Abiquim: exportações para os EUA caíram de cerca de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão

Entidade afirma que não há fundamentos econômicos para aplicação de tarifas ao setor químico brasileiro

Márcio Elias: 21% das exportações ficariam expostas a novas tarifas

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro, afirma que os efeitos do primeiro ciclo do tarifaço norte-americano contra produtos brasileiros já são sentidos pela indústria química do País. “Nossas exportações para os Estados Unidos caíram de cerca de US$ 2,2 bilhões para US$ 1,8 bilhão”. diz.

A Abiquim afirma em comunicado que, no que se relaciona à sobretaxa adicional de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos – com base em alegações relacionadas à importação, pelo Brasil, de produtos oriundos de países com vínculos a trabalho forçado – a entidade já havia se manifestado junto ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), durante a consulta pública da Seção 301.

“Na ocasião, a Associação apresentou informações sobre os mecanismos de conformidade adotados pelo setor químico brasileiro e reafirmou o compromisso da indústria com elevados padrões de governança, responsabilidade social e respeito aos direitos humanos, defendendo que eventuais medidas comerciais sejam fundamentadas em critérios técnicos e objetivos”, diz a Abiquim.

Embora o Brasil esteja entre os países atingidos pela medida, a Abiquim diz que não há fundamentos econômicos que justifiquem a aplicação das tarifas ao setor químico brasileiro. Em 2025, os Estados Unidos exportaram cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil e importaram pouco mais de US$ 2 bilhões, mantendo um superávit comercial superior a US$ 9 bilhões.

Além disso, a associação ressalta que essa avaliação não é exclusiva da indústria brasileira. Em carta enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o American Chemistry Council (ACC), principal entidade representativa da indústria química dos Estados Unidos, também manifestou preocupação com a medida, afirmando que tarifas amplas sobre produtos brasileiros podem aumentar custos para diversos setores da economia americana, enfraquecer cadeias produtivas e dificultar os próprios esforços de reindustrialização dos Estados Unidos.

A associação avalia de forma positiva a Medida Provisória que institui o Brasil Soberano III, anunciada pelo governo federal para ampliar o apoio às empresas afetadas pelas novas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. A medida provisória foi editada em resposta ao agravamento das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras, incluindo a nova sobretaxa de 25% decorrente da Seção 301, em vigor desde 22 de julho, que se somava às tarifas já aplicadas pela Seção 232.

O pedido da Abiquim ao governo é que o segmento seja enquadrado no grupo destinado às atividades diretamente afetadas pela medida, permitindo o acesso às linhas de crédito previstas no programa.

“A iniciativa do governo representa um importante instrumento de mitigação dos impactos das tarifas. Agora, é fundamental que a regulamentação esclareça rapidamente os procedimentos de acesso às linhas de crédito, permitindo que os recursos cheguem às empresas com agilidade”, afirma André Passos Cordeiro.

Com informação do Estadão de Conteúdo (Talita Nascimento).
Imagem: Envato 

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