Brasileiro passa mais de 3 horas no shopping, que se consolida como espaço de experiência

Tempo de permanência mais que dobrou desde 2023; empreendimentos ampliam papel em convivência e entretenimento

Brasileiro passa mais de 3 horas no shopping, que se consolida como espaço de experiência

Os brasileiros estão passando cada vez mais tempo nos shopping centers. Um levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), realizado em parceria com a Talk, mostra que o tempo médio de permanência nos empreendimentos chegou a 3 horas e 20 minutos por visita. É mais do que o dobro do tempo registrado em 2023.

O movimento reflete uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a planejar mais as visitas e a enxergar os shopping centers como espaços de lazer, convivência e experiências, além das compras.

A pesquisa, realizada com 3.360 consumidores que frequentaram shopping centers ao menos uma vez nos últimos três meses, aponta que 67% visitam os empreendimentos pelo menos uma vez por mês, com média de quatro visitas mensais. Ao mesmo tempo, as visitas planejadas cresceram 9% em relação a 2023, especialmente entre consumidores de 20 a 29 anos.

Mudança no papel dos shoppings

Os dados mostram que o papel dos shopping centers vem se ampliando. Para 92% dos entrevistados, os empreendimentos representam espaços de lazer e entretenimento, enquanto 65% os associam às compras. Alimentação aparece em seguida, com 40% das menções, e serviços, como clínicas, academias e coworkings, somam 25%, reforçando a transformação dos shoppings em centros multifuncionais.

“O consumidor busca conveniência, mas também lazer, experiências e momentos de convivência. A permanência mais longa mostra que os empreendimentos continuam relevantes na disputa pelo tempo das pessoas e cada vez mais conectados às necessidades do dia a dia”, afirma o presidente da Abrasce, Glauco Humai.

Essa mudança também se reflete nas motivações de visita. Embora as compras continuem sendo o principal motivo para ir ao shopping, citadas por 58% dos consumidores, praça de alimentação (41%) e cinema (40%) aparecem logo na sequência. Além disso, 71% afirmam frequentar os empreendimentos acompanhados de familiares, consolidando o shopping como um espaço de encontro e convivência.

A pesquisa também evidencia que a jornada de compra se tornou mais integrada entre o ambiente físico e o digital. Oito em cada dez entrevistados realizam compras online, mas 95% continuam comprando em lojas físicas. Entre eles, 70% fazem questão de ver e tocar os produtos antes da compra, enquanto 85% apontam a experiência como fator decisivo para escolher a loja física em vez do ambiente digital.

“A pesquisa confirma que o consumidor circula entre o ambiente digital e o físico de forma complementar. O desafio está em oferecer conveniência e experiências relevantes em todos os pontos de contato, fortalecendo o relacionamento antes, durante e depois da visita”, diz Humai.

Acolhimento e oferta de serviços

Outro destaque é a valorização de ambientes mais acolhedores. Para 68% dos consumidores, espaços com luz natural, vegetação e áreas abertas contribuem para reduzir a sensação de cansaço e estimulam uma permanência superior ao planejado. Já 61% preferem shopping centers com áreas ao ar livre e maior contato com a natureza.

A pesquisa também aponta oportunidades de crescimento na oferta de serviços. Atualmente, 94% dos frequentadores utilizam pelo menos um serviço de conveniência nos shopping centers e 42% recorrem a serviços de rotina, como academias, clínicas, coworkings e pet shops. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esse percentual chega a 59%, indicando uma tendência de ampliação do papel dos empreendimentos na vida cotidiana dos consumidores.

O impacto dos shoppings no PIB

Outro estudo divulgado pela Abrasce, esse elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que os shoppings geram R$ 862 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) na economia brasileira, com impacto de aproximadamente R$ 441 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), geração de R$ 195 bilhões em renda para as famílias, arrecadação de R$ 143 bilhões em tributos e criação de 6,4 milhões de empregos em todo o país.

Ainda de acordo com a pesquisa, o Brasil fechou 2025 com 658 shopping centers em operação, distribuídos por 253 municípios e presentes em todas as unidades da federação. Segundo a FGV, para cada emprego direto gerado pelo setor, outros cinco são criados na economia brasileira, sendo dois empregos indiretos, gerados por fornecedores e prestadores de serviços, e três induzidos, decorrentes do consumo realizado pelos trabalhadores ao longo da cadeia produtiva. Como resultado, o impacto total dos shopping centers alcança 6,4 milhões de empregos em todo o país.

A pesquisa também evidencia a contribuição do setor para a arrecadação pública. Entre os destaques estão R$ 30,3 bilhões em ICMS e R$ 27,3 bilhões em Imposto de Renda, além de impactos positivos em tributos municipais como ISS, IPTU e ITBI, reforçando a importância dos shopping centers para estados e municípios.

Imagem: Envato

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