Z11 leva ESG para as empresas na prática, para além da sopa de letrinhas

Em entrevista à Mercado&Consumo, executivo fala da missão da empresa de ajudar pessoas

Após cerca de duas décadas trabalhando no e-commerce, o executivo Ricardo Michelazzo, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios do Z11 Group, já viu muitas tendências surgirem no varejo. Algumas se concretizaram; outras, não. Uma das tendências do momento é a do ESG (governança ambiental, social e corporativa). E é dela que a Z11 Group, que nasceu há 20 anos como uma empresa de compra e venda de computadores, tem se valido para fazer diferença no mercado.

“Deixamos de ser uma empresa com fins lucrativos e viramos uma empresa totalmente dedicada a cuidar de pessoas”, define Michelazzo em entrevista à Mercado&Consumo. A Z11 compra ativos imobilizados de empresas e parceiros, descarta ou transforma esses itens e, nesse último caso, os vende para outras pessoas, usando o lucro para financiar projetos de impacto social. Ou seja, adota práticas que vão além da sopa de letrinhas do ESG.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Mercado&Consumo: Como você vê as tendências atuais do varejo e dos negócios e sua aplicabilidade real?

Ricardo Michelazzo: Ao mesmo tempo em que venho de tecnologia e de comércio eletrônico, tenho navegado em questões muito estruturais do País e na questão do ESG de uma forma menos teórica e mais prática com a Z11. Creio nessas questões de tecnologia e de inovação, mas também acho que, quando nós chegamos lá, temos de carregar mais gente conosco. Temos de carregar quem está na base da pirâmide de consumo e do emprego e até em termos de acesso a essas novidades super legais.

O metaverso, por exemplo, ainda é pouco escalável. É algo que uma base específica de pessoas tem. Então, estamos olhando para baixo. Se a gente não olhar para baixo e puxar essas pessoas, seremos cada vez mais exclusivos, no sentido de excluir as pessoas desse mundo.

M&C: Como a Z11 atua junto a clientes como Vivo, IBM e Peugeot para que elas transformem seus ativos em práticas reais de ESG?

Na Z11, descobrimos como trazer essa realidade para um âmbito mais factível. A gente não tem capital próprio nem dinheiro para investir e não quer depender de doação. A gente descobriu que as empresas têm ativos imobilizados, que trocam com recorrência, como computadores. A Z11 sempre foi uma empresa de compra e venda de máquinas e decidimos destinar os recursos de forma mais aplicada a isso no que a gente acredita.

Existe uma série de entidades que a gente apoia de maneira irrestrita e o investimento todo que a gente tem nessa estrutura, nessas pessoas, ele vem do lucro da compra e venda desses computadores. Nós falamos: “empresas, nós queremos comprar seus ativos, seus computadores usados, suas mesas, seus celulares e até veículos, tudo o que vocês tiverem”. Queremos recolocar isso no mercado e usar esse dinheiro para aplicar nesses caras, porque não podemos depender de benefícios ou de politicas públicas. Queremos ser autossustentáveis e autossuficientes nessa nossa iniciativa.

A Z11 existe há 20 anos. Deixamos de ser somente uma empresa com fins lucrativos e viramos uma empresa totalmente dedicada a cuidar de pessoas. Somos uma empresa totalmente voltada a cuidar do próximo e do ambiente e usamos a atividade de compra e venda de ativos para financiar as nossas iniciativas sociais.

M&C: Como você vê a atuação de outras empresas em ações relacionadas ao ESG ou ao DE&I [diversidade, equidade e inclusão], para citar outra sigla da moda?

RM: Tudo vira escada para estar dentro das keywords no mercado. A gente tem essa quantidade inteira de desempregados, de pessoas sem casa, eu já passei por algumas eleições e tenho um posicionamento pouco otimista. Acho que nós podemos fazer mais. E todas as empresas conseguem fazer mais.  Mas isso tem de ser feito de forma genuína, sem a expectativa do palco ou de que seu artigo seja lido, de redução de imposto a ser pago.

Enquanto isso estiver acontecendo, a gente vai continuar no mesmo impasse. Eu vivi a velocidade que os negócios tiveram a partir do e-commerce e, para mim, o que vai impedir as próximas gerações de evoluírem vai ser o fato de que “gente” vai ser um recurso escasso. Mesmo que robôs sejam usados para muitas coisas, ainda será necessário alguém para manuseá-los. Em todos os cenários, a mão de obra vai faltar. Então, ou a gente puxa esses caras com a gente, ou teremos um problema sério.

Imagem: ShutterStock

Aiana Freitas

Aiana Freitas

Aiana Freitas é editora-chefe da plataforma Mercado&Consumo. Jornalista com experiência na cobertura de tendências de consumo, varejo, negócios, finanças pessoais e direitos do consumidor.

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