Cade recomenda condenação da B3 por práticas anticoncorrenciais em mercado de ativos

Investigação foi aberta em novembro de 2022 após representação apresentada pela CSD BR

Cade recomenda condenação da B3 por práticas anticoncorrenciais em mercado de ativos

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) recomendou a condenação da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) por infração à ordem econômica em um processo que investigou práticas anticoncorrenciais na prestação de serviços de registro e depósito de ativos nos mercados financeiro e de capitais.

Segundo a Superintendência, os elementos reunidos indicam que a B3 detém posição dominante em importantes segmentos da infraestrutura do mercado financeiro e que determinadas práticas comerciais e operacionais adotadas pela empresa foram aptas a produzir efeitos de fechamento de mercado e dificultar a atuação de concorrentes.

“Entre as condutas analisadas, destacam-se políticas comerciais que vinculavam a obtenção de descontos e vantagens econômicas à concentração de volumes de registro e depósito na mesma infraestrutura, criando incentivos para a concentração de operações na B3 e elevando os custos de migração para infraestruturas concorrentes”, afirma o órgão em nota.

Também foram examinadas estratégias de fidelização de clientes e obstáculos à implementação de soluções de interoperabilidade entre infraestruturas concorrentes. Para a Superintendência, as práticas contribuíram para reforçar barreiras à entrada e à expansão de rivais, reduzindo a capacidade de concorrência em mercados essenciais para o funcionamento do sistema financeiro nacional.

A investigação foi aberta em novembro de 2022 a partir de representação apresentada pela CSD BR, que apontou supostas condutas da B3 capazes de dificultar a entrada e a expansão de concorrentes nos mercados em que a companhia atua.

Além da condenação da B3, o órgão recomendou a aplicação de multa e sugeriu ao Tribunal do Cade a adoção de remédios comportamentais para mitigar os efeitos anticoncorrenciais identificados e ampliar as condições de concorrência nos mercados investigados. O processo será encaminhado ao Tribunal Administrativo do Cade, responsável pelo julgamento definitivo do caso.

Com informação do Estadão de Conteúdo (João Caires).
Imagem: Shutterstock     

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