Live commerce ganha espaço entre grandes varejistas, mas ainda enfrenta desafios

Modelo de vendas é aposta de empresas para os próximos anos, embora ainda esteja em estado embrionário no Brasil

Grandes marcas como C&A e Samsung têm apostado no live commerce como estratégia de vendas, mas admitem que enfrentam desafios para popularizar o modelo aqui no País. Combinando transmissões ao vivo com vendas pelas plataformas digitais, o live commerce se mostrou tendência na China e desembarcou no Brasil em 2021. De acordo com estudo feito pela Research and Markets, as estimativas para 2027 são de que sejam movimentados US$ 600 bilhões por esse modelo de vendas.

Entre os diversos motivos que explicam a popularidade das live shops (como também podem ser chamadas) está a pandemia, que fez com que milhões de pessoas ficassem em casa e passassem mais tempo conectadas. Além disso, o modelo de negócio conta com a interação constante entre apresentador e consumidores, uma das principais falhas na experiência de compra de um e-commerce convencional.

Outro atrativo para o canal é a alta taxa de conversão. Segundo pesquisa recente feita pelo Grupo Bittencourt, consultoria especializada no desenvolvimento, gestão e expansão de redes de negócios e franquias, a taxa de conversão do live commerce é bem superior à do e-commerce tradicional.

Desafios, testes e entretenimento

Apesar dos altos índices de conversão em comparação com outros canais, e dos diversos níveis de experiência que este modelo pode proporcionar, os desafios e barreiras ainda são grandes. “Live shop é um fenômeno na China, mas no Brasil ainda não é realidade e não tem um conceito fechado. Hoje, ainda é teste atrás de teste para entendermos o que funciona”, disse Natano Mattos, Head de Growth da C&A, que participou do VTEX Day deste ano.

Além do estágio inicial em que o modelo se encontra, o head também destacou que realizar produções neste estilo hoje em dia ainda exige uma grande quantia de dinheiro. Ele disse que esse é o grande desafio – que pode ser explicado pelo fato de existir uma alta demanda e poucas empresas que fazem o trabalho. “Desde nossa primeira live até a feita na última semana, nós reduzimos os custos de produção em 77%”, explicou.

Durante o evento, Natano deu alguns detalhes de como tem sido a experiência e a evolução das live shops na C&A. Segundo ele, hoje a empresa tem uma equipe dedicada especialmente para este modelo e que em média são feitos entre cinco e sete testes por transmissão. “Influenciadores foram o nosso primeiro teste e, no caso da empresa ,isso não se provou, não é um fluxo qualificado”, comentou.

Apesar da necessidade de muitas experiências para encontrar o formato ideal, a C&A tem registrado resultados interessantes. De acordo com a empresa, no horário da transmissão ocorre um crescimento de vendas de 200% e “o cliente da live shop é 80% mais engajado”, completou Mattos.

Uma das explicações para isso é o propósito do que está sendo feito naquele momento. Para ele, é necessário oferecer entretenimento e educar o consumidor sobre os produtos. “É o momento de entretenimento do consumidor. Não estamos brigando com nossos concorrentes, mas sim com a TV, Netflix e outros tipos de entretenimentos”, explicou ele.

Aposta da Samsung

Em situação semelhante, a Samsung enxerga o live commerce como uma aposta e uma importante ferramenta de vendas. Apesar disso, o head de E-commerce da Samsung, Jannos Artusi, também definiu o momento da empresa como “uma fase de aprendizado” e contou que o ano de 2021 foi um grande período de testes. Atualmente, a empresa de eletrônicos conta com dois tipos de lives, uma semanal com estilo mais tradicional e outra para grandes lançamentos, como a com a cantora Anitta.

Sabrina Compatangelo, gerente sênior de Marketing na Samsung, admite que o começo da movimentação da marca em torno do live commerce foi motivado pela popularidade do modelo. “Percebemos uma tendência forte. E nós, como Samsung, recebemos um guide forte para desenvolver esses dois tipos de modelo no Brasil”, completou.

Segundo a gerente, o processo de construção do formato atual é feito semanalmente e conta com dois apresentadores e influenciadores de perfis diferentes, um mais tech e o segundo de outro segmento.

Ela citou que a interação com os consumidores é fundamental para entender o que querem e para produzir a próxima transmissão. “Nós entendemos que esse é o caminho para se aproximar de uma forma mais humana”, completou.

Assim como no caso da C&A, a Samsung percebe uma taxa de conversão alta e algumas dificuldades. “Nós esbarramos na atração de clientes. O que estamos buscando agora é o caminho para atrair essas pessoas”, finalizou Artusi.

Imagem: Shutterstock

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