de realidade virtual, criando uma experiência imersiva única.

O terceiro envolve a ampliação dos ambientes comerciais multiplicando e diversificando os espaços, inclusive as próprias lojas, incluindo a criação e expansão de formatos que operem sem funcionários, facilitando e tornando mais conveniente a vida dos consumidores.

Muitos formatos inovadores sem funcionários surgiram na sua primeira geração, mas agora vão evoluir em seus conceitos, facilidades, conveniência e proximidade que o 5G vai proporcionar.

A quarta dimensão envolve as transformações que serão precipitadas na estratégia e gestão dos negócios, pela incorporação de ferramentas e recursos, que poderão tornar todo o processo mais eficiente, rápido e com melhor rentabilidade dos investimentos.

Tudo que temos visto e acompanhado na China, por exemplo, ligado ao monitoramento do comportamento dos segmentos, nichos e até a customização da oferta de produtos e serviços, exponenciado pela velocidade proporcionada pelo 5G, irá mudar radicalmente a forma como o varejo poderá atuar.

Ônus e bônus

Se é verdadeiro o potencial transformador positivo dos bônus da implantação do 5G nos negócios e na vida do consumo e do varejo, é preciso lembrar que também teremos os ônus relevantes que não podem ser minimizados.

Em primeiro lugar, os investimentos que serão requeridos para adaptar a realidade atual à emergente nos seus quatro principais vetores, sob pena de ser atropelado pela concorrência que irá se multiplicar e diversificar.

Como toda nova tecnologia sendo implantada, existe a exponenciação da concorrência pelo novos entrantes pure tech, que se tornam relevantes rapidamente e com acesso a recursos financeiros facilitados pelo apelo da tecnologia emergente. Vejam, por exemplo, como as fintechs estão tornando o ambiente financeiro muito mais competitivo.

Não deve ser esquecido também o potencial risco envolvido nas questões de cibersegurança pelo uso incorreto dos recursos potencializados pelo 5G e suas implicações nos temas ligados à confidencialidade e restrição de uso de dados.

Por outro lado, considerem toda a transformação que será requerida nos profissionais que estarão envolvidos com a tecnologia 5G e seus inúmeros recursos, alternativas e possibilidades que vão demandar adaptações e recursos relevantes e rápidos para incorporar o que haverá de positivo.

Ainda que o próprio 5G vá facilitar e acelerar muito as alternativas na educação e no treinamento, deverá haver muito foco e trabalho envolvendo as mudanças que precisarão ser feitas nos times das empresas para preparar, incorporar e usar os novos recursos que serão disponibilizados.

Não há dúvida de que podemos, de fato, separar o varejo e consumo pré e pós-5G pelo que se abre de perspectiva e, como tudo que envolve tecnologia e transformação digital, é tempo de mobilizar atenção e foco para antecipar movimentos que serão irreversíveis.

Afinal, faltam apenas nove meses – uma gestação – para que as principais cidades brasileiras tenham o 5G implantado em escala massificada com seus muitos bônus e alguns ônus.

Nota: O Ecossistema Gouvêa desenvolveu uma metodologia própria integrada e plural de revisão estratégica combinando suas competências ligadas à economia e às transformações estruturais, tecnológicas, comportamentais e de mercado, por categoria, canal e segmentos de consumo e geográfico, para apoiar negócios no repensar de suas atividades presentes e futuras.

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.
Imagem: Shutterstock

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza

Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, membro do IDV – Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, do IFB – Instituto Foodservice Brasil, Presidente do LIDE Comércio e membro do Ebeltoft Group, aliança global de consultorias especializadas em varejo em mais de 25 países. Publisher da plataforma Mercado & Consumo.

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